Criança supostamente espancada pela mãe e padrasto pode ter sofrido abuso sexual, diz polícia

Polícia

Criança supostamente espancada pela mãe e padrasto pode ter sofrido abuso sexual, diz polícia

Menino de apenas 2 anos foi internado em estado grave, com lesões por todo o corpo. Irmão gêmeo dele também teria sido agredido pelos suspeitos e ficou com o braço quebrado

Acusada foi autuada por tortura e pode pegar até 16 anos de cadeia, caso seja condenada Foto: Patrícia Battestin

A criança de 2 anos que foi internada em estado grave, após supostamente ter sido espancada pela própria mãe e pelo padrasto, em Vila Velha, pode também ter sido vítima de abuso sexual. A informação é do titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Lorenzo Pazolini, responsável pela investigação do caso.

Segundo o delegado, o laudo do exame realizado na vítima no Departamento Médico Legal (DML) impressiona pela quantidade de traumas e aponta que há indícios de que ela tenha sido abusada.

"O laudo descreve em minúcias a quantidade de lesões, que são de todo tipo. Essa criança, que está internada em coma na UTI, tem lesões no tórax, na cabeça e ao longo do corpo, tem um edema cerebral e ainda há indícios de violência sexual", afirmou Pazolini. 

O menino agredido foi internado em estado gravíssimo no Hospital Infantil de Vitória. Ele teve várias fraturas pelo corpo, hemorragia no fígado, traumatismo craniano e um sangramento no cérebro.

De acordo com a polícia, o irmão gêmeo da vítima também foi agredido e teve um braço fraturado em dois lugares. As agressões teriam acontecido na semana passada e as crianças ficado em casa, durante alguns dias, sem receber atendimento médico.

"Um deles chegou a ficar de três a cinco dias com o braço quebrado, dentro de casa, sem ser levado ao médico. Ou seja, a criança ficou sofrendo, com dor, sem que fosse levada ao hospital para que fossem tomadas as providências médicas", disse o delegado.

Padrasto também é suspeito de espancar as crianças Foto: TV Vitória

De acordo com a polícia, os principais suspeitos de cometerem as agressões são a mãe das crianças, uma mulher de 23 anos, e o companheiro dela, um pedreiro de 28. Os dois, no entanto, negam as acusações.

O casal vive junto há apenas seis meses e teria se conhecido em um grupo de WhatsApp. Para a imprensa eles preferiram não falar muita coisa. Já para a polícia, primeiro disseram que houve um acidente em casa e, depois, decidiram acusar um ao outro.

"Eles alegam inicialmente que essa criança teria caído de um degrau. Nós fomos ao local, na noite de ontem, e constatamos presencialmente a impossibilidade de uma queda daquela altura gerar aquela quantidade múltipla de lesões. Diante de tal quadro, houve uma alteração na versão dos acusados. A partir dai, um passou a acusar o outro. Ela disse que saiu de casa e, quando retornou, as crianças já estavam naquele estado. Já ele disse que, após a mãe chegar, tudo teria acontecido. O fato é que eles confirmam que não havia um terceiro dentro de casa e que as crianças estão seriamente lesionadas. Tudo indica que a autoria é de ambos", frisou Lorenzo Pazolini.

O delegado conta que, mesmo convivendo diariamente com casos de violência contra menores, se chocou com o fato presenciado. "Nós estamos no dia-a-dia da delegacia, mas não estamos acostumados com esse tipo de crueldade. É um comportamento que jamais deveria acontecer. Como uma mãe deixa o filho chegar a um estado daquele? Isso é inadmissível! A sociedade não pode compactuar com esse tipo de conduta e tem que manifestar sim a sua repulsa a esse tipo de coisa", ressaltou.

Os dois suspeitos foram autuados por tortura e, caso sejam condenados, podem pegar até 16 anos de prisão.

Crueldade

O pai biológico dos meninos, que mora no Rio de Janeiro, conta que recebeu a notícia da agressão às crianças por meio de uma parente. Ele chegou ao Espírito Santo na última segunda-feira (12) e disse que, ao ver o filho, ficou impressionado com tamanha crueldade.

"Eu estava no meu trabalho e de repente a tia deles me ligou e contou o caso. Disseram que era para eu vir com urgência. Mas eu já estava sabendo que meu filho estava nesse estado. Viajei pensando que era um caso normal, e descobri que era de vida ou morte. É um baque para um pai saber que o filho está morrendo, olhar para a cama e ver uma parte da gente morta. É chocante", lamentou.

Um dos meninos foi internado em estado grave no hospital e o outro teve fraturas no braço Foto: Reprodução

Ele conta que viveu com a mãe das crianças por alguns anos e afirma que ela sempre foi agressiva. "Quando morava comigo, ela já agredia, mas não assim de forma bruta. Eu chegava a entrar em conflito com ela, mas acabava parando por ali. Não esperava isso dela. Agora espero só a ajuda de Deus. Daqui para frente Deus é que vai me guiar".

A opinião do pai é compartilhada com a própria irmã e a mãe da suspeita, que disse que essa não foi a primeira vez que as vítimas sofreram agressões. "Essa criança que está em estado grave sempre foi maltratada. Ela nunca deu alimentação e nunca fez nada por essas crianças. Estou esperando o agir deles e o agir de Deus, mas se nada ficar resolvido eu vou fazer com as minhas próprias mãos. Eu me vingo", afirmou.