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Comandante e majores da PMES são alvos de ação após prisão de sargento por causa de colete

Polícia

Comandante e majores da PMES são alvos de ação após prisão de sargento por causa de colete

Ronaldo Ribeiro Trugilho está preso desde a última quinta-feira, quando se recusou a devolver à corporação o colete balístico que havia usado durante o expediente

Sargento está detido no Quartel do Comando Geral da PM desde a última quinta-feira Foto: Divulgação/Governo

Deputados que integram a Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) ingressaram com uma representação junto ao Ministério Público Estadual (MPES) e à Corregedoria da Polícia Militar contra o comandante do 4° BPM, tenente-coronel Laurismar Tomazeli, e dois majores da corporação por abuso de poder. 

Na última quinta-feira (08), eles deram voz de prisão ao sargento Ronaldo Ribeiro Trugilho após o militar se recusar a devolver o colete balístico que havia usado durante o expediente. Na ocasião, o sargento alegou que corria risco no trajeto do trabalho para casa.

"[A prisão do sargento] é uma decisão absurda, arbitrária. Ele não cometeu nenhuma desobediência, estava apenas cuidando de sua segurança. A desobediência ocorre quando ele deixa de cumprir uma ordem legal dos superiores, mas essa ordem [de devolver o colete] foi ilegal. Se ele estivesse sem o equipamento, aí sim estaria cometendo um ato de negligência. Ele não pode ser culpado pelo fato de o Estado não fornecer o colete. O Estado não pode escolher quem tem direito à vida e quem pode morrer", disparou o deputado Euclério Sampaio (PDT), presidente da comissão.

Reunião

Integrantes da Comissão de Segurança da Assembleia se reuniram nesta segunda-feira e debateram o caso Foto: Divulgação/Assembleia

A prisão do sargento foi tema de discussão da reunião da Comissão de Segurança da Ales, nesta segunda-feira (12). Na ocasião, colegas de farda de Trugilho manifestaram apoio e cobraram providências diante da prisão do militar. 

"Desde junho que estamos falando do problema relacionado à falta de coletes para uso dos militares. Não tem condições de um PM ir para o trabalho fardado sem usar coletes balísticos", lamentou o presidente da Associação Geral dos Militares (Agem), Maxson Luiz da Conceição.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados e Bombeiros Militares do Espírito Santo (ACS-ES), Renato Martins, repudiou a ação que levou a prisão do PM e cobrou soluções. 

"O policial não é só uma farda, ele é uma família. No entanto, ele sofre com o descaso e a falta de equipamentos necessários para a sua proteção. Precisamos de soluções para esse descaso, pois temos muitos PMs que saem de suas casas para servirem a sociedade capixaba, sem o uso de coletes", cobrou. 

Membro do colegiado, o deputado Da Vitória (PDT) criticou a atuação do tenente-coronel Laurismar Tomazeli, e garantiu que o caso chegará ao conhecimento do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). "Quem tinha que estar preso é o tenente-coronel Tomazeli, porque o que ele está fazendo é uma afronta a toda a população do Estado. Não existe um cidadão que aplauda essa ação", criticou o parlamentar.

O deputado Gilsinho Lopes (PR) fez coro ao colega e defendeu melhores condições de trabalhos para os PMs. "Temos que dar um basta nessa situação. O Estado tem que oferecer ferramentas necessárias para que policiais possam trabalhar", frisou. 

Protesto

Manifestação contra a prisão do sargento ocorreu na manhã desta segunda-feira, em frente ao Quartel da PM Foto: TV Vitória

Também nesta segunda-feira, policias militares se reuniram na frente do Quartel do Comando Geral da PM, em Maruípe, Vitória, para protestar contra a prisão do sargento e contra a falta de coletes balísticos para os profissionais. Segundo Renato Martins, os militares pedem mais segurança para trabalhar.

"Nós entendemos a situação financeira que estamos passando, não só no Espírito Santo, mas em cenário nacional. Só que há prioridades. Equipamento de proteção individual não é luxo. Não estamos falando de aumento de salário ou de privilégios. Estamos falando de equipamento de proteção individual", destacou.

"O militar não usando o colete resulta em negligência de sua parte. Então ele não vai ter o amparo da legislação. Esse é o chamado que nós queremos fazer. Além do que o equipamento de proteção individual é importante, porque ele confere dignidade ao militar", completou o presidente da ACS-ES.

Segundo Martins, faltam coletes à prova de bala para os militares. "Nós recebíamos um kit com armamento, colete e espargidor, que é um equipamento não-letal e intermediário ao uso da arma de fogo. E hoje não se tem feito isso mais, o militar não recebe mais esse kit. Estamos usando os coletes em regime de cautela, ou seja, o militar, quando assume o serviço, vai na reserva de armas e pega o equipamento. Quando ele conclui a escala de serviço, ele devolve na reserva de arma para outro militar utilizar", explicou.

Ainda de acordo com o presidente da Associação de Cabos e Soldados e Bombeiros Militares do Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) sabe da situação.

"Em julho, as associações de classe da Polícia Militar tiveram uma reunião com o secretário de segurança e levamos esse problema. Na época, ele nos deu um prazo de 45 dias para resolver o problema e nós estamos aguardando até hoje", lamentou.

A esposa do sargento detido, a professora Rúbia Athaídes Trugilho, conta que a prisão do marido revoltou a família. "Ele não é bandido. Ele é um pai de família responsável e faz falta dentro de casa. Inclusive minhas filhas choraram ao saber que o pai está preso, porque prisão é uma palavra muito forte para quem não fez nada errado e que não é bandido. Inclusive estão deixando de ter um policial trabalhando para ficar preso por causa de um colete", protestou.

A mulher do sargento disse que ele tinha motivos de sobra para não ficar sem o colete. Segundo ela, dois anos atrás, o marido sofreu um atentado quando voltava para casa. "Na descida de Cobi de Baixo, deram um tiro nele e o que o protegeu foi o colete", contou.

Segundo o advogado do sargento, Tadeu Fraga de Andrade, o militar está abatido e inconformado com o que aconteceu. "Ele está com aquele sentimento de que foi injustiçado. Ele acredita firmemente que tem direito de utilizar o colete balístico no trajeto casa-trabalho e ficou muito consternado em ver que a corporação trata a vida dele com esse desprezo todo, o obrigando a ir para casa sem os coletes", afirmou.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o caso de conduta disciplinar do sargento está sendo apurado e, até que seja encerrada toda a apuração, não haverá manifestação da PM sobre o fato.