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'Me sinto uma refém dentro da minha própria casa', disse médica em carta sobre ameaças

Polícia

'Me sinto uma refém dentro da minha própria casa', disse médica em carta sobre ameaças

Milena também disse que temia pelas vítimas e já pensava que poderia ser morta

A médica Milena Gottardi Tonini Frasson, de 38 anos, assassinada na última quinta-feira (14), informou, através de uma carta registrada em cartório, que sofria ameaças do ex-marido, Hilário Frasson. No documento ela explicou que se sentia refém dentro da própria casa e que a relação deles sempre foi de posse. 

Veja a carta na íntegra!

"Me sinto uma refém dentro da minha própria casa. Está insuportável! Não quero brigar com ele, mas também não consigo ter uma conversa, um diálogo. Ele não permite isso", destacou. Ela também disse que "ele sempre demonstrou muita obsessão a minha pessoa, mesmo antes do namoro".

A médica também afirma que temia pela vida das duas filhas, uma de nove anos e outra de um ano e dez meses. Além disso, ela já pensava na possibilidade de ser morta. "Tenho medo que essa agressividade verbal se concretize em atitudes. Temo em ele tirar sua própria vida e como vemos em muitos casos tirar a minha vida também. Poderia ir na delegacia e relatar meus temores, mas não quero prejudicá-lo. Desejo muito que a situação seja resolvida pacificamente", explicou na carta.

Milena também expressou o desejo de que, se acontecesse algo com ela, as filhas ficassem com o irmão e a mãe dela. "(...) se Hilário Antônio Fiorot Frasson me matar e pode ser que tente se matar também, eu desejo que as minhas filhas (...) fiquem sob guarda do meu irmão Douglas Gottardi Tonini com a supervisão da minha mãe Zilca Maria Gottardi Tonini porque assim ficarei em paz. Sei que eles tem plena condições de seguir com os ensinamentos e afeto para com as minhas filhas da forma que eu mesma faria", afirmou a médica.

O crime

Ela foi baleada na cabeça no momento em que saía de um plantão no Hospital das Clínicas (Hucam), em Maruípe, Vitória. A médica estava com uma colega de trabalho  quando foi abordada pelo criminoso, que fugiu logo após efetuar os disparos.

Milena chegou a ser socorrida e foi internada no Centro Integrado de Atenção à Saúde (Cias), da Unimed, mas morreu no final da tarde da última sexta-feira (15). O enterro aconteceu no dia seguinte, em Fundão, município em que a médica nasceu e cresceu e onde ainda mora parte de sua família.

Executor

No último fim de semana, a Polícia Civil deteve dois suspeitos de participação no assassinato. Um deles é Dionathas Alves Vieira, que confessou à polícia ter sido o executor do crime. No último domingo, ele participou da reconstituição do crime, no Hospital das Clínicas.

O advogado de Dionathas, Leonardo da Rocha de Souza, informou que o assassinato de Milena foi planejado por cerca de um mês. Ainda segundo o advogado, o suspeito teria informações fundamentais para a elucidação do crime, mas ainda não foi chamado a depor novamente.

Ex-sogro preso

O ex-sogro da médica foi preso na manhã desta quinta-feira (21). Esperidião Carlos Frasson, de 71 anos, foi levado para a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Vitória, para prestar depoimento por volta de 5 horas.

Após receber a notícia da prisão de Esperidião, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES), Homero Mafra, que assumiu a defesa do ex-marido de Milena, Hilário Frasson, foi até a DHPP nesta manhã para checar se havia mandado de prisão em nome de Hilário.

Esperidião também responde a diferentes processos, entre eles um de homicídio qualificado. As informações estão disponíveis no site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.