A operação policial “Haras do Crime” prendeu suspeitos e cumpriu mandados no Espírito Santo, nesta quinta-feira (22), contra uma organização criminosa especializada no furto de petróleo de dutos de uma empresa. A ação ocorre de forma simultânea em vários estados e faz parte da Operação Fazenda Garcia, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público fluminense.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o esquema criminoso atuava de maneira interestadual, com ações no Espírito Santo. As investigações apontam que empresas sediadas no estado eram usadas na logística do transporte do produto furtado e em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, por meio da emissão de notas fiscais fraudulentas.

Até o momento, sete pessoas foram presas. Entre os detidos está o suspeito de liderar a quadrilha, além de responsáveis pela segurança armada da organização e motoristas do grupo.

Como funcionava o esquema de furto

As investigações indicam que o núcleo da extração clandestina funcionava em uma fazenda em Guapimirim, no Rio de Janeiro. No local, criminosos perfuravam dutos em operação para desviar grandes volumes de petróleo bruto.

Em junho de 2024, dois caminhões-tanque carregados foram apreendidos na propriedade. De acordo com a empresa vítima do grupo, o prejuízo causado apenas nessa ação foi estimado em R$ 5,8 milhões, incluindo danos, reparos e medidas de segurança.

Ainda segundo o Ministério Público, a organização criminosa era estruturada e permanente, com divisão de funções, uso de escolta armada, caminhões-tanque e rotas interestaduais previamente definidas. A fase final do esquema envolvia a comercialização ilegal do petróleo, apresentado como “resíduo oleoso”, com apoio de ao menos 15 empresas espalhadas por diversos estados, entre eles o Espírito Santo.

Além do prejuízo financeiro, as autoridades alertam para o alto risco ambiental e à segurança energética, já que a perfuração clandestina de oleodutos pode provocar vazamentos de grandes proporções e colocar comunidades inteiras em risco.

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.