O detento Marcelo da Silva Fernandes, de 37 anos, que cumpria pena no regime semiaberto e foi morto a tiros em agosto do ano passado, foi assassinado por vingança, concluiu a investigação da Polícia Civil.
O crime ocorreu no dia 4 de agosto, na Glória, em Vila Velha, na parte da manhã. Quatro envolvidos no homicídio já foram identificados e um deles está preso.
A polícia concluiu que Marcelo teria se tornado alvo após se aliar ao Primeiro Comando de Vitória (PCV) com o objetivo de tomar o Morro do Jaburu, em Vitória.
Marcelo era morador do Morro do Jaburu e faccionado ao Terceiro Comando Puro (TCP) desde 2015, segundo a polícia. Após um racha interno da facção, ele foi expulso da organização criminosa, além do bairro e da cidade.
Para tentar retornar a Vitória, ele se associou ao PCV, rival do TCP e acabou se tornando alvo dos antigos comparsas. As informações detalhadas foram passadas pelo delegado Adriano Fernandes, responsável pela investigação.
Ele é de Vitória e morava no Morro do Jaburu. Era integrante ativo do tráfico de drogas local, por volta de 2015, 2016. Por conta de um racha interno da facção, ele foi expulso do bairro. A partir daí ele saiu do Estado e foi morar em Goiás. Com a intenção de retornar, ele passou a se aliar com integrantes da facção rival, que controla o bairro Jesus de Nazareth, para organizar um ataque para tomar o Morro do Jaburu.
Adriano Fernandes, delegado
Morte ao sair para trabalhar
Marcelo estava preso na Casa de Custódia de Vila Velha (CascuVV) desde o final de 2024 e saía da cadeia para trabalhar. Foi justamente quando ia em direção ao trabalho, que acabou baleado diversas vezes.
Três criminosos saíram de um carro branco e abriram fogo. O corpo de Marcelo foi encontrado no segundo andar de uma casa, que estava fechada para aluguel.

Os passos dele eram monitorados pelo TCP e os criminosos receberam auxílio de um outro comparsa, de Ibiraçu, região Norte do Estado, chamado Izaque Ferreira Gonçalves, de 27 anos.
Izaque auxiliou os criminosos do TCP a fugir da cena do crime. Ele deu fuga aos comparsas no próprio carro, em direção a Ibiraçu, de acordo com o delegado da cidade, Felipe Thomé.
“A partir da extração dos dados do celular dele, foi identificado que ele tinha participação nesse crime em Vila Velha, além de outros crimes, como porte de arma de fogo”, disse o delegado.
Izaque foi preso no fim de 2025. Outros três suspeitos já foram identificados, são eles: Maurício Ferreira Pereira Júnior, de 30 anos, que teria cedido as armas usadas no crime; Luiz Carlos Reis Santos, de 42 anos; e Gilcleydson de Oliveira Pereira, de 35 anos. Esses dois últimos são apontados como os atiradores e, junto de Maurício, seguem foragidos. Todos são ligados ao TCP.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record