Foto: Folha Vitória/ Montagem
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Um professor da rede pública municipal, de 46 anos, é investigado por oferecer notas mais altas e dinheiro em troca de favores sexuais e imagens pornográficas na Grande Vitória. Ele teria aliciado, assediado e abusado sexualmente de alunos entre 10 e 16 anos, em sua maioria com baixo rendimento escolar.

Segundo informações da Polícia Civil, divulgadas nesta segunda-feira (12), o professor foi preso na quinta-feira (08), em Chácara Parreiral, na Serra. A ação contou com a Subsecretaria de Inteligência, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e da Guarda Municipal da Serra.

As apurações foram iniciadas após uma denúncia feita pela mãe de uma das vítimas, em novembro de 2024. Foi identificado que oito crianças e adolescentes foram vítimas do investigado e os crimes teriam ocorrido em duas escolas, na Serra e Vila Velha.

A delegada da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Thais Cunha, explicou que a escola teve papel fundamental para o início do inquérito.

Uma mãe informou que o filho dela, um adolescente de 14 anos, estava tendo conversas de cunho sexual com um professor, na Serra. A escola acionou essa mãe e não foi omissa. A escola recebeu a denúncia de outra mãe, que ouviu uma conversa suspeita, entre a vítima com a filha dela. A partir disso, pediu para ver o celular do adolescente e encontrou provas de crimes sexuais praticados pelo professor.

Thais Cunha, delegada da DPCA

Durante a busca, surgiu uma nova ocorrência, com o mesmo investigado. “De imediato, a DPCA reconheceu o nome dele, uniu os dois procedimentos para investigar”.

Suspeito se aproximava de estudantes com baixo rendimento

Segundo a polícia, o suspeito se aproximava principalmente de meninos entre 12 e 16 anos, com baixo rendimento escolar, utilizando a posição de autoridade para obter vantagem. “Um professor, se valendo da condição de superior, busca uma vantagem sexual e, em troca, dá notas”.

As investigações também indicam que o investigado chegou a oferecer dinheiro às vítimas. “Depois que o professor saiu da escola, ele continuou solicitando nudes para o adolescente, em troca de vantagens financeiras”.

A Polícia Civil também destacou que um aspecto que chamou a atenção dos investigadores é que o professor lecionava por períodos curtos, de três a quatro meses, repetindo o mesmo modo de abordagem para atrair as vítimas.

Convites para casa e passeios passaram a ter conotação sexual

Segundo o relato de uma das vítimas para a Polícia Civil, o professor costumava convidar o adolescente para ir à sua casa, à praia e para passeios. Com o tempo, esses convites teriam passado a assumir uma conotação sexual.

A partir dali, o adolescente falou que era heterossexual, não gostava de homem. Foi quando o referido professor, no intuito de induzir esse adolescente, começou a incluir mulheres na conversa. Mandou fotos de mulheres, falou que tinha fácil acesso por ser músico e poderiam ficar com o adolescente, mas teria que participar desse encontro.

Thais Cunha, delegada da DPCA

Professor tocou em aluno dentro de escola, diz delegada

Segundo a delegada Thais Cunha, em uma das denúncias, o caso, denunciado em fevereiro, envolve um adolescente de 12 anos, na Serra, e começou a ser apurado depois que a irmã passou a estranhar mudanças no comportamento.

Ao verificar o celular do adolescente, a irmã encontrou páginas com conteúdos sexuais e pesquisa sobre “como encontrar um homem perto de casa sem levantar suspeita”. Diante do que viu, decidiu conversar com o garoto.

Conforme o relato, o adolescente contou que, durante o horário do intervalo, na escola, foi ao banheiro para urinar e acabou sendo surpreendido por um professor, que teria tocado em suas nádegas e na região da coxa.

Esse mesmo adolescente falou que a partir da situação, o professor teria tentado contatos. Certo dia, o professor encontrou ele com o celular e foi repreender, mas para não levar até a coordenação passou sites de pedofilia e pornografia para o adolescente ver e teria como saber se o adolescente acessou os vídeos.

Thais Cunha, delegada da DPCA

Material envolvendo pedofilia foi encontrado com o professor

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram, segundo a delegada, “robusto material envolvendo pedofilia”.

Há vítimas virtuais. Ele era frequentador assíduo de sites de pedofilia, existem registros de crianças sendo abusadas e relações sexuais entre adolescentes.

Thais Cunha, delegada da DPCA

A delegada também afirmou que foi possível localizar vítimas reais. “Que compareceram à DPCA para denunciar que foram assediadas e importunadas”.

Além disso, durante as buscas, os policiais identificaram que ele mencionava as iniciais da escola e o nome das vítimas. “Tinha foto dele com as vítimas na escola e fotos dos órgãos genitais das vítimas”.

Professor já havia sido preso e liberado

O professor já havia sido preso em janeiro do ano passado, mas foi liberado dias depois, após audiência de custódia. Um mês mais tarde, novas denúncias chegaram à polícia, que solicitou a prisão.

A partir das investigações, última quinta-feira (08), foi cumprido o mandado de prisão preventiva que estava em aberto desde fevereiro de 2025. O professor vai responder pelos crimes de estupro de vulnerável, assédio sexual e exploração de crianças e adolescentes.

Redação Folha Vitória

Equipe de Jornalismo

Redação Folha Vitória é a assinatura coletiva que representa a equipe de jornalistas, editores e profissionais responsáveis pela produção diária de conteúdo do Folha Vitória. Comprometida com a excelência jornalística, a equipe atua de forma integrada para garantir informações precisas, atualizadas e relevantes, sempre alinhada à missão de informar com ética, democratizar o acesso à informação e fortalecer o diálogo com a comunidade capixaba. O trabalho do grupo reflete o padrão de qualidade da Rede Vitória de Comunicação, consolidando o veículo como referência em jornalismo digital no Espírito Santo.

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