Dilcimar Paixão de Souza. Foto: Reprodução/TV Vitória
Dilcimar Paixão de Souza. Foto: Reprodução/TV Vitória

O corpo do instrutor de autoescola Dilcimar Paixão de Souza, de 48 anos, foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16), no cemitério de Carapina, na Serra. Segundo a família, ele morreu após ser espancado e esfaqueado por traficantes, depois de ser acusado informalmente de envolvimento no sequestro de uma adolescente de 16 anos.

Segundo familiares, Dilcimar nunca foi apontado como suspeito pela polícia, e a acusação teria partido de criminosos da região. A família afirma que ele era inocente e pede que o caso seja investigado.

Familiares afirmam que há contradições no relato apresentado sobre o rapto da adolescente e destacam que exames confirmaram que a jovem não sofreu abuso. A adolescente é sobrinha da namorada de Dilcimar.

“Ele era uma pessoa muito íntegra, de caráter. Todo mundo que o conhece sabe que ele seria incapaz. Essa história está muito mal contada. A pessoa diz que chegou por trás, mas ela viu que era uma touca. Então assim, como uma pessoa vê uma pessoa que está atrás e se ela foi colocar um pano nela, ela desmaiou, então, como ela viu? E como a pessoa leva ela para o mato e não faz nada? Fez o exame e confirmou que ela realmente não foi abusada. E por que ela estava com a camisa dele? É uma história muito mal contada”, afirmou uma familiar.

O velório de Dilcimar ocorreu em uma igreja evangélica no bairro Central Carapina, também na Serra. Ele trabalhava como instrutor de autoescola, era pai de uma jovem de 18 anos e, segundo a família, faria uma entrevista de emprego nesta sexta-feira (16) para retornar a uma empresa multinacional onde já havia trabalhado.

Sequestro da jovem

Na noite de terça-feira (13), a adolescente levou a prima até a casa da avó paterna. Imagens mostram o momento em que ela deixa o local, mas não retorna para casa. À mãe, a jovem contou que teria sido raptada ao tentar abrir o portão da residência.

“Ela contou que foi na casa da avó, levou a prima e voltou imediatamente. Quando estava tentando abrir o portão, surgiu um homem com jaqueta e um pano cobrindo o rosto. Ele pegou minha filha no colo e desceu a escada com ela. Ela não lembra de mais nada”, revelou a mãe.

A jovem foi encontrada apenas na manhã de quarta-feira (14), em um matagal atrás da casa onde mora.

No momento em que foi localizada, a adolescente usava uma blusa de frio pertencente a Dilcimar, o que acabou associando o nome dele ao caso.

Segundo a família, Dilcimar procurou os parentes da adolescente para explicar que a blusa estava no varal e chegou a dizer que havia jogado a peça fora. Ele também foi até a delegacia, conforme havia prometido, mas não conseguiu prestar depoimento porque o local estava cheio. Disse que retornaria outro dia.

Instrutor foi espancado

Na noite de quarta-feira (14), Dilcimar foi espancado por traficantes, agredido a pauladas e esfaqueado em via pública. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Jayme Santos Neves, mas não resistiu aos ferimentos.

Antes de morrer, Dilcimar teria contado a um colega de trabalho o que aconteceu na noite do desaparecimento da adolescente. A família afirma conhecer essa versão, mas decidiu não divulgá-la.

“Ela chegou em casa para inventar uma desculpa para a mãe, para não tomar uma surra, sei lá o que foi. Ela inventou uma história que foi dopada por um homem encapuzado que ela não viu e que a levou para dentro do mato, quer dizer, às 19h. Ela foi aparecer às 5h. Não tem como uma pessoa ficar dentro do mato com ela esse tempo todo. Inventou essa história para a mãe e a blusa era dele. Ela pegou a blusa dele no varal para sair do mato”, disse outro familiar de Dilcimar.

Durante o sepultamento, amigos, vizinhos e familiares pediram que a polícia esclareça o caso e identifique os responsáveis pelo crime.

A família acredita que alguém mentiu e que Dilcimar foi morto injustamente, vítima de um linchamento motivado por acusações não confirmadas. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

*Com informações do repórter André Falcão, da TV Vitória/Record.

Redação Folha Vitória

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