Bruno Nunes da Silva, apontado como intermediário e organizador da logística do assassinato do empresário Wallace Borges Lovato, deu sua versão sobre o ocorrido na Praia da Costa, em Vila Velha. Ele afirma que “está sendo acusado de um crime que não cometeu”.

O empresário foi assassinado no dia 9 de junho de 2025, na Avenida Champagnat, em frente à empresa de tecnologia da qual era dono. Lovato foi atingido com um tiro na cabeça e não resistiu. As investigações da Polícia Civil mostraram que o crime foi motivado por dinheiro.

Bruno Nunes está foragido pela morte de Wallace Lovato (destaque) Foto: Divulgação / Polícia Civil e Acervo pessoal
Bruno Nunes está foragido. Ele é réu no caso Wallace Lovato (destaque). Foto: Divulgação/Polícia Civil e Acervo pessoal

Segundo a polícia, Bruno Valadares, então diretor financeiro da empresa de Lovato, teria desviado cerca de R$ 9 milhões de empresas do grupo comandado pela vítima.

Já estão presos pelo crime: Bruno Valadares de Almeida, Arthur Laudevino Candeias Luppi, Arthur Neves de Barros Eferson Ferreira Alves. Mas Bruno Nunes da Silva, considerado como “um elo” entre os responsáveis pelo assassinato, está foragido e é procurado pela polícia.

Arthur Laudevino Candeas Luppi, Arthur Neves de Barros, Eferson Ferreira Alves e Bruno Valadares são suspeitos da morte de Wallace Lovato
Arthur Laudevino Candeas Luppi, Arthur Neves de Barros, Eferson Ferreira Alves e Bruno Valadares são suspeitos da morte de Wallace Lovato. Foto: Divulgação

Entrevista exclusiva à TV Vitória

Em entrevista exclusiva à reportagem da TV Vitória, Bruno Nunes destacou que está sendo acusado de um “crime que não cometeu, pelo simples fato de conhecer a vítima e ela ter sido assassinada meses depois”.

Eu me chamo Bruno Nunes da Silva, estou aqui para esclarecer um fato do qual estou sendo acusado de um crime que eu não cometi. Pelo simples fato de ter conhecido uma pessoa e, logo depois, passando alguns meses, essa pessoa pode ter sido assassinada.

Bruno Nunes da Silva, réu no caso Wallace Lovato

Bruno também destaca que conheceu Wallace Lovato em uma corrida de aplicativo que foi solicitada por outra pessoa não identificada no depoimento.

Eu conheci essa pessoa, Wallace Lovato Borges, em uma corrida de aplicativo que uma pessoa chamou. Ele estava com essa pessoa de companhia, e ao decorrer da corrida, a gente foi conversando. Ele começou a perguntar de onde eu era, quanto tempo morava ali.

Bruno Nunes da Silva

Nunes também afirma que após conhecer Wallace, foi apresentado a Bruno Valadares, acusado de ser o mandante da execução. Bruno Nunes alega que chegou a receber pagamentos de Valadares por serviços prestados de entregas de aplicativos.

Depois disso, eu fiz várias viagens para ele, entendeu? Sempre o Bruno, né? Que é o Bruno Valadares. Ele que pagava, ele que mandava os Pix para mim, referentes às corridas particulares.

Nunca tive conversa alguma com esse Bruno Valadares, de nada, nada, nada. Apenas me entregava a caixa, eu parava o carro, abria a porta do fundo, ele colocava a caixa dentro.

Bruno Nunes da Silva

Nunes afirma que já conhecia Eferson

Bruno Nunes também afirma que já conhecia Eferson Ferreira Alves, que segundo o Ministério Público, teria atuado como um dos intermediadores do crime. Além disso, Bruno afirma que inicialmente, a intenção era apenas uma sociedade comercial.

“Eu já estava com planos de montar algo para eu trabalhar. Foi onde comecei a conversar com o Eferson, que é um rapaz que eu já conhecia há bastante tempo. Ele falou que estava pretendendo sair do serviço dele, que queria ir para o Espírito Santo e se eu não daria uma oportunidade de ajuda a ele, para trabalhar”, disse Bruno.

Além disso, Bruno também confirma que foi Eferson Ferreira quem trouxe Arthur Neves para o Espírito Santo, indicado como o autor do disparo que matou Wallace Lovato.

Ele foi para a Bahia e depois retornou com o Arthur Neves. Ele falou que era um rapaz bom para a gente colocar com a gente para trabalhar nessa empresa, que ele era bombeiro.

Bruno Nunes da Silva

Bruno também confessou que segue escondido das autoridades. “O fato de estar escondido até hoje é porque eu não devo nada. E não quero ficar preso, porque tenho ciência absoluta que nunca cometi crime algum”.

Diante do encerramento da fase de instrução, o processo entra na etapa das alegações finais.

O Ministério Público e defesa vão apresentar os argumentos e na sequência, a Justiça decidirá se absolve os réus, se entende que não há provas ou se o caso será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A participação de cada acusado

Imagem mostra o carro BMW de Wallace Lovato e o veículo cinza usado pelo atirador
Imagem mostra o carro BMW de Wallace Lovato e o veículo cinza usado pelo atirador. Foto: Câmera de segurança

Uma audiência de instrução sobre o caso, que antecede o júri popular, foi iniciada no dia 20 de janeiro e a Justiça ouviu as testemunhas de defesa de Arthur Laudevino Candeias Luppi e Bruno Valadares de Almeida.

Bruno da Silva entrou em contato com Arthur Luppi, que segundo apontou a investigação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, já sabia de todo o plano para matar o empresário e concordou.

Um segundo intermediador, Eferson Ferreira Alves, foi responsável por trazer o executor do crime, Arthur Neves de Barros, de Teixeira de Freitas, na Bahia, para cometer o assassinato.

Eferson também alugou um apartamento para ele e o executor se hospedarem logo após o crime, além de um carro para que Arthur Neves e Arthur Luppi fugissem após o crime.

Família acompanha desdobramento do caso

A defesa da família do empresário Wallace Lovato divulgou uma nota nesta sexta-feira (23) em que afirma que acompanha na Justiça o desdobramento do caso e acredita que, pelo rigor técnico das provas e das investigações, os culpados serão punidos.

Leia a íntegra da nota:

“A defesa de Wallace Lovato informa que está acompanhando na Justiça todo o desdobramento do caso e acredita que, pelo rigor técnico das provas e das investigações, os culpados serão devidamente punidos. A era dos crimes não solucionados no Espírito Santo acabou.

A Polícia Civil levantou provas robustas nas investigações, o Ministério Público denunciou os acusados e agora aguardamos que, no decorrer do processo, a Justiça seja feita. Estamos falando de um crime covarde, cruel, com uma vítima sem a menor chance de defesa.

Uma perda irreparável para a família, amigos, colaboradores e todos que conviveram com Wallace – que tinha uma trajetória e um futuro brilhantes pela frente”.

*Com informações da repórter Suellen Araújo, da TV Vitória/ Record

Repórter do Folha Vitória, Maria Clara de Mello Leitão
Maria Clara Leitão

Produtora Web

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória