
O número de pessoas desaparecidas no Brasil voltou a crescer, e o Espírito Santo aparece como o terceiro estado com a maior taxa do país, com 58,66 casos por 100 mil habitantes, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Em 2024,2.421 pessoas desapareceram no Estado, o que representa uma média de sete casos por dia. No país, foram registrados 84.710 desaparecimentos no mesmo período.
De acordo com o levantamento do Sinesp, o Espírito Santo fica atrás apenas de Roraima, que lidera o ranking com 78,10 casos por 100 mil habitantes, e do Rio Grande do Sul, com 67,75. Os dados reforçam a dimensão do problema em nível nacional e regional.
Maioria dos desaparecidos é localizada com vida
Apesar da taxa elevada, autoridades apontam que uma parte significativa dos desaparecidos é localizada.
Na Região Metropolitana de Vitória, por exemplo, dos 474 registros, 415 pessoas foram encontradas com vida, o equivalente a cerca de 88% dos casos. Outras 32 pessoas foram localizadas sem vida, enquanto 27 seguem desaparecidas.
O delegado titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), Tarcísio Otoni, explicou que a maioria dos casos é motivada por problemas familiares envolvendo adolescentes, mas quando a pessoa não reaparece, muitas vezes pode haver um crime por trás do sumiço.

Nós temos pessoas desaparecidas voluntariamente e pessoas desaparecidas involuntariamente. Nessa forma involuntária, encontra-se doença mental, dependência química e também o crime, seja crime de homicídio, crime de rapto ou sequestro, mas a grande maioria dos casos que temos no Estado, é de desaparecimento voluntário.
Tarcísio Otoni, delegado
Polícia orienta registro imediato do desaparecimento
A Polícia Civil reforça que não é necessário aguardar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência. A recomendação é procurar a polícia imediatamente após a constatação do desaparecimento.
As investigações contam com um banco nacional de dados, cruzamento de informações entre estados e, quando necessário, cooperação com organismos internacionais. Recursos tecnológicos também são utilizados para auxiliar na localização das pessoas.
Caso de adolescente desaparecido segue sob investigação
Entre os casos que ainda mobilizam familiares está o de Bryan Santos Brambati, que desapareceu aos 17 anos, após sair de casa no dia 22 de novembro de 2024, em Vitória. Desde então, a família segue sem informações sobre o paradeiro do jovem.
Para a mãe de Bryan, Dilcelene dos Santos de Carvalho, o mais difícil é não saber o que de fato aconteceu com o filho.
“Depois do desaparecimento dele, minha vida mudou. A vida dos meus parentes, tudo mudou. É um vazio que eu carrego até eu descobrir alguma coisa. Acho que eu não vou mais viver enquanto isso não acontecer”, afirma.
Dilcelene afirma que ainda tem esperança de encontrar o filho:

Eu espero ainda. Para mim, ele está em algum canto, alguém está segurando ele. Não sei, eu tenho essa sensação. Que ele está preso em algum lugar e que alguém ainda vai me dar ele de volta.
Dilcelene dos Santos de Carvalho, mãe de Bryan
A Defensoria Pública do ES informou que acompanha o caso.
Quem tiver informações que possam contribuir com as investigações pode entrar em contato, de forma anônima, pelo Disque-Denúncia 181.