O suspeito de matar o técnico de enfermagem Gabriel de Castro, de 35 anos, disse à polícia que matou o rapaz porque a vítima incorporou uma entidade. A informação foi divulgada pela Polícia Civil em coletiva de imprensa sobre o caso, na manhã desta quinta-feira (8). O rapaz confessou o crime.

Gabriel foi morto a facadas no apartamento onde morava, na manhã do dia 28 de dezembro, na Serra. O suspeito do crime, Thiago Gonçalves Sttofel, de 26 anos, foi preso no dia seguinte, em uma clínica de reabilitação em Vitória.

O delegado adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, Paulo Ricardo Gomes, disse que tudo começou dois dias antes do crime, uma sexta-feira, 26 de dezembro.

Thiago Gonçalves Sttofel é suspeito de matar o técnico de enfermagem Gabriel Costa de Castro
Thiago Gonçalves Sttofel é suspeito de matar o técnico de enfermagem Gabriel Costa de Castro. Foto: Sesp e Redes sociais

Briga com irmão dois dias antes de matar namorado

Familiares de Thiago contaram à polícia que, nesse dia, o rapaz teve uma briga com o irmão, em Vila Velha, e logo depois foi para a casa do namorado, na Serra, onde pediu ajuda. Essa briga explica, inclusive, a lesão no olho que Thiago tinha no dia de sua prisão, na segunda-feira seguinte.

Como Thiago estava ferido por causa da briga, Gabriel levou o namorado até um hospital, onde ele foi atendido. Os dois voltaram para o apartamento onde Gabriel vivia, no Condomínio Ourimar. No dia seguinte, sábado (27), Gabriel saiu para trabalhar e Thiago permaneceu no apartamento. À noite, os namorados saíram.

Imagens das câmeras do condomínio gravaram o momento em que os dois voltam para o apartamento, às 2 horas de domingo (28), cada um com uma lata de cerveja na mão. Às 4 horas, Thiago é filmado saindo do condomínio.

As imagens não mostram Thiago voltando ao local. As investigações mostraram que por volta das 8 horas, vizinhos ouviram objetos sendo quebrados dentro do apartamento de Gabriel e, logo depois, gritos de socorro.

As gravações mostram Thiago saindo na portaria às 9 horas, descalço.

Câmeras de condomínio registraram movimentação de vítima e suspeito antes e depois da morte de Gabriel de Castro. Fotos: Divulgação/Polícia Civil

Pegadas com sangue são encontradas na cena do crime

A polícia foi acionada, e as investigações começaram no mesmo dia. Os investigadores encontraram pegadas de pés descalços com marcas de sangue na saída do apartamento. A faca usada no crime também estava no local.

Com as imagens das câmeras do condomínio em mãos, os policiais foram à procura de Thiago. Ele foi encontrado na manhã do dia seguinte, em uma clínica de reabilitação em Vitória.

Segundo a polícia, após o crime, Thiago entrou em contato com um familiar, contou que havia esfaqueado Gabriel e disse acreditar que o namorado estava morto. O familiar o teria orientado a se internar na clínica, o que ele fez, voluntariamente.

Ao serem procurados pela polícia, familiares de Thiago revelaram onde o rapaz estava internado. O médico responsável pela internação acabou dando alta a Thiago, que foi preso.

Suspeito disse que irmão e namorado teriam incorporado entidades

Em depoimento à polícia, o suspeito confessou o assassinato. Ao ser questionado sobre a motivação do crime, Thiago disse que Gabriel teria incorporado uma entidade. Essa mesma justificativa teria sido dada pelo suspeito sobre a briga com o irmão, dois dias antes.

“Sobre o motivo das facadas, Thiago disse que o Gabriel teria incorporado alguma entidade, por isso ele pegou a faca que estava na mochila dele e acabou esfaqueando ele ali. Esse argumento ele usa tanto para falar sobre as agressões contra o irmão na sexta-feira e cita essa situação também em relação ao Gabriel no interior do apartamento”, detalhou o delegado.

Thiago acrescentou, ainda, que após a briga com o irmão, teria colocado a faca na mochila para se proteger de possíveis novas agressões.

Relacionamento era marcado por ciúmes e agressividade

Uma colega de trabalho de Gabriel contou à polícia que a vítima tinha o hábito de desabafar sobre a vida pessoal com ela. A testemunha disse que o relacionamento de Gabriel e Thiago era conturbado.

“Gabriel costumava conversar com essa testemunha sobre o relacionamento. Gabriel relatava nessas conversas que Thiago era uma pessoa possessiva, agressiva e extremamente ciumenta. Gabriel inclusive já teria tentado desfazer o relacionamento por algumas vezes, mas acabava voltando. Os próprios parentes do Thiago orientaram a vítima a se afastar, porque conheciam esse roteiro de agressividade dele desde a adolescência”, revelou o delegado Paulo Ricardo Gomes.

Histórico de agressões

Thiago tinha problemas com drogas e já demonstrava agressividade com a mãe e ex-namoradas, segundo a polícia. A equipe de reportagem da TV Vitória/Record teve acesso a registros policiais da investigação que revelam um histórico de agressões envolvendo o suspeito.

O primeiro boletim de ocorrência contra Thiago foi registrado em setembro de 2017, quando ele tinha 18 anos. Na ocasião, a mãe da então namorada dele, que era menor de idade, denunciou que o suspeito teria agredido a adolescente e mordido o pescoço dela.

No mesmo ano, a própria mãe de Thiago registrou ocorrência contra o filho, afirmando que ele tentou matá-la por causa de drogas. De acordo com o boletim, o jovem colocou a mão na boca da mãe para silenciá-la, a jogou no chão e tentou enforcá-la com um cadarço de bermuda. Ela só foi salva após a intervenção de vizinhos.

Mais recentemente, em dezembro de 2023, Thiago foi acusado de manter uma namorada em cárcere privado, estuprá-la duas vezes e agredi-la. A vítima foi resgatada pela avó e por um tio e solicitou medida protetiva contra ele.

Vítima e suspeito se conheceram em clínica de reabilitação

Thiago e Gabriel se conheceram em uma clínica de reabilitação onde Thiago, dependente químico, passava por tratamento. Gabriel trabalhava na clínica. Os dois mantiveram um relacionamento durante dois anos.

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.