O traficante Marcos Luiz Pereira Junior, de 30 anos, conhecido como MK, preso pela Polícia Civil na última sexta-feira (2), era apontado como um dos bandidos mais procurados do Brasil e responsável por introduzir no Espírito Santo métodos de atuação da milícia do Rio de Janeiro.

Entre os métodos estava a extorsão de empresários, que chegaram a sair do Estado por causa da pressão dos criminosos.

A prisão de MK é considerada estratégica para as forças de segurança capixabas e, segundo a polícia, até mais importante que a captura de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, líder da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV).

MK também é investigado por homicídios e considerado braço direito dos “Irmãos Vera”, que lideram a facção Terceiro Comando Puro (TCP).

“Ele trouxe para o Espírito Santo uma metodologia de extorsão de comunidades e de empresários. Então, MK chegou a, inclusive, fechar empresas aqui. Empresas foram fechadas porque não estavam suportando as extorsões que ele estava praticando”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (5).

Polícia Civil divulgou o perfil de Marcos Luiz Pereira Junior, o MK. Foto: Reprodução/Polícia Civil

Preso foi alvo de operação no Rio há um ano

MK era o alvo principal da operação Conexão Perdida, realizada em janeiro de 2025, mas na ocasião acabou não sendo capturado. A megaoperação prendeu 10 pessoas na região do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, local escolhido pelos traficantes do TCP para expandir suas ações criminosas.

As investigações identificaram que os líderes da facção no Espírito Santo utilizavam a extorsão de empresários dos setores de internet, gás e água como principal fonte de renda. Para atuar em áreas dominadas pelo grupo, essas empresas eram obrigadas a pagar uma mensalidade.

Os valores obtidos eram movimentados por meio de contas bancárias diversas, incluindo uma lotérica e um “banco paralelo” localizado no Complexo da Maré. O banco movimentou R$ 43 milhões em alguns meses.

MK veio para o ES para festas de fim de ano e acabou capturado

MK permanecia escondido no Rio, de onde comandava o crime no Espírito Santo de forma remota. Mas, segundo as investigações, teria vindo para o Espírito Santo ver familiares e a namorada nas festas de fim de ano.

Uma denúncia anônima apontou à polícia o paradeiro do foragido: Jardim Limoeiro, na Serra, onde ele foi localizado e preso. Segundo a polícia, no Espírito Santo, MK controlava bairros de Vitória e Serra.

“Marujo era importante na cadeia do crime? Era. Mas essa prisão é cinco vezes mais importante”, afirmou Arruda.

O delegado Fabrício Dutra, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), descreveu o grau de periculosidade de MK:

Nós não estamos aqui falando de um traficante; nós estamos falando de um narcotraficante. Ele está um patamar acima de tudo que vocês viram por aí. É um indivíduo que já tem 69 anos de prisão para cumprir, fugitivo do sistema prisional, alvo do Projeto Captura. Brasília tem interesse na captura dele. Ele é o elo estratégico do Rio de Janeiro com o Espírito Santo.

Delegado Fabrício Dutra

A operação foi realizada em conjunto entre o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), a Subsecretaria de Inteligência (Sei) da Sesp, a Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e a Coordenaria de Operações e Recursos Especiais (Core).

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.