
O tutor dos pitbulls que atacaram e mataram um cão da raça shih-tzu no Centro de Alegre, no Caparaó do Espírito Santo, decidiu de forma espontânea doar os animais para o município. A doação evita que o caso seja judicializado.
Ele também se comprometeu a arcar com a alimentação dos cães até que sejam adotados por pessoas com condições adequadas para oferecer segurança e cuidados constantes.
O ataque ao shih-tzu ocorreu na manhã de sábado (22), quando o pai da tutora de Sheik, de 13 anos, foi atacado pelos cachorros, que estavam sem tutor. O homem tentou se proteger subindo em um banco da praça, mas não conseguiu evitar que Sheik fosse atacado e morto ainda no local.
A CPI dos Maus-Tratos Contra os Animais da Assembleia Legislativa (Ales) realizou, na quinta-feira (27), uma reunião na Câmara Municipal de Alegre. A tutora do animal, Jacira Sobreira Cossate, e o tutor dos pitbulls foram ouvidos.
Segundo informação da CPI dos Maus-Tratos, os pitbulls já fugiram outras vezes da casa onde viviam, localizada em um terreno frágil e sem medidas adequadas para conter os animais.
Segundo a presidente da comissão, Janete de Sá, o caso foi classificado como negligência, e não como crime de maus-tratos, mas pode resultar em responsabilização cível.
Aqui verificamos se tratar de um caso de negligência, que cabe reparação cível. A família pode ingressar na Justiça para buscar seus direitos. Os animais viviam em um terreno vulnerável, fugiam constantemente e se constituíam em uma ameaça à sociedade.
Janete de Sá, deputada estadual
Segundo a tutora de Sheik, seu pai passeava com cachorro quando ocorreu o ataque.
“Meu pai estava passeando com o Sheik, como fazia todos os dias, no mesmo horário de sempre, seguindo o mesmo trajeto, e foi surpreendido por um pitbull que estava solto. Ele atacou o pescoço do meu cachorro e ele morreu na hora.”
Ela contou que, no local onde Sheik foi atacado, muitas crianças e idosos passeiam, por isso o perigo da fuga dos animais.
A deputada afirmou que o recolhimento dos animais já foi providenciado pela prefeitura e que a doação voluntária foi orientada pela CPI para evitar que os cães retornassem ao antigo tutor.
A comissão também analisa, com a Polícia Militar, a possibilidade de adestramento dos animais antes de uma adoção responsável.
Janete também afirmou que o tutor dos pitbulls não poderá voltar a ter animais enquanto não demonstrar capacidade de garantir segurança adequada.