
A abertura do ano legislativo e judiciário, nessa segunda-feira, no Espírito Santo e no plano nacional, acontece sob um clima que vai além do ritual institucional. Lembremos que 2026 é ano eleitoral e, portanto, cada discurso e cada pauta podem ter motivações e desdobramentos com impacto nas eleições.
No STF, por exemplo, o caso do Banco Master deve seguir sob pressão. E não é para menos. O ministro Dias Toffoli resiste a deixar a relatoria. Por outro lado, um grupo de senadores protocolou contra ele um pedido de impeachment por crime de responsabilidade.
Há outros temas também espinhosos, tais como normas de conduta para os próprios ministros, uso de inteligência artificial, responsabilidade das redes sociais.
No Congresso Nacional, o desafio é separar o que é agenda de Estado dos assuntos que já nascem como estratégia de campanha. O risco de transformar o Parlamento em palanque cresce à medida que o calendário avança e propostas como a PEC da segurança pública e a lei antifacção têm potencial para discursos mais ideológicos e menos pragmáticos.
No Espírito Santo, a Assembleia Legislativa começa 2026 com o deputado Marcelo Santos à frente da mesa diretora pelo último ano. O desafio é garantir que o debate regional não seja engolido pela lógica nacional das eleições. Infraestrutura, desenvolvimento econômico, políticas sociais e equilíbrio fiscal precisam continuar no centro da pauta, ainda que seja legítima a movimentação dos deputados em torno das composições para a eleição deste ano.
Cabe ao Judiciário capixaba, que tem agora a primeira mulher a presidir o Tribunal de Justiça, a desembargadora Janete Vargas Simões, manter a previsibilidade e a confiança em um ano em que conflitos podem se intensificar.
Ou as instituições reafirmam seu papel, mesmo sob pressão eleitoral, ou correm o risco de se tornarem reféns do calendário político, como em tantas outras ocasiões. E isso, definitivamente, o país e o Espírito Santo já não podem mais aceitar.