“Não vai ter espaço para palanque neutro”, diz presidente do PT

A possibilidade do governador Renato Casagrande (PSB) declarar neutralidade com relação à disputa pela Presidência da República e construir um palanque duplo, triplo e até quádruplo para contemplar os presidenciáveis das legendas que o acompanharão na chapa à reeleição, não está agradando os projetos do PT no Estado. Principalmente depois que o ex-juiz Sergio Moro entrou na disputa pelo Podemos, partido que faz parte da base do governador.

Para o PT capixaba é inconcebível dividir um palanque com Moro e apoiadores do ex-juiz à Presidência, por motivos óbvios e relacionados à operação Lava-Jato. “O Podemos faz parte do governo do Renato. A gente sabe que dentro do governo começa um projeto pró-Moro. Isso pode nos distanciar. Já abrimos o processo de discussão sobre isso. Claro que depende do PT nacional, mas não vai ter espaço para palanque neutro. E isso pode colocar o PSB numa situação difícil”, disse a presidente do PT capixaba, Jackeline Rocha.

Hoje, pelo menos três partidos que compõem a base de Casagrande devem ter candidatos ao Palácio do Planalto no ano que vem: além do Podemos, com Sergio Moro, tem também o PDT, com Ciro Gomes, e o PSDB, com quem vencer nas prévias. O PT não faz parte da gestão Casagrande, mas os dois partidos têm afinidades e nacionalmente discutem, juntamente com o PCdoB, formarem uma federação partidária.

Aliança PSB-PT-PCdoB

Federação partidária é a união de partidos com afinidades programáticas que concordam em estarem juntos por, no mínimo, quatro anos. Têm abrangência nacional, ou seja, os partidos da federação deverão caminhar juntos em todos os estados, e a legenda que deixar a federação antes de quatro anos sofre punições, como a proibição de usar recursos do Fundo Partidário. Se fechar a federação para 2022, nas eleições municipais de 2024 ela deverá ser respeitada. Uma federação é, portanto, maior que as coligações e também mais complicada, tendo em vista a complexidade dos arranjos partidários nos estados.

Na semana que vem, inclusive, o PSB nacional deve convocar os deputados federais para debaterem o tema, que não encontra unanimidade no ninho socialista. No Espírito Santo mesmo, o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, é contra a formação da federação. Mas, se Gavini for voto vencido e vingar a formação da federação, o palanque do PSB de todos os estados será em apoio a Lula.

E aí entraria em jogo outra questão também. Se nacionalmente PSB apoiar o PT – podendo até indicar um vice –, no Espírito Santo, o PT vai abrir mão de ter candidatura própria ao governo para apoiar a reeleição de Casagrande? E como ficaria a negociação com o senador Fabiano Contarato, já que um dos critérios para a escolha do seu novo abrigo será a possibilidade de disputar o governo do Estado? Pesquisas internas do PT já mostrariam que Contarato estaria pontuando em segundo lugar na corrida ao Palácio Anchieta. Atrás, apenas, de Casagrande.

Contarato vai ou não vai para o PT?

Enquanto isso o PT segue pressionando o governador para que ele assuma um lado. “Em algum momento ele vai ter que dizer algo, estamos buscando uma definição do Casagrande”, disse Jackeline, lembrando também que Casagrande estará no lado oposto ao de Bolsonaro e isso também conta para a decisão do PT.

O partido também busca uma definição de Contarato. Na semana passada ele teve outra rodada de conversas com lideranças do partido, mas ainda não bateu o martelo. “Queremos muito o Contarato no PT, do ponto de vista político, todos os gestos já foram feitos”.

“Tem que respeitar a conjuntura do governador”

O presidente do PSB-ES, Alberto Gavini, disse que o governador não vai falar agora sobre assuntos da eleição e que é preciso “respeitar a conjuntura”. “O governador aceitará no seu palanque o deputado do PT, do Podemos… Mas tem que respeitar a conjuntura do governador. É complexo ele fazer uma opção, ainda mais agora. Se o Moro vier aqui, ele pode ir lá fazer uma menção, com o PDT também, que é parceiro de primeira ordem. Todo mundo (partido) está pressionando”, disse Gavini.

A coluna já noticiou que agrada ao PSB ter um palanque duplo no Estado. O presidente do PSDB-ES, Vandinho Leite, por exemplo, discute a possibilidade do partido apoiar a reeleição de Casagrande desde que o palanque do socialista caiba o presidencisável do PSDB – e desde que também não coligue com o PT. À época, Gavini disse que seria uma possibilidade em análise.

Gavini também é contrário à formação de federações. “A decisão será tomada no congresso nacional, mas aqui no Espírito Santo nós não somos favoráveis não. Traz, pra nós, problemas e dificuldades. Minha chapa para federal está quase pronta, se eu federar com outro partido, vou ter que abrir mão de 2/3 da chapa”, justificou. Mas ele disse que o presidente nacional, Carlos Siqueira, está correto em debater o assunto.

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Escolha pessoal

Rafael Primo: entrada no governo do ES não passou pelo partido

 

A presidente do PT, Jackeline Rocha, disse que o PT não faz parte da gestão do governador Renato Casagrande, portanto não teria indicado nomes para participar do governo. Questionada sobre a presença de Rafael Primo (PT) na coordenação de uma gerência da Secretaria de Direitos Humanos, Jackeline disse que foi uma escolha pessoal do governo e não passou pelo partido.

 

Escolha partidária

Jackeline disse que estará à disposição do partido para disputar qualquer cargo no ano que vem. A princípio ela trabalha com a possibilidade de tentar uma vaga à Assembleia, junto com Iriny Lopes, que tentará a reeleição; o ex-prefeito João Coser e o ex-candidato a prefeito de Vila Velha Rafael Primo, entre outros nomes. Jackeline foi candidata à governadora em 2018 e ficou em 3º lugar.

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