Solidariedade com Lula, Casagrande e Euclério

O presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, esteve no Estado ontem (08) para dar posse ao novo diretório estadual do partido, assinar fichas de filiações e tentar convencer o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (DEM), a se filiar na legenda. Para isso, prometeu até apoiá-lo numa disputa ao governo do Estado em 2026. Euclério não bateu o martelo. E nem precisa fazer isso agora. Até porque, mesmo sem se filiar, ele já tem espaço e poder no Solidariedade – algo que sempre buscou no DEM. E isso ficou bastante claro no evento.

O secretário de Governo de Cariacica, Messias Donato, braço direito e aliado de Euclério há mais de 30 anos, é o novo presidente estadual do Solidariedade. No ato da posse, Donato, que é pré-candidato a deputado federal, fez questão de elogiar o prefeito e citar o compromisso dele com o Solidariedade.

O mesmo ocorreu com o ex-deputado Sandro Locutor, que se filiou ontem à legenda após deixar o Pros. Locutor foi retirado da presidência do antigo partido para abrir espaço para o deputado Renzo Vasconcelos. Locutor saiu e levou parte do seu grupo, inclusive Coronel Laércio, que era cotadíssimo para ser candidato à Câmara Federal pelo Pros e se filiou ontem ao Solidariedade. No discurso, Locutor fez questão de dizer que escolheu o partido por causa de Euclério.

Além dos dois aliados, a vice-prefeita de Cariacica, Enfermeira Edna, também se filiou ao Solidariedade – ela era, até então, do Avante. E o próprio Euclério, em seu discurso, sinalizou que está de malas prontas para o novo partido. Disse que tem afinidade com a sigla por já ter sido advogado trabalhista. “O Solidariedade é ligado aos trabalhadores”. Falou que o partido é a “bola da vez” no Estado e ainda convocou os presentes a se filiarem ao 77, chegando até a mostrar um relógio com tiras laranjas, cor do partido.

Plateia lotou evento
Divulgação

E, pra não perder a oportunidade, Paulinho da Força, que estava sentado ao lado de Euclério, pegou o microfone e disse que iria voltar ao Estado para filiar Euclério e ele ser candidato a governador em 2026. A plateia, que lotou o evento, ficou em polvorosa. Resumindo, Euclério está hoje com o pé direito no DEM e o esquerdo no Solidariedade.

Apoio a Casagrande

Ainda que a filiação de Euclério dependa de construções nacionais, o prefeito já tem a garantia de que o partido deve apoiar o governador Renato Casagrande (PSB) à reeleição, algo que ele ainda não ouviu do DEM. Euclério é aliado do governador e já disse que mudaria de partido, caso o Democratas não apoie Casagrande no ano que vem.

Em conversa com a coluna, Paulinho disse que a meta para 2022 é dobrar o número de deputados federais (hoje a bancada tem 15) e também eleger senadores em alguns estados – o vereador da Serra, Arthur Costa, é pré-candidato da legenda para disputar o Senado.

O partido, porém, não terá candidatura própria ao governo. “O governo será resolvido com o partido aqui, mas a tendência é apoiar Casagrande à reeleição”, disse Paulinho, para alegria de Euclério.

Apoio a Lula

Paulinho disse também que a tendência do partido, nacionalmente, é fechar com Lula. Ele disse não acreditar na construção de uma terceira via. “Tenho a impressão que não tem caminho para uma terceira via, não tem espaço. Não acredito que essas candidaturas de centro conseguirão se viabilizar”.

Paulinho contou que tem se reunido com Lula e tem sido a ponte para que o ex-presidente se aproxime dos partidos de centro. Questionado se há consenso no partido e se o martelo já foi batido para apoiar o petista, Paulinho disse que a decisão não será agora. “Eu tenho uma relação histórica com Lula, e fechar com Bolsonaro não tem nenhuma possibilidade. Então, vai decidir lá na frente mas a tendência é de apoiar o Lula. Acho que, por enquanto, não tem ninguém do partido contra o apoio a ele, não”.

E agora?

Se vingar, o apoio do Solidariedade a Lula pode trazer embaraços não só para Euclério, mas também para o recém-empossado presidente da legenda, Messias Donato, e alguns novos filiados, que se identificam como de direita e conservadores, muitos de segmentos religiosos e de forças de segurança.

Locutor assina ficha de filiação
Crédito: Renato Paolielo

Não à toa, em seu discurso, Euclério disse que, como gestor, não pode ser nem de direita e nem de esquerda. “Tenho que ser o povo”. E disse esperar que o Solidariedade dê liberdade para Donato fazer o que for melhor para o Espírito Santo.

Questionado pela coluna, Euclério disse que como cidadão ele é de direita, mas que também precisa pensar na cidade. E que, se for para o Solidariedade, ele terá liberdade para apoiar ou não um nome a presidente da República. Resta saber se o eleitorado dos novos membros do Solidariedade irão compreender.

Apoio a Bolsonaro no Congresso

Mesmo que o partido não se coloque a favor de Bolsonaro, congressistas do Solidariedade têm votado matérias com o governo. Uma delas, a PEC dos Precatórios, foi votada à unanimidade. “Temos votado o que interessa ao Brasil. Votamos a favor da PEC dos Precatórios para a construção do auxílio emergencial. Não iria defender os precatórios até porque, no meu ponto de vista, 90% dos precatórios estão com o sistema financeiro”, disse Paulinho.

Ele disse também que o Auxílio Brasil (que entra no lugar do Bolsa Família) deve dar um gás ao governo federal e que não apoia o impeachment de Bolsonaro. “Prefiro tirá-lo no voto do que transformá-lo em vítima”.

Café com Peixoto

Nesta terça-feira, Paulinho da Força toma café com o médico Gustavo Peixoto, que também está no Pros, mas é aliado do ex-deputado Sandro Locutor. Peixoto é cobiçado pelas duas legendas. “Vou levar Peixoto para o Solidariedade”, disse Paulinho.

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