“Quando um não quer, dois não brigam”, diz Casagrande sobre relação com Republicanos

Não há quem diga, publicamente, o que fez o caldo entornar e azedar a relação – que já não era muito próxima – entre o Palácio Anchieta e o grupo do Republicanos – principalmente com o presidente da Assembleia, Erick Musso, e o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.

O fato é que em algum momento, entre a eleição da Mesa Diretora da Ales e a fase mais crítica da pandemia (março e abril passados), algo ocorreu que mudou o rumo. Desde então, uma série de indiretas e diretas, alfinetadas, ruídos e desentendimentos passaram a fazer parte da relação. E os dois grupos, que chegaram a prometer nos bastidores que estariam juntos na eleição do ano que vem, hoje caminham em lados opostos.

Na última quinta-feira, o governador Renato Casagrande, em entrevista para o programa De Olho no Poder na JP News Vitória, minimizou o mal-estar com os republicanos, disse que não há briga e nem ruído e que está à disposição.

“Da minha parte não tem ruído nenhum. Zero de ruído. Quando um não quer, dois não brigam e eu não vou brigar com ninguém. Eu estou à disposição do prefeito Pazolini para trabalharmos juntos, estou fazendo um investimento em Vitória que Vitória nunca viu”, disse Casagrande, citando as obras na Terceira Ponte, no Portal do Príncipe, na Rodovia das Paneleiras, em hospitais da capital, entre outros.

“Vou ajudar o município na educação em tempo integral, já fizemos convênio para a construção de duas escolas. Então, da minha parte, é zero de problema. Eu não quero briga com ninguém, quero ajudar o Estado a se desenvolver. A eleição decide lá na frente, o que eu quero é a ajuda deles (Republicanos) para governar o Espírito Santo”, disse o governador.

Entre os embates do governo e da Prefeitura de Vitória, estão o embargo do prefeito à obra do novo Trevo de Carapina, ocorrido em maio passado; a não participação do Estado na força-tarefa de segurança da prefeitura com a Polícia Federal; a não participação de Vitória em recursos extras do Estado para a Educação; os desentendimentos e posicionamentos opostos sobre o retorno às aulas presenciais e o fechamento do comércio durante a pandemia.

Não chegou às votações

Conforme a coluna já tratou anteriormente, o desalinho entre o presidente da Ales, Erick Musso, e o governador Renato Casagrande não chegou às votações. No início da semana, o presidente colocou uma matéria importante do Executivo – a expansão do cartão ES Solidário por mais dois meses (R$ 200) para 87 mil famílias – em votação em tempo recorde.

Num pequeno discurso, disse que sabe separar as diferenças e divergências político-partidárias quando o assunto é de interesse dos capixabas. E assim tem feito em outros projetos que chegam do governo do Estado. Por outro lado, o governador quando está em eventos oficiais faz questão de lembrar e agradecer à Assembleia pela tramitação célere e aprovação das matérias.

Nas redes sociais, porém, Erick continua descendo o dedo em críticas ao governo do Estado. No último dia 25, publicou: “Um levantamento do IBGE mostra a falta que faz um planejamento de políticas públicas comprometido com a população. O ES está entre os seis estados que mais lançam nos rios esgoto sem o devido tratamento. E ficamos expostos a todo tipo de doenças. Vergonhoso!”.

Nem todos

Não é correto dizer, porém, que todas as lideranças do Republicanos estão caminhando rumo à oposição ao governo de Casagrande. Na Assembleia, o deputado Hudson Leal faz parte da base aliada do governo e o deputado federal Amaro Neto também tem boa relação com o governador.

Amaro é, também, a ponte entre Casagrande e o comando nacional do Republicanos. Aliás, nos bastidores, Casagrande e Amaro já teriam tido conversas sobre as eleições do ano que vem, tratando até da possibilidade de Amaro ser candidato ao Senado.

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“Posso não ser candidato a governador, mas eu vou liderar um projeto”

Na entrevista que deu ao programa De Olho no Poder na JP News Vitória, o governador Renato Casagrande jogou para o ano que vem a decisão de disputar ou não a reeleição, mas enfatizou que, candidato ou não, vai liderar um projeto.

“Posso não ser candidato a governador, mas eu vou liderar um projeto. E é um projeto amplo, que não vai se segmentar à direita ou à esquerda, mas terá diálogo com partidos de centro, centro-direita, esquerda. Hoje temos diálogo com diversos partidos, o Espírito Santo se caracteriza por alianças amplas”, disse Casagrande.

O governador também disse não ser muito favorável à federação – o PSB estuda formar federação com o PT e o PCdoB – por conta dos arranjos estaduais e por uma “acomodação” que criaria nos partidos. E também falou sobre a relação com o presidente Bolsonaro.

Ouça a entrevista completa aqui:

 

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