
Aos 45 do segundo tempo, já no encerramento do prazo de inscrições dos candidatos que concorrerão à lista tríplice para o comando do Ministério Público Estadual, o promotor de Justiça Danilo Raposo Lírio colocou seu nome na disputa.
No próximo dia 6 de março, ele vai pleitear, contra o atual procurador-geral de Justiça, Francisco Berdeal, os votos dos promotores e procuradores de Justiça numa eleição que tinha tudo para ser tranquila, mas que mudou totalmente de rumo nas últimas horas.
Rompido com o atual grupo que comanda o MPES – grupo esse que ele fazia parte até 2024 –, Danilo disse que está há dois anos dialogando internamente com outras lideranças e que há um grupo majoritário insatisfeito com a condução da instituição.
Numa entrevista exclusiva à coluna De Olho no Poder, ele disse que tem como propósito a renovação e a reunificação da carreira que, segundo ele, estaria fragmentada.
“Existe um grupo majoritário, silencioso mas majoritário, que não está satisfeito com uma série de coisas. E essa maioria é que me move adiante com o propósito de renovação e reunificação da carreira, que está fragmentada e isso não é bom, enfraquece a instituição”, disse o promotor.
Ele afirmou que não está sozinho – embora não tenha citado o nome de lideranças que o apoiam. E que sua candidatura faz parte de um projeto coletivo.
“Tenho, sim, uma base de apoio sólida e que me permite estar bastante otimista com o resultado. Já estou na lista, porque só foram dois inscritos. Meu nome já está no Poder Executivo automaticamente. Pode cravar que meu nome já está na mesa do governador”.
A Comissão Eleitoral determinou o prazo de até as 18 horas desta segunda-feira (26) para a inscrição dos candidatos. Danilo, que atua como 4º promotor de Justiça Cível de Linhares, se inscreveu às 17h48 de hoje. Francisco Berdeal protocolou a inscrição no dia 19.
Danilo concorreu em 2024 para o cargo de procurador-geral de Justiça. Porém, não entrou na lista tríplice, ficando em quinto lugar com 64 votos – seis candidatos participaram do pleito.
Na entrevista concedida no início da noite desta segunda à coluna, ele acusou a ex-procuradora-geral de Justiça Luciana Andrade de ter trabalhado para tirá-lo da lista.
“Em 2024 foi, pra mim, muito negativo, no aspecto que eu tive contra mim um grupo que eu ajudei a projetar. Esse grupo que eu projetei, liderado pela ex-procuradora-geral, trabalhou contra mim, para me tirar da lista”.
Leia abaixo a entrevista completa:
COLUNA DE OLHO NO PODER – O que te levou a se inscrever novamente para a disputa de procurador-geral de Justiça?
PROMOTOR DANILO RAPOSO LÍRIO – Em resumo, é um propósito de renovação na nossa instituição, a palavra que bem define é uma necessidade de renovação. Tenho minhas divergências com a atual gestão do Ministério Público, isso é notório, e existe um grupo majoritário, silencioso mas majoritário, que não está satisfeito com uma série de coisas. E essa maioria é que me move adiante com o propósito de renovação e reunificação da carreira, que está fragmentada e isso não é bom, enfraquece a instituição.
Esse grupo majoritário te apoia?
Estou há dois anos dialogando internamente com outras lideranças, não sou a única liderança do MP. Eu me considero, sim, uma liderança porque construí um capital político na última eleição. Mas sou liderança de um grupo, de um segmento, e a gente vem conversando e dialogando para pavimentar essa minha candidatura, que não é um projeto de mim mesmo, é um projeto institucional e coletivo, dessas pessoas que querem uma mudança realmente da liderança dessa gestão e que não estão satisfeitas, como eu também não estou.
Quem são essas lideranças que te apoiam?
Nesse ponto prefiro não declarar nada porque eu não quero expor ninguém. O candidato sou eu e o ponto focal sou eu. Mas eu tenho, sim, uma base de apoio sólida e que me permite estar bastante otimista com o resultado. Já estou na lista, porque só foram dois inscritos. Meu nome já está no Poder Executivo automaticamente. Pode cravar que meu nome já está na mesa do governador.
Vou em busca, agora, do maior número de apoios possíveis porque isso é importante, inclusive para a legitimidade. Mas, do ponto de vista estritamente do resultado, eu já estou na segunda etapa do processo. Que é um processo complexo, por conta do sistema de freios e contrapesos. A classe vota e o governador escolhe. A escolha dele é soberana, é um mecanismo legítimo de contrapeso. Inclusive, o Francisco não foi o mais votado, sempre bom sublinhar isso. Independentemente do resultado eleitoral em si eu já estou na segunda etapa do processo.
E por que o senhor deixou para se inscrever no último momento? O que estava ponderando?
Essa decisão passa por questões inclusive de caráter pessoal. Dependem de uma maturação e eu estendi até o último momento para realmente amadurecer minha decisão.
Passei por um processo em 2024 que foi, pra mim, muito negativo, no aspecto que eu tive contra mim um grupo que eu ajudei a projetar. Esse grupo que eu projetei, liderado pela ex-procuradora-geral, trabalhou contra mim, para me tirar da lista. É óbvio que você quando vive uma experiência dessa natureza, tem que medir bem a profundidade, temperatura e pressão, pra não ter um resultado ruim.
Agora eu venho muito mais leve, porque não tem essa máquina que hoje está no poder do MP. Eles vão trabalhar contra mim, mas hoje eu tenho uma retaguarda muito maior. Coisa que eu não tinha naquela oportunidade. Os outros candidatos também tinham os grupos deles e não foram contemplados, esses grupos foram preteridos em função da escolha governamental. Isso não pacifica a instituição, isso é ruim.
Quando o senhor diz que tem uma retaguarda muito maior, o senhor está se referindo a que, exatamente?
Estou me referindo ao fato de ter outras lideranças. Essa minha candidatura não é fruto de um projeto pessoal, é fruto de várias vontades, de várias convergências.
Em 2024, foi muito falado que o senhor seria o nome escolhido pelo ex-PGJ e hoje desembargador Eder Pontes…
Dois mil e 24 é passado. Política a gente faz olhando para o futuro. Como eu já te falei, minha candidatura é um processo que passa pelas lideranças internas. Doutor Eder está no Poder Judiciário, é um poder completamente diferente. Como eu te falei, o que passou é passado e lá ele ficou. Eu construí isso internamente.
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