
Com a colaboração de Julia Camim
Desde que assumiu o comando do PSDB no Estado, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, tem visto uma cena se repetir: a chegada de cartas com pedidos de desfiliações por parte de lideranças tucanas.
O movimento – que já pode ser chamado de debandada, revoada ou esvaziamento do partido – abarca deputados, prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos e, agora, conforme a coluna De Olho no Poder noticiou com exclusividade, um secretário de Estado: Enio Bergoli, que comanda a pasta de Agricultura, confirmou que está de saída da legenda.
Enio não faz parte da cota partidária do PSDB no governo – ele foi indicado ao comando da Seag pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) –, mas é o único representante do ninho tucano no 1º escalão da gestão Casagrande.
Ao participar da posse da nova mesa diretora do Tribunal de Justiça, na quinta-feira (11), Arnaldinho foi questionado sobre as recentes desfiliações do seu novo partido e disse ver com “naturalidade”:
“Esse movimento é da democracia. Ninguém fica num partido em que não deseja ficar. Vejo com naturalidade. Só fica dentro do projeto quem acha que cabe no projeto, mas de antemão abro aqui que todos são bem-vindos. Podem sair, retornar no futuro, não tenho veto a ninguém. Se tiver dentro da legalidade da legislação, eles têm portas abertas para sair e para entrar”.
A entrevista, coletiva, foi concedida antes do anúncio de Enio, mas já com a confirmação de que, com exceção de Arnaldinho, todos os prefeitos e os vices eleitos pelo partido deixariam a legenda.
E a situação não é diferente entre os vereadores. Na verdade, piorou após o comunicado de “alerta” enviado nesta semana pelo novo secretário-geral do PSDB, Sérgio de Freitas, aos parlamentares.
Conforme a coluna noticiou, o secretário disse que o partido iria requerer o mandato na Justiça dos vereadores que se desfiliarem.
“O secretário da nova comissão estadual do PSDB alerta aos vereadores do partido que, todos são bem-vindos, mas caso peçam a desfiliação ou que saiam do partido, o PSDB resguarda-se no direito de requerer judicialmente o mandato”, diz a nota assinada por Sérgio.
Muitos vereadores viram o comunicado como ameaça e tentativa de intimidação. O deputado estadual Mazinho dos Anjos – que também anunciou sua desfiliação do PSDB – rebateu o secretário e chamou de “lamentável” a postura do partido.
Arnaldinho disse não ter visto o comunicado como intimidação, mas admitiu que a nota errou no tom e proibiu qualquer outra manifestação do partido nesse sentido.
“Não vejo como intimidação, acho que poderia ser colocado de forma mais elaborada, mas foi mais uma forma de informar que a legislação não permite sair do partido quem está no mandato (de vereador)”, disse o prefeito, justificando que o tom poderia ter sido outro.
“Inclusive a gente pediu até para não fazer mais esse tipo de movimento”, enfatizou.
Perguntado se o partido teria feito também novas aquisições, o prefeito disse que “em breve” irá anunciar novas filiações – sem antecipar nomes.
“Não existe nada irreversível”
O que está por trás do imbróglio no PSDB, além da forma como foi feita a mudança de comando, é também a pré-candidatura de Arnaldinho ao governo do Estado.
Muitos líderes tucanos estão pedindo para sair por acreditarem que, lá na frente, o prefeito pode levar o partido para um caminho de oposição ao governo Casagrande – se não conseguir a benção do Palácio Anchieta para disputar no ano que vem.
Questionado se sua candidatura ao governo era irreversível, Arnaldinho amenizou: “Olha só, não existe nada irreversível na vida do ser humano, mas hoje eu sou pré-candidato”.
Ele disse que tem agenda marcada com Casagrande na semana que vem – será a primeira conversa presencial após as turbulências no ninho tucano.
O governador já deixou claro que a postura do prefeito gerou mal-estar no Palácio Anchieta. “Vou dialogar como sempre dialoguei. E ele (Casagrande) sabe que a gente tem ele como líder desse projeto”.
Casagrande deve divulgar nos próximos dias quem será o candidato do grupo à sucessão no governo do Estado – o favorito é o vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB).
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