
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), é pré-candidato ao Senado nas eleições deste ano. Tem arregimentado apoios, reunido lideranças e caminhado, ainda que timidamente, pelo Estado para dar visibilidade ao projeto.
Reeleito em 2024 com uma aprovação expressiva nas urnas, sua entrada no pleito eleitoral de 2026 é vista no mercado político como uma forma de agregar ao grupo do governo do Estado – de quem é aliado de primeira hora.
A leitura é que um candidato evangélico, conservador, de direita e ligado à área de segurança, formando uma dobradinha com Casagrande na disputa ao Senado, poderia enfraquecer outros candidatos do mesmo espectro ideológico e que ocuparão palanques opostos. Sem contar na aposta do grupo de ficar com as duas cadeiras.
Ao ser questionado se iria mesmo renunciar para disputar o Senado, Euclério respondeu:
“Tudo caminha para que sim. Você sabe que eu não vivo de mandato de prefeito, nem de mandato político. Sou bem resolvido na minha vida pessoal, sou sócio dos meus irmãos. Eu vivo muito bem. Faço isso porque eu amo”, disse Euclério, durante entrevista concedida à coluna De Olho no Poder, na série “Cidades e Desafios”. Ele ainda complementou:
“O que eu quero é que o Estado não perca o rumo. Se o Estado perder o rumo, a gente para as obras em todos os municípios. Se entra outro governador, você sabe que até acertar a casa demora pelo menos um ano. E se não for um governador que goste de gente, como o Renato gosta, como eu gosto, as coisas não vão andar”.
Mas, Euclério não será candidato a qualquer custo. E essa constatação não faz parte de uma análise da coluna, são palavras do próprio prefeito. Segundo ele, uma reunião no final de março é que definirá se ele renuncia para disputar o Senado ou se continua como prefeito de Cariacica.
“Eu vou jogar na posição ou fico na reserva, o que for preciso para o Estado não sair dos trilhos. Estou no grupo de Renato (…) Não vou fazer nada contra os interesses do grupo (…) Não sou candidato a qualquer custo”, afirmou o prefeito.
Dificuldade em apoiar outro nome
Dos aliados do governo do Estado, Euclério foi o primeiro a abraçar Ricardo Ferraço (MDB) e organizar eventos – as “prestações de contas” – para fortalecer o nome do vice-governador como sucessor de Casagrande.
No início do ano passado, quando seu nome ainda era cogitado para concorrer ao Palácio Anchieta, Euclério já declarava apoio a Ricardo e o defendia como único projeto – em vez de planos A e B – para 2026.
Questionado na entrevista se apoiaria um outro nome, caso os planos do governo mudem e Ricardo seja substituído, Euclério disse que teria “dificuldades”.
Citada a possibilidade do substituto de Ricardo ser o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), Euclério foi perguntado se o apoiaria. O prefeito foi direto: “Eu queria não te responder, porque Arnaldinho é importante para o grupo. Mas, o meu compromisso com Renato é Ricardo Ferraço”.

E o MDB?
Euclério disse que, por ora, continua filiado ao MDB, mesmo o partido tendo o pré-candidato ao governo e mais um nome para a disputa ao Senado: o da ex-senadora Rose de Freitas (MDB).
Sobre ter concorrência interna na disputa ao Senado, o prefeito afirmou que Rose tem o “direito legítimo” de querer ser candidata e que não deixará o partido por esse motivo.
Sobre levar aliados para o MDB, como o deputado federal Messias Donato (Republicanos), Euclério se mostrou receoso e disse que, independentemente da legenda em que esteja filiado, o deputado irá apoiar Ricardo Ferraço.
Presidente da República
Euclério também opinou sobre os nomes já colocados para a disputa pela Presidência da República. Ele descartou apoiar o presidente Lula (PT), disse que o senador Flávio Bolsonaro (PL) não é do seu partido e que o governador paulista Tarcísio (Republicanos) seria um “bom nome”.
“Eu vou trabalhar e votar no candidato a presidente que una o povo, que esqueça essa briga de esquerda e direita, o Brasil não precisa disso. Um candidato que abrace 100% da população e faça esse País deslanchar. E que acabe com essa guerra insana”.
Outros temas
Euclério também falou da intenção de construir mais uma escola cívico-militar, das entregas previstas para esse ano, da polêmica em torno da região do Hospital Pedro Fontes – e nesse ponto criticou o governo e mandatárias do PT –, de concursos previstos e disse ainda que sua saúde está como a de um “garotinho”, após passar por um transplante de rim.
Veja a entrevista completa aqui:
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