
Não que o pai tenha pendurado as chuteiras. Mas, ao que tudo indica, a bola da vez do principal grupo político da Serra para as eleições de outubro está nos pés dos filhos do ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal (PDT).
Herdeiros de uma das maiores lideranças políticas do Estado, o médico Serginho Vidigal e o advogado Dudu Vidigal ensaiam estrear na corrida eleitoral. Serginho mira a Câmara Federal, enquanto Dudu, a Assembleia.
Serginho já foi até “lançado” pelo prefeito da Serra, Weverson Meireles (PDT). Em entrevista para a série “Cidades e Desafios” da coluna De Olho no Poder, o prefeito afirmou que a prioridade do grupo era eleger o caçula do clã Vidigal à Câmara Federal.
“Serginho Vidigal é o nosso candidato a deputado federal, esse é o nosso projeto prioritário para 2026”, disse Weverson. O objetivo do grupo é ter um representante em Brasília para ser uma ponte de recursos para o maior município do Estado.
“Eu me sinto honrado por ter meu nome lembrado pelo prefeito. Isso relembra a parceria quando meu pai foi prefeito e minha mãe foi deputada federal. Meu nome está à disposição para ser uma possível representação na Câmara Federal para o nosso município”, afirmou Serginho.
Já Dudu não é apoiado pela gestão municipal e tem construído sua pré-candidatura de forma independente.
“Existe a vontade (de concorrer), só que ainda não tem nada definido. Se realmente eu for disputar será minha primeira eleição. Nunca fui testado nas urnas”, disse Dudu.
Fora do PDT

Os dois irmãos hoje estão filiados ao PDT, partido que abriga Sergio Vidigal desde 1988 – aliás, no Estado, Vidigal é a maior liderança da legenda, presidida por ele diversas vezes.
Entretanto, é grande a possibilidade de Serginho e Dudu tocarem suas candidaturas fora do PDT – para a tristeza do pai e o enfraquecimento do partido, que passa por um momento difícil.
Em 2022, mesmo com dois puxadores de votos – Sueli Vidigal (mãe de Serginho) e o jornalista Philipe Lemos –, o PDT capixaba não conseguiu eleger deputados federais.
Hoje, sem os dois nomes na disputa – Sueli não irá concorrer e Philipe se filiou ao Podemos no mês passado –, a dificuldade é ainda maior para formar uma chapa federal.
Serginho já tratou com três partidos, fora o PDT, para poder concorrer. Ele tem convites do PSB, União Brasil e Podemos e deve tomar a decisão até o mês que vem. Nos bastidores, a conversa estaria bastante aprofundada com o União.
“O PDT tem feito esforço, mas, de fato, hoje não tem uma chapa federal formada. Temos dialogado com outros partidos da base do governador a possibilidade de ter a representatividade para a Serra. Não é um caminho tão simples trocar de legenda, por causa de toda história que meu pai construiu no PDT, mas se o grupo entender que teria maior viabilidade para concorrer…”, avaliou Serginho.
Como é aliado do prefeito Weverson, Serginho deve optar também por um partido que firme aliança com a gestão na Serra e que não coloque empecilhos numa eventual disputa à reeleição de Weverson em 2028 – sim, os arranjos desse ano impactam na próxima eleição.

Dudu também cogita mudar de partido. “Se realmente eu for disputar, vou precisar ir para outro partido. A chapa está sendo montada ainda. Vai depender muito do cenário”, disse o primogênito, afirmando que também está difícil montar a chapa estadual pedetista.
Nos bastidores, também haveria divergência interna no PDT com relação a Dudu, de um episódio que remonta à pré-campanha de 2024.
À época, Dudu era presidente estadual do partido e deixou o comando por ser contrário à candidatura de Weverson à Prefeitura da Serra. Ele defendia a reeleição do pai.
O posicionamento de Dudu chegou a dividir a militância pedetista e, de lá para cá, ele estaria um pouco afastado da vida partidária. Porém, ele nega que esse seja o motivo de cogitar trocar de legenda.
“Não existe divergência. Simplesmente eu só converso política com o meu pai, que construiu tudo isso. O resto é produto dele. Estou conversando com alguns (partidos). Tenho até o final de março pra definir”, disse Dudu.
Em nome do pai
O ex-prefeito Sergio Vidigal voltou a clinicar. Médico psiquiatra, ele tem dividido o dia entre pacientes e receitas, mas isso não quer dizer que ele se aposentou da política.
Logo que passou o bastão da prefeitura para Weverson, Vidigal passou a ser cotado para um cargo majoritário nas eleições desse ano.
Primeiro, com a menção do governador Renato Casagrande (PSB), que o citou como um eventual sucessor ao Palácio Anchieta.
Depois, como um possível segundo nome ao Senado na chapa do governo, na tentativa de uma dobradinha com Casagrande.
Embora as articulações para a disputa majoritária tenham esfriado um pouco, até por conta das dificuldades que o PDT enfrenta, o nome de Vidigal nunca saiu do jogo.
Hoje, uma parte da militância pedetista defende que o ex-prefeito dispute como deputado estadual, para “salvar” a chapa e a legenda. A aposta é que ele seria um puxador de votos e elegeria mais candidatos à Assembleia.
Outro grupo defende que ele não dispute, mas que use seu capital político para eleger os filhos e aliados – como fez com Weverson, em 2024, que saiu de 1% nas intenções de voto para ser prefeito.
Procurado para se manifestar a respeito, Vidigal não retornou aos contatos da coluna. A única certeza no mercado político é que o ex-prefeito estará em campo, e não na arquibancada, durante o processo eleitoral.
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