
Ao menos 13 secretários estaduais da gestão do governador Renato Casagrande (PSB) são cotados para disputar as eleições deste ano. Eles devem concorrer a cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados e precisarão deixar o governo até o início de abril, seis meses antes do pleito.
Os 13 representam metade do 1º escalão de Casagrande – composto por 25 secretários e pelo procurador-geral do Estado. Mas a bancada do Palácio Anchieta ainda pode aumentar.
Alguns já definiram os partidos pelos quais pretendem disputar. Outros, estão em processos de troca e negociação. Todos, porém, devem ser acomodados em legendas da base aliada de Casagrande.
Desses, seis estão filiados ao partido do governador, o PSB, que deve contar com duas chapas – estadual e federal – bastante competitivas, para não dizer pesadíssimas, para o próximo pleito.
Boa parte dos secretários vai reforçar as chapas federais – que representam a principal dificuldade dos dirigentes partidários para as próximas eleições.
Com a virada do ano, a contagem regressiva para a saída dos secretários de suas respectivas pastas já começa a contar, assim como as definições do governo sobre as substituições.
“Começar a pensar”
Em entrevista para a coluna De Olho no Poder, Casagrande disse que ainda não definiu os nomes dos substitutos para as cadeiras que irão vagar no governo. Mas afirmou que o tema já entrou no radar do Palácio Anchieta. “Eu e Ricardo vamos começar a pensar agora, no início do ano”, disse o governador.
Embora a saída ocorra só em abril, o governo pretende amadurecer, previamente, os nomes dos futuros secretários, para não deixar a população desassistida na prestação dos serviços públicos – especialmente se Casagrande vier a renunciar ao governo para disputar o Senado.
Isso porque, com a renúncia, o vice Ricardo Ferraço (MDB) assume o comando do Estado, tendo seis meses para “mostrar serviço” à frente do Palácio Anchieta e dar continuidade ao mesmo ritmo de entregas de Casagrande.
Ter, logo no início de seu curto mandato como governador, uma mudança expressiva na equipe – como a que se avizinha – é um movimento de risco. Se as substituições não estiverem à altura, no mesmo nível dos atuais titulares, inclusive sobre o projeto de reeleição de Ricardo.
Casagrande não antecipou os nomes dos possíveis substitutos. O anúncio deve ocorrer para a reta final do prazo de desincompatibilização dos titulares das pastas.
Veja, abaixo, quem são os secretários cotados para disputar as eleições de outubro:
Tyago Hoffmann (PSB) – secretário da Saúde

Deputado estadual licenciado, Tyago deve se desincompatibilizar da Secretaria da Saúde (Sesa) no início de abril e voltar à Assembleia. Ele vai disputar uma vaga de deputado federal pelo PSB.
Emanuela Pedroso (PSB) – secretária de Governo

A ex-prefeita de Alto Rio Novo trocou o Podemos pelo partido do governador (PSB) e também é uma das apostas para a chapa federal: ela vai tentar conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
José Carlos Nunes (PT) – secretário de Esportes

Nunes, como é mais conhecido, deve compor a chapa estadual do PT e tentar voltar à Assembleia. Ele foi deputado estadual no mandato de 2015 a 2018.
Enio Bergoli – secretário de Agricultura

Estreante em eleições, Enio quer disputar a Câmara Federal e para isso, busca um partido que lhe dê chances reais de eleição. Ele estava filiado ao PSDB, mas anunciou a desfiliação após o partido mudar de comando no Estado.
Felipe Rigoni (União) – secretário de Meio Ambiente

Ex-deputado federal, Rigoni já decidiu que irá disputar novamente uma vaga à Câmara dos Deputados. Porém, embora esteja no União Brasil, não bateu o martelo se continua no partido. Vai depender da chapa que será montada.
Vitor de Ângelo (PSB) – secretário de Educação

Também novato na corrida eleitoral, Vitor se filiou recentemente ao PSB e vai concorrer, pela primeira vez, a uma vaga de deputado federal.
Victor Coelho (PSB) – secretário de Turismo

Ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Coelho também vai se desincompatibilizar do governo para disputar uma vaga de deputado estadual pelo PSB.
Jacqueline Moraes (PSB) – secretária das Mulheres

Ex-vice-governadora, Jacqueline também vai disputar as eleições deste ano. Ela pretende disputar vaga de deputada estadual, mas ainda está alinhando com o partido.
Bruno Lamas (PSB) – secretário de Ciência e Tecnologia

Ex-deputado estadual por dois mandatos (2015 a 2022), Bruno quer voltar à Assembleia e vai compor a chapa estadual de pré-candidatos do PSB.
Cyntia Grillo (Podemos) – secretária de Trabalho e Assistência

A secretária Cyntia também vai estrear nas urnas em outubro. Ela se filiou ao Podemos recentemente e deve disputar uma vaga de deputada estadual.
Guerino Balestrassi (MDB) – secretário de Recuperação do Rio Doce

Ex-prefeito de Colatina, Guerino vai disputar uma vaga de deputado estadual. Embora esteja no MDB, pode migrar para outro partido. O secretário tem convite do Podemos.
Rafael Pacheco – secretário da Justiça

O delegado federal também nunca disputou uma eleição, mas, nos bastidores, já teria colocado seu nome à disposição. Tem convite para se filiar ao PSB e disputar vaga de deputado federal.
Fabrício Noronha – secretário da Cultura

O secretário é cotado também para disputar as eleições de outubro, mas o cargo ainda não foi definido. Noronha não é filiado a nenhum partido, mas algumas legendas já o sondam.
Em tempo: Também há uma leva de subsecretários estaduais e chefes de autarquias que pretendem disputar as eleições de outubro. Esse grupo será detalhado numa próxima coluna.