
Desde que o União Brasil mudou de mãos no Estado, a permanência do secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, na legenda é uma incógnita.
Rigoni foi presidente do União Brasil capixaba até setembro deste ano – após três anos e meio de gestão e pelo menos um ano de disputa acirrada pelo comando da sigla.
Ele e o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), travaram uma batalha silenciosa nos bastidores, envolvendo a cúpula nacional do partido e até o governador Renato Casagrande (PSB), com tratativas mirando 2026.
Ex-deputado federal, Rigoni não conseguiu se reeleger em 2022 e nem levar o partido a conquistar uma cadeira na Câmara Federal pelo Estado.
O baixo desempenho da sigla nas urnas somado à aproximação que o presidente da Ales construiu junto à direção nacional do União pesaram de forma desfavorável para Rigoni, que acabou perdendo o partido para Marcelo.
A passagem de bastão foi até pacífica e Rigoni concordou em ocupar o posto de 2º vice-presidente. Quando perguntado, o secretário diz que não ficaram rusgas, que a relação com Marcelo é boa e que trabalham juntos pelo bem do partido.
No entanto, Rigoni não garante permanecer na legenda.
Chapa viável
Para o ano que vem, Rigoni quer voltar à Câmara Federal e, para isso, precisa estar numa chapa que lhe dê viabilidade para disputar e vencer.
Em 2022, ele até teve uma boa votação – 63.362 votos – mas o partido não alcançou o mínimo de votos necessários (quociente eleitoral) para eleger um deputado. A chapa federal montada no União acabou ficando fraca.
Agora, ao que tudo indica, a dificuldade é outra. Com a federação entre União e o PP – que cria o “União Progressista” –, a tendência é que a chapa federal fique muito forte e exija dos candidatos uma votação acima da média.
O PP já chega com dois nomes de peso – os deputados Evair de Melo e Josias da Vitória, este presidente estadual da sigla e futuro comandante da federação –, além de outras lideranças que pretendem entrar na disputa.
O União, embora não conte hoje com mandatários, abriga Marcelo e Rigoni, ambos dispostos a buscar uma vaga em Brasília. Só com esses nomes colocados à mesa, a chapa já desponta como das mais robustas – e, para muitos, até pesada demais.
E, por mais ambiciosos que sejam os planos das cúpulas partidárias, é difícil visualizar, no cenário atual, um único partido – ou mesmo uma federação – conquistando quase metade das vagas da bancada capixaba. Isso equivaleria, na prática, a neutralizar o desempenho de PT, PL, PSB, Republicanos e Podemos, que hoje somam oito cadeiras.
É justamente esse cálculo que tem guiado Rigoni: a percepção de que, no União Progressista, talvez não haja espaço suficiente para todos os pretendentes.
Questionado se pretende permanecer na sigla, o secretário afirmou que, a princípio, sim – mas deixou claro que sua decisão final dependerá diretamente do desenho da chapa.
“Minha pretensão é ficar se tiver uma chapa razoável que eu possa competir. Se não tiver essa chapa, vou para outro partido. Se tiver viabilidade de disputar, fico. Eu só não vou ser escada”, afirmou Rigoni à coluna De Olho no Poder.
“Não ser escada” é uma forma figurada de dizer que não quer ser usado apenas para formar chapa e acabar elegendo outros. Rigoni quer disputar num cenário que tenha chances reais para ser eleito e não repetir o que ocorreu há três anos.
Legendas no radar e nada de descer
Rigoni disse que tem recebido convites de outras legendas que estão na base aliada do governo.
“Recebi convite do Podemos, do PSB – por parte do João Campos e da Tabata – e tem uma possibilidade no MDB também. Mas, estou avaliando. Não tenho nenhuma decisão tomada, estou esperando a formação das chapas”, afirmou.
Cada alternativa, porém, traz seus próprios desafios. No Podemos, já existem dois mandatários – Gilson Daniel, que preside a sigla, e Victor Linhalis – o que tende a tornar a disputa interna mais difícil.
No MDB, a chapa ainda é uma incógnita: em 2022, o partido sequer lançou nomes para a Câmara Federal.
Já no PSB, Rigoni precisaria acertar afinações regionais, e o desenho preliminar da chapa socialista aponta para uma composição igualmente pesada.
Em meio a esse xadrez, há ao menos um ponto pacificado: Rigoni não pretende “descer” na eleição – isto é, não cogita disputar vaga de deputado estadual. “Não há nenhuma possibilidade de disputar a Assembleia”, enfatizou.
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