Fortalecido, PMDB do Rio ameaça Temer na presidência do partido

Política

Fortalecido, PMDB do Rio ameaça Temer na presidência do partido

Redação Folha Vitória

Brasília - No comando do Estado e da prefeitura do Rio de Janeiro e agora fortalecido com o deputado Eduardo Cunha na presidência da Câmara, o PMDB fluminense quer mais influência sobre a direção nacional do partido e, numa articulação com o Senado, ameaça a permanência do vice-presidente Michel Temer à frente da legenda.

O poder de fogo do Rio - que é o maior diretório dentro do PMDB - foi colocado em prática na última quarta-feira, 11, quando Leonardo Picciani (RJ) se elegeu líder da bancada por um voto de diferença e desbancou Lúcio Vieira Lima (BA), que contava com o apoio velado de Temer. O novo líder é filho de Jorge Picciani, presidente regional do PMDB e da Assembleia Legislativa, e teve a seu favor a máquina do Estado e a da prefeitura.

"O PMDB do Rio defende o fortalecimento do PMDB nacional, para que possamos em 2018 termos candidato a presidente da República", afirmou Jorge Picciani. "Queremos que o PMDB nacional troque a busca de cargos pela defesa de políticas públicas neste momento difícil do País."

O mandato de Temer na presidência do PMDB termina em março de 2016. Enfraquecido por ser avalista de um governo em grave crise política e econômica, Temer entrou na mira de tiro não só do Rio, mas também da cúpula peemedebista no Senado. Ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Jorge Picciani disse que o vice-presidente "perde consistência e prestígio" quando se preocupa em nomear para o ministério "companheiros sem voto", como Wagner Rossi (ex-ministro da Agricultura) e Wellington Moreira Franco (ex-titular da Aviação Civil).

"Não vejo ninguém melhor para presidir o PMDB, mas espero que o Michel corrija os seus equívocos. Ele está cercado de parasitas e tem que se livrar deles", disparou Picciani. "Se ele não fizer isso, vai ser natural a disputa e vamos buscar um candidato melhor (em 2016)."

Procurado, Eduardo Cunha negou que exista um movimento no diretório fluminense pela saída de Temer. "Eu defendo a aliança com o Michel, não vejo espaço para alguém contestá-lo em 2016 e não aceito isso", alegou. "O Rio de Janeiro não terá a presidência do PMDB."

Dobradinha

Os peemedebistas do Senado também desencadearam uma articulação para minar Temer e mobilizaram deputados de seus Estados em favor de Picciani. Nos bastidores, eles alegam que a presidência do PMDB é incompatível com a vice-presidência da República e colocam na conta de Temer as insatisfações geradas pela reforma ministerial. Os senadores ficaram com três pastas, mas duas são consideradas escolhas pessoais da presidente Dilma Rousseff: a senadora do Tocantins Kátia Abreu (Agricultura) e o senador pelo Amazonas Eduardo Braga (Minas e Energia).

O terceiro nome, Vinicius Lages, embora seja indicação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ocupa o cargo de ministro do Turismo provisoriamente. O governo espera a lista de políticos envolvidos na Operação Lava Jato para dar o cargo ao ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), aliado de primeira hora de Cunha. Temer, por sua vez, é autor das indicações de Eliseu Padilha (Aviação Civil) e de Edinho Araújo (Portos).

"Existe um entendimento que o Michel não tem mais condições de permanecer (na presidência do partido)", disse um senador do PMDB. "Quem fez a eleição final do Picciani foi o Senado porque ele queria o Lúcio. O Michel foi o Pepe Vargas da eleição", concluiu, referindo-se ao ministro da Secretaria de Relações Institucionais, vetado entre os peemedebistas por ter atuado contra Cunha na eleição para a presidência da Câmara.