Gilson Daniel não recupera apoio e Amunes terá eleição com chapa única

Política

Gilson Daniel não recupera apoio e Amunes terá eleição com chapa única

Com isso, Guerino Zanon (PMDB), prefeito de Linhares e adversário de Gilson, será anunciado como o próximo presidente na terça-feira (28), data da eleição

Gilson retirou sua candidatura a presidência da Amunes Foto: Reprodução

Depois de semanas de disputas intensas nos bastidores políticos, a eleição para presidência da Amunes, que pela primeira vez teria dois candidatos como concorrentes, será novamente realizada com chapa única.

Após a saída de vários prefeitos que compunham a sua chapa, o chefe do executivo de Viana, Gilson Daniel (PV), não conseguiu recompor a chapa para dar seguimento à sua candidatura a presidência da Associação na tarde desta sexta-feira (24). Com isso, Guerino Zanon (PMDB), prefeito de Linhares e adversário de Gilson, será anunciado como o próximo presidente na terça-feira (28), data da eleição.

A saída de Gilson, que contava com o apoio da senadora Rose de Freitas (PMDB), foi anunciada através de uma carta, em que ele revela que a eleição “se transformou em uma guerra de bastidores políticos, com ameaças e constrangimentos desnecessários, em uma verdadeira afronta à democracia e honra política de cada um daqueles que se somaram a essa caminhada”.

A “digitalzona”

A queda de Gilson Daniel, que desde o fim do ano passado se colocava como pré-candidato ao cargo, começou a se desenhar quando o governador Paulo Hartung declarou apoio a Guerino, garantindo que a eleição na Amunes contava com a sua “digitalzona”.

Desde então, vários prefeitos que faziam parte da chapa do verde anunciaram suas saídas. Na carta, Gilson diz que não conseguia “imaginar que agentes políticos do poder do nosso Estado passassem a nos confrontar, numa verdadeira odisseia de constrangimentos e ameaças aos prefeitos e suas administrações, pelo simples fato de ousarem democraticamente a participar dessa iniciativa”.

Zanon

O prefeito de Linhares preferiu não entrar na polêmica e decidiu não comentar sobre o teor da carta divulgada pelo seu adversário. No entanto, admitiu ter sido pego de surpresa com a não continuidade da candidatura de Gilson.

“Eu sinceramente não estava esperando . Na realidade, eu contava que a gente continuasse conversando. Existiu e continua existindo o diálogo entre todos”, revelou Guerino, que deixou no ar a possibilidade de Gilson, se topar, ser incluído na sua chapa:

“Eu tenho que conversar com todos os membros da chapa, da minha parte sempre vai ter espaço para todos os prefeitos”, finalizou.

Confira a carta na íntegra: 

Democracia, honra e companheirismo

Inicialmente, gostaria de agradecer a cada um que, durante meses de diálogos e reflexões, se dispôs, com novas ideias, construir uma proposta para organizar uma nova agenda para a Associação dos Municípios do Espírito Santo (AMUNES), órgão representativo dos nossos municípios.

Aqueles que, sobretudo, se propuseram a enfrentar nossos desafios estruturais e municipalistas, fortalecendo uma instituição bastante enfraquecida diante dos governos estadual e federal. Construir, sobretudo, uma AMUNES que fosse fonte permanente de debates e propostas no enfrentamento dos nossos problemas nas áreas mais sensíveis, como saúde, educação, mobilidade urbana, segurança e várias outras políticas sociais. Propor e trabalhar em conjunto, com união e harmonia, construindo parcerias para encontrar, regionalmente, saídas para melhor estruturar a qualidade de vida da nossa população.

Fizemos esse trabalho ouvindo todos os prefeitos e outras tantas lideranças afinadas com estas novas ideias sem, contudo, incluir agendas políticas futuras que pudessem comprometer a legitimidade da nossa luta pela AMUNES. Sem influências, sem trampolins políticos, mas com liberdade e respeito a esse processo que deveria ser essencialmente democrático.

Formamos uma chapa com vários companheiros e a registramos conforme determinação legal. Nos dispusemos a defender nossas propostas, sem, contudo, imaginar que agentes políticos do poder do nosso Estado passassem a nos confrontar, numa verdadeira odisseia de constrangimentos e ameaças aos prefeitos e suas administrações, pelo simples fato de ousarem democraticamente a participar dessa iniciativa. O que todos nós queríamos, nessa construção, era participar de um órgão verdadeiramente representativo de nossas lutas municipalistas.

Registro que, em 2015, estimulado por muitos, já nos dispúnhamos a esse trabalho de fortalecimento da AMUNES. No entanto, por solicitação do governador Paulo Hartung, aceitamos, de boa fé, apoiar a recondução do atual presidente, esperando uma próxima oportunidade para lutar por nossas ideias, o que teve, naquele momento, a aquiescência de todos.

No entanto, aquilo que deveria ser um processo democrático, se transformou em uma guerra de bastidores políticos, com ameaças e constrangimentos desnecessários, em uma verdadeira afronta à democracia e honra política de cada um daqueles que se somaram a essa caminhada. 

Vários prefeitos se viram obrigados a retirar seu nome da nossa chapa, com ameaça velada, de não sobreviverem isolados e apartados da administração estadual, pois ficariam sem qualquer apoio, verbas e convênios de qualquer natureza. E passaram a conversar sobre promessas de obras arduamente batalhadas pelos nossos prefeitos.

Muitos permaneceram e resistiram. Mas, a cada momento de desistência, éramos obrigados a substituir os nomes em nossa chapa e manter de pé, com dignidade, a iniciativa do nosso movimento. Mas, agora, nesse momento, tive entendimento que não poderia ser eu, aquele que lutava com seus companheiros democraticamente, a provocar essa batalha extenuada de poder, tão desnecessária a meu ver, que iria levar a muitos prefeitos o sofrimento e um mar de dificuldades.

Por isso, solicitei a todos que resistiram bravamente a toda sorte de imposição e ameaças, que retirassem seus nomes da chapa democraticamente constituída e deixassem de vez o processo da disputa eleitoral da AMUNES.

Não abdicamos da luta, mas nos retiramos do cenário de autoritarismo, manobras e ameaças estarrecedoras que, caso viessem a se cumprir, poderia causar enormes prejuízos ao convívio democrático de todos e maiores dificuldades ainda pelas quais passam todos os prefeitos em vários municípios.

O que me preocupa é a legitimidade da AMUNES em defender, realmente, os interesses dos municípios. Talvez, em outro momento, onde a democracia, a honra política e a luta dos municípios possam ser respeitadas, possamos construir e sonhar com a implantação de nossas ideias, com a liberdade de quem, eleito pelo povo de suas cidades, ousamos construir. Caros prefeitos, continuaremos parceiros, unidos e trabalhando em prol dos nossos municípios. Muito obrigado pela força, estímulo e confiança.