'Me iludi', diz Ernesto Araújo sobre defesa do governo Lula feita em 2008

Política

'Me iludi', diz Ernesto Araújo sobre defesa do governo Lula feita em 2008

As declarações foram dadas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional na Câmara dos Deputados

Redação Folha Vitória
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

"Me iludi", afirmou o chanceler Ernesto Araújo sobre a defesa pública que fez de governos petistas durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado na Lava Jato. As declarações foram dadas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional na Câmara dos Deputados.

"Realmente, durante algum tempo eu acreditei que nos governo do PT, sobretudo o governo Lula, Brasil tinha encontrado um conjunto de políticas adequado. Mas nesse momento - eu pelo menos não sabia - dos escândalos de corrupção, o quanto isso era insustentável. Erro de avaliação meu, que não sou economista, mas não percebia o quanto a projeção econômica brasileira estava baseada no chamado boom das commodities", afirmou ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que o questionou sobre as suas declarações.

Em 2018, Ernesto Araújo publicou uma tese de 352 páginas na qual defendeu a estratégia de relações exteriores que o PT implementou no governo Lula. O documento de 2008, chamado "Mercosul: Negociações Extrarregionais", foi apresentado por Araújo ao Centro de Altos Estudos (CAE) do Itamaraty.

As ideias defendidas pelo então presidente Lula e pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, foram caracterizadas pela abertura de novas frentes de relação política e de negócios com países em desenvolvimento, ou do eixo sul-sul, como eram chamados os países africanos e sul-americanos, além das potências médias como a Índia, ou de antagonistas dos EUA, como Rússia e China.

Durante a audiência, ele disse que errou na avaliação. "Não percebia. Falha minha. Acreditava na propaganda do governo", afirmou o chanceler, completando: "Me iludi. Achava realmente que certas realizações eram sustentáveis".

O chanceler afirmou que a "exportação" de corrupção do País nas últimas décadas a países da América Latina foi um fator de preocupação dos vizinhos. A vinda do chanceler à comissão lotou o plenário 2. Entre os presentes, embaixadores da Espanha, Luxemburgo e Uruguai, e o assessor especial da Presidência Felipe Martins, que permaneceu sentado atrás da cadeira do presidente da comissão, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ao celular. Sua atenção só era desviada em alguns momentos para sorrir em tom de ironia a perguntas da oposição.