Novo diretor da Abin será dos quadros da agência, diz ministro do GSI

Política

Novo diretor da Abin será dos quadros da agência, diz ministro do GSI

Redação Folha Vitória

Brasília - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, anunciou nesta terça-feira, 17, que vai buscar, nos quadros da própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin), um substituto para Wilson Roberto Trezza, que já comunicou o desejo de deixar o cargo de diretor-geral. O novo nome será apresentado ao presidente em exercício, Michel Temer.

Etchegoyen disse à reportagem que Trezza participará do processo de escolha de busca de nomes dos quadros da agência para o seu lugar. Mas essa discussão ainda não começou. No corredores da Abin, no entanto, um nome já começou a circular como cotado: é Luiz Alberto Sallaberry, atual diretor de contraterrorismo da agência.

Como meta para a agência, o ministro Etchegoyen informou que "quer consolidar a posição da Abin como órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência, o Sisbin" e citou a importância do órgão, na organização das olimpíadas. "A Abin terá papel fundamental", comentou ele, ao lembrar que "a legislação prevê três eixos de atuação (nas olimpíadas): defesa, segurança pública e inteligência. E a Abin será o principal órgão da inteligência exatamente por ser a protagonista do eixo de inteligência".

O ministro citou ainda que Abin "está trabalhando em cooperação com outras agência internacionais, em mais de 80 países, além dos outros órgãos de inteligência federal e dos Estados", na preparação dos jogos.

Ao assumir o Planalto, Temer decidiu recriar o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), extinto pela presidente afastada Dilma Rousseff, quando assumiu seu segundo mandato. Com isso, decidiu levar de volta a Abin para o GSI e retirá-lo da Secretaria de Governo, onde ficou por pouco mais de um ano. A decisão desagradou os oficiais de inteligência, que reclamam da agência ficar subordinada a um militar.

Trezza, embora tenha conversado com Temer antes de ele assumir a presidência interinamente, não foi consultado sobre a mudança. Para Trezza, o importante é que a Abin seja ligada diretamente ao presidente da República, já que é a ele que a agência assessora. Só que esta hipótese foi descartada por Temer.

O novo ministro defendeu a tese de que a agência fique no GSI. Segundo Etchegoyen, "o presidente criou um gabinete de segurança institucional e o lugar mais adequado para a Abin estar é naquele que tem esta missão de assessoramento do presidente na segurança institucional".

Há uns 15 dias, Trezza esteve com Temer, no Palácio do Jaburu, em segredo, quando defendeu a subordinação da Agência diretamente ao gabinete presidencial, sem intermediários. Temer, que discordou da proposta, resolveu devolver a Abin ao GSI.

Nesta terça-feira, ele aguardava uma oportunidade de ter uma nova conversa com o agora presidente em exercício, mesmo já tendo apresentado sua carta de demissão a Etchegoyen e comunicado sua saída aos seus subordinados, na semana passada. A saída dele não será rápida porque a sua substituição depende de aprovação pelo Congresso.

Mas, tão logo um funcionário da Abin seja escolhido para o seu lugar e o nome aprovado por Temer, ele será encaminhado para aprovação dos parlamentares. Se houver demora, ele poderá permanecer no cargo até as olimpíadas, mas o governo pretende apressar a nomeação.