Gazeta do Povo ganha Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa após enfrentar processos

Política

Gazeta do Povo ganha Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa após enfrentar processos

Redação Folha Vitória

São Paulo - Alvo de processos movidos por magistrados após uma série de reportagens sobre a remuneração do Judiciário e de membros do Ministério Público paranaenses, a Gazeta do Povo receberá o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa de 2016. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também premia cinco funcionários do veículo paranaense: os jornalistas Chico Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogerio Waldrigues Galindo, o analista de sistemas Evandro Balmant e o infografista Guilherme Storck.

Eles respondem a 40 processos movidos por juízes, segundo a ANJ, desde a publicação de matérias que relatam detalhes da remuneração de membros do Judiciário e do MP estadual. Em alguns casos, os salários superam os R$ 500 mil, mais de 16 vezes o limite constitucional de R$ 30.471,10 por mês.

A ANJ afirma que o veículo e a equipe de funcionários "vêm sendo objeto de assédio judicial", e por isso o prêmio representa o apoio da entidade "ao jornalismo de qualidade e à coragem da Gazeta do Povo ao abordar os privilégios injustificáveis autoconcedidos pelos magistrados e membros do ministério público paranaense". A escolha dos premiados aconteceu nesta terça-feira (14).

De acordo com a ANJ, os profissionais da Gazeta do Povo tiveram de comparecer a 17 audiências em dez cidades entre abril e maio deste ano. Entre junho e julho, eles devem participar de outras 17 audiências em dez cidades. Em função disso, deverão ficar 36 dias fora de Curitiba em um período de quatro meses.

A primeira sentença, proferida em 25 de maio pelo juiz Nei Roberto de Barros Guimarães, determinou que a Gazeta do Povo deve pagar R$ 20 mil ao juiz Austregesilo Trevisan.

A série de reportagens sobre os supersalários, destaca a ANJ, mostra que a remuneração dos juízes e membros do MP é proveniente de fontes legais e destaca também que cerca de um terço do ganho total era composto por "penduricalhos". Na elaboração do material jornalístico, o veículo ouviu representantes das categorias mencionadas e abriu espaço para suas devidas manifestações.

O presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), Frederico Mendes Junior, contudo, teria incitado os colegas a "judicializar" o caso utilizando um modelo comum de ação. Diante da distribuição de processos em diferentes cidades, o advogado Alexandre Kruel Jobim protocolou, em nome da Gazeta do Povo, pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o caso seja julgado em Brasília.