Com recusa de Josué, posto de vice de Alckmin pode ser do DEM

Política

Com recusa de Josué, posto de vice de Alckmin pode ser do DEM

Redação Folha Vitória

Depois de o empresário Josué Gomes (PR) ter recusado o convite para ser candidato a vice na chapa presidencial do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), os partidos do Centrão saíram em busca de um plano B. Até agora, o DEM - que comanda a Câmara - obtém a preferência de Alckmin, mas, oficialmente, o tucano diz que a escolha deve ser feita pelo bloco.

Embora integrantes do grupo formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade ainda tentem convencer Josué a aceitar a vaga de vice, a chance de o recuo ocorrer é considerada remota. Em conversas reservadas, dirigentes do Centrão já admitem que a indicação pode recair sobre o deputado e ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE).

Amigo de Alckmin, Mendonça Filho é visto como curinga pelo bloco. O ex-governador de São Paulo sempre quis fazer dobradinha com ele, que agrega pontos por ser do Nordeste, região onde o tucano enfrenta resistências, mas o DEM, à época, vetava a parceria. Além de Mendonça Filho, outro nome cotado para vice é o do ex-ministro Aldo Rebelo, que ficou 40 anos no PCdoB e hoje está no Solidariedade.

Antes de o Centrão indicar Josué - dono da Coteminas e filho do ex-vice-presidente José Alencar, morto em 2011 -, Alckmin chegou a convidar Aldo para o posto. O ex-ministro ainda não retirou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

"Vice é construção coletiva. Gostei quando me indicaram o Josué. Se for ele o nome, ótimo. Se não for, vamos buscar outro", amenizou Alckmin. "Josué está na nossa campanha. Se vai ser vice ou não, vamos ver."

Com ou sem a chapa pronta, porém, o Centrão vai anunciar na quinta-feira, 26, o apoio oficial a Alckmin. Nesta quarta, seus dirigentes vão se reunir, em Brasília, para acertar a divisão de tarefas e a coordenação da campanha, além da vice. Com a adesão, o tucano terá, no mínimo, mais 4 minutos no horário eleitoral.

Questionado se o PRB poderia sugerir o empresário Flávio Rocha para vice, o presidente do partido, Marcos Pereira, respondeu que "ainda" não trabalhava com a hipótese. "Ainda confiamos que poderá ser Josué", disse Pereira, que é ex-ministro.

Em nota divulgada nesta terça-feira, 24, a Executiva do PR disse que não havia, até o momento, qualquer decisão por parte do empresário. A reportagem apurou, no entanto, que o movimento é parte da estratégia para tentar reverter o "não" de Josué. Políticos do PR diziam nesta quarta que "não se pode trocar a noiva antes de consumada a desistência do compromisso".

Nas duas conversas que manteve com Alckmin, porém, o empresário alegou questões pessoais - como a sucessão na própria empresa e a oposição da família - para recusar o convite.

Josué se filiou ao PR de Valdemar Costa Neto em 6 de abril, em um arranjo político para ser vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato. Antes, o empresário estava no MDB.

PT

Candidato a novo mandato, o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), se reúne nesta quarta-feira com Josué para oferecer a vice em sua chapa. Outra proposta prevê a candidatura ao Senado, ao lado da presidente cassada Dilma Rousseff. Ao que tudo indica, o empresário não aceitará nenhuma das ofertas.

Há duas semanas, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner conversou com Costa Neto sobre a possibilidade de Josué ser o candidato à Presidência, apoiado pelo PT, caso Lula seja barrado pela Lei da Ficha Limpa. O chefe do PR disse a interlocutores não acreditar no cumprimento dessa proposta.

O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), ironizou nesta quarta o vaivém do bloco, que na última hora isolou Ciro Gomes (PDT) para apoiar Alckmin. "O Centrão não tem dono. É uma manifestação política. Ali só tem gente esperta."

Pré-candidato do Podemos, Alvaro Dias negou, por sua vez, que vá renunciar para apoiar o tucano. "O que estamos verificando é a reedição ampliada desse presidencialismo de coalizão, que fracassou. Eu não vou avalizar essa tragédia", afirmou o senador. Ele, no entanto, também buscou, sem sucesso, o respaldo do bloco. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.