Lindbergh diz que PT vai ao STF para adiar votação de pronúncia de Dilma

Política

Lindbergh diz que PT vai ao STF para adiar votação de pronúncia de Dilma

Redação Folha Vitória

Brasília - O líder da oposição no Senado, o petista Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o PT vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que adie a votação desta terça-feira, 9, da sentença da pronúncia da presidente afastada, Dilma Rousseff, após a divulgação pela revista Veja de que o empresário Marcelo Bahia Odebrecht declarou, em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, ter repassado R$ 10 milhões em dinheiro vivo ao PMDB, a pedido do presidente em exercício, Michel Temer.

O argumento do petista é que, se Temer for efetivado na presidência, ele não poderá ser investigado pela Lava Jato. Como argumento, ele citou o artigo 84, parágrafo 4º da Constituição para dizer que o presidente, na vigência do seu mandato, não poderá ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício das suas funções.

"Se a presidente Dilma for afastada, o presidente Temer estará blindado", disse Lindbergh. Ele considerou o fato "gravíssimo" e considera que isso muda o processo de impeachment. Amanhã, está marcada a sessão de pronúncia em plenário, na qual os senadores vão decidir, por maioria simples, se o processo está pronto para ir a julgamento.

O líder oposicionista afirmou que o partido cogita pedir a suspensão de Temer do exercício da Presidência diante dos novos fatos. Os advogados da legenda estão reunidos para preparar a ação que vão mover ao STF. Nesta tarde, a bancada de deputados do PT também vai se reunir para discutir a estratégia de atuação do caso.

Lindbergh defendeu ainda o afastamento imediato dos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e das Relações Exteriores, José Serra (PSDB), em razão de acusações referentes à Operação Lava Jato. Padilha, segundo a revista Veja, teria recebido R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões exigidos por Temer a Odebrecht. Ele também participou do encontro em que Temer teria pedido a Marcelo Odebrecht "apoio financeiro" para o PMDB.

Serra, por sua vez, foi citado em reportagem da Folha de S. Paulo de ontem, segundo a qual executivos da Odebrecht disseram a procuradores que atuam na Lava Jato em Curitiba que o atual chanceler recebeu em 2010 R$ 23 milhões, por meio de caixa dois, para sua campanha à presidência da República. Uma parcela dos recursos foi paga no Brasil e outra parte foi depositada em contas bancárias no exterior. Temer, Padilha e Serra negaram quaisquer irregularidades em campanhas.