Líder do DEM diz que espera apreciação do pedido de impeachment até dia 15

Política

Líder do DEM diz que espera apreciação do pedido de impeachment até dia 15

Redação Folha Vitória

São Paulo - O líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), afirmou nesta segunda-feira, 26, que a oposição não vai facilitar a vida do governo da presidente Dilma Rousseff em relação à abertura de processo de impeachment nem "blindar" o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por aceitar ou não o pedido de afastamento da presidente e alvo da Operação Lava Jato. "Acreditamos que até o dia 15 de novembro teremos a conclusão dessa apreciação do pedido de impeachment", disse o deputado, em entrevista à reportagem.

Mendonça Filho defende os argumentos políticos e jurídicos reunidos em novo pedido de impeachment capitaneado pela oposição, assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reali Júnior e pela advogada Janaína Paschoal. "O pedido envolve provas concretas, da rejeição das contas de Dilma de 2014 (pelo Tribunal de Contas da União), que ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Além disso, houve outras irregularidades neste ano, como a suplementação orçamentária", afirmou. Só os montantes envolvidos na reprovação das contas pelo TCU envolve R$ 106 bilhões em irregularidades, dos quais R$ 40 bilhões se referem às pedaladas fiscais, segundo o líder do DEM.

Indagado sobre a autoridade que o presidente da Câmara teria para tocar este processo, caso acate o pedido de impeachment, em razão das denúncias que pesam contra ele, Mendonça Filho disse que sempre haverá essa discussão política, tanto com relação a Cunha quanto com relação a Dilma. "A Dilma teve as contas rejeitadas, mas os atos dela (como presidente da República) tem validade jurídica, Cunha é presidente da Câmara e seus atos têm respaldo constitucional", comparou.

Sobre o relacionamento com Cunha, o líder do DEM garantiu que "não haverá blindagem por parte da oposição" com relação às denúncias que pesam contra o peemedebista. E com relação ao pedido de impeachment de Dilma, disse que "nunca na história deste País, houve um ambiente tão fértil para o afastamento da petista". E frisou: "Na ótica da oposição, a verdade tem que prevalecer, doa a quem doer".

O deputado disse ainda que a crise política precisa ser debelada urgentemente, porque tem acirrado ainda mais a crise econômica que o País atravessa, com "reflexos dramáticos" nos índices inflacionários, no aprofundamento da recessão e no aumento do desemprego. "Precisamos resolver a política pra arrumar a economia."

Para Mendonça Filho, a atual crise não foi gerada pela oposição, mas pela "incapacidade da gestão petista em apresentar uma agenda positiva para o País". E garantiu que a oposição votará contra qualquer tentativa de aumento de impostos e da carga tributária, numa referência à tentativa do governo recriar a CPMF. "Não há mais espaço para a sociedade pagar a conta de uma crise que não foi gerada pela oposição, mas sim pelo governo", emendou.