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'O mais eficaz é pegar corrupto pelo bolso', diz novo chefe da PF em SP

Política

'O mais eficaz é pegar corrupto pelo bolso', diz novo chefe da PF em SP

- O delegado de Polícia Federal Disney Rosseti, novo superintendente regional da PF em São Paulo, avalia que a arma mais eficaz contra fraudadores de recursos públicos é o confisco de seus bens. "É pegar o corrupto no bolso", diz Rosseti. "É minar essas organizações criminosas na sua capacidade de corromper, na sua mobilidade, na sua capacidade de realimentar o crime."

Rosseti acaba de trocar a famosa Piazza Navona, em Roma - onde trabalhou os últimos dois anos como adido policial federal na Itália - pelo bairro da Lapa, na zona Oeste de São Paulo, endereço da sede regional da PF.

Preocupa-o nessa quadra de sua carreira o flagelo da corrupção. "A questão moral", ele diz. "A corrupção não pode ser a regra. Temos que ter como regra uma atividade pautada pela lei, pelos princípios da legalidade, princípios administrativos. Talvez seja o grande resgate que temos que fazer."

Sua nova missão é desafiadora, no comando de uma das mais importantes unidades da corporação no País. A PF em São Paulo concentra o maior efetivo e é base de emblemáticas operações contra o colarinho branco, crime organizado, delitos financeiros, contrabando, narcotráfico e crimes ambientais. Metódico, Rosseti exibe um currículo com passagens por setores estratégicos da instituição. Antes de Roma ele foi superintendente da PF em Brasília e diretor da Academia Nacional de Polícia, a famosa escola da PF.

Ex-delegado da Polícia Civil de Minas, Rosseti ingressou na PF em janeiro de 1999, lotado inicialmente na Superintendência no Mato Grosso, onde chefiou o Núcleo de Combate ao Crime Organizado. Depois, trabalhou na Divisão de Operações de Inteligência Policial e na Divisão de Contra-Inteligência Policial da Diretoria de Inteligência, em Brasília.

Filho de policial, Disney Rosseti é instrutor da disciplina de operações de inteligência, nos cursos de formação da Academia e da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).

À reportagem, Rosseti falou de suas prioridades. Defendeu algemas como regra para qualquer preso, use ele colarinho branco ou não. Inquéritos sobre políticos com foro privilegiado, em sua avaliação, devem ficar a cargo da PF. E avisa às organizações mais poderosas do crime: a delação premiada, usada em larga escala na Operação Lava Jato, 'veio para ficar' - inquéritos oriundos da investigação sobre corrupção na Petrobrás, mas que tratam de malfeitos em outras áreas de governo, deverão migrar para a PF em São Paulo. Rosseti afirma que dará prioridade a essas investigações.

Questionado se a prisão ainda é a solução para a corrupção, Rossetti afirma que: "Não deixa de ser, mas talvez o mais eficaz seja realmente minar essas organizações e o corrupto no bolso, pegar o corrupto no bolso, na sua capacidade de corromper, na sua mobilidade, na sua capacidade de realimentar o crime. Esse, talvez, seja um dos caminhos mais interessantes a se percorrer nessas investigações contra a corrupção".