Em discurso na CCJ, Maluf acusa Janot de fazer 'terrorismo' contra economia

Política

Em discurso na CCJ, Maluf acusa Janot de fazer 'terrorismo' contra economia

Maluf disse que conhece Temer há mais de 30 anos e que ele foi eleito por três vezes porque seus colegas reconheceram nele "valores que o dignificam"

Ferrenho defensor do presidente Michel Temer durante a votação da primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o deputado Paulo Maluf (PP-SP) voltou a fazer uma defesa enfática do peemedebista nesta terça-feira, 17, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em seu discurso durante a sessão de debates sobre a segunda denúncia, Maluf acusou o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fazer "terrorismo" contra a economia brasileira ao pedir a abertura de nova investigação contra o peemedebista. "O mal que ele fez à economia com acusações falsas, acho que não paga porque isso não volta", discursou.

Admitindo ser um homem polêmico e ressaltando que tem orgulho disso por dizer o que pensa, Maluf disse que conhece Temer há mais de 30 anos e que ele foi eleito por três vezes presidente da Câmara porque seus colegas reconheceram nele "valores que o dignificam".

Membro da CCJ, Maluf lembrou que já presidiu seu partido e que, assim como Temer pediu recursos para o então candidato à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, ele também o fez em outras campanhas. "Eu pedi e Michel Temer também", declarou. Em uma clara provocação aos petistas, Maluf lembrou que apoiou a candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura paulistana e que, na ocasião, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi almoçar em sua casa para pedir apoio ao candidato petista em 2012.

Maluf pregou que se espere o término do mandato de Temer e afirmou que Procuradoria da República não é partido político. "O que Janot fez de terrorismo em investimentos nacionais e estrangeiros no País não tem retorno", insistiu. O deputado também enalteceu o trabalho do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e criticou os tucanos por terem condenado sua indicação para a função. "O relatório do colega Bonifácio é um primor", disse.

"Orcrim"

Autor de um dos votos em separado que pede a admissibilidade da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado Major Olímpio (SD-SP) subiu o tom na CCJ ao defender as investigações contra os governistas. Para o deputado, o grupo se juntou em uma organização criminosa, que ele chamou de "Orcrim". "É o primeiro comando do Planalto mesmo, mais perverso que o PCC", disse.

Olímpio leu a carta de Temer enviada aos parlamentares e ironizou o conteúdo. O deputado chamou o presidente de "indecente e imoral". "É a maior e mais perigosa quadrilha que existe no Brasil hoje. Aqui poucas lideranças do PCP (primeiro comando do Planalto) estão recolhidas, serão recolhidas, não tenho dúvida disso, o tempo vai mostrar", acrescentou.

O deputado disse ter como única esperança a pressão da opinião pública para reverter votos a favor da denúncia. "Aqui a carta está marcada", lamentou.

A sessão da CCJ foi interrompida para almoço dos parlamentares. Os trabalhos devem ser retomados por volta das 15h.