Para Marun, demandas não atendidas podem ter influenciado votos na 2ª denúncia

Política

Para Marun, demandas não atendidas podem ter influenciado votos na 2ª denúncia

Talvez tenha aparecido gente com pedido complementar, daí com razão o governo não quis atender", respondeu

Brasília - Vice-líder do PMDB na Câmara e um dos principais personagens da "tropa de choque" do governo, o deputado Carlos Marun (MS), admitiu nesta quinta-feira, 26, que é possível que demandas não atendidas pelo Palácio do Planalto tenham influenciado nos 12 votos a menos da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). No dia seguinte a votação que enterrou o novo pedido de investigação do presidente Michel Temer, Marun saiu disparando contra os infiéis, em especial o PSDB, que deu mais votos a favor do prosseguimento das apurações.

O peemedebista afirmou que o resultado pode estar vinculado a "solicitações de atendimentos complementares" ao governo que não foram correspondidos. Em geral, parlamentares demandam cargos e pagamento de emendas. "Talvez tenha aparecido gente com pedido complementar, daí com razão o governo não quis atender", respondeu.

Ontem foram 251 votos com o governo, quando na votação da primeira denúncia o Palácio do Planalto alcançou 263 votos. Marun destacou que o governo vem honrando os compromissos assumidos e que, apesar da segunda denúncia ser mais "fraca" que a primeira, deputados também podem ter se sentido pressionados pela opinião pública.

Nas contas de Marun, o governo perdeu 10 votos, mas destacou que o mais importante é que o resultado numérico foi maior que os votos da oposição. "Como tivemos mais votos, a vitória foi completa", comentou.

Relação

Marun disse que a situação com o PSDB "constrange" a base aliada. Ontem, o PSDB deu 23 votos contra o governo e 20 a favor, o que teria provocado um "fosso" na relação. "Seria muito custoso não tê-los do nosso lado, mas tem uma turma ali que é difícil de aguentar", desabafou. O peemedebista disse que os deputados que votaram contra o governo não podem se considerar membros da base aliada, mas que ainda assim espera que cumpram a palavra e votem a favor da reforma da Previdência.

O deputado disse ainda que a votação dos tucanos ontem joga uma "pá de cal" numa futura coligação do PMDB com o PSDB nas eleições de 2018, principalmente se o candidato a presidente da República for o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Tivemos quase unanimidade da bancada paulista votando favoravelmente a essa ofensa contra o presidente", reclamou.

O parlamentar defendeu a consolidação da base a partir dos 251 votos de ontem. "Dali para a frente é a conquista de votos", enfatizou. Em sua visão, o texto da reforma previdenciária precisa agradar primeiro à base fiel do governo.

Marun, que ontem dançou em plenário comemorando a vitória do governo, disse que a dança serviu para "extravasar" sua felicidade. "Aproveitei para dar uma gozadinha na oposição, que fez muita bagunça ontem", afirmou.