Levy elogia Lula e diz que se sente confortável no governo

Política

Levy elogia Lula e diz que se sente confortável no governo

Questionado sobre a declaração de Lula de que Levy é "problema da presidente Dilma Rousseff", ministro disse que vê fala com "naturalidade". "Ele quis dizer que ele tem os problemas dele"

Redação Folha Vitória
Ministro não se incomoda com afirmações de Lula Foto: Estadão Conteúdo

Nova York, 19 - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, elogiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse a jornalistas nesta quinta-feira, 19, que se sente confortável no governo. "Eu estou tranquilo. O importante são as políticas, fazer as coisas para acabar a obra", afirmou, destacando que o Brasil está em um momento de transição para enfrentar a nova realidade global.

"Todo mundo dizia que não ia ter aeroporto. O governo tomou as decisões, fez as concessões, passou uns meses em obra. Hoje, olha os aeroportos que o Brasil tem. Então é assim, hoje a gente trabalha, está nas obras, tem um bom arquiteto. No final vai ficar bacana", disse Levy. "Toda vez que você conserta as coisas e está em obra as coisas parecem bastante difíceis", disse.

Questionado sobre a declaração de Lula nesta quarta-feira, de que Levy é "problema da presidente Dilma Rousseff", o ministro disse que vê a fala com "naturalidade". "Ele estava querendo dizer que ele tem os problemas dele e a presidente tem as questões dela. Isso me parece perfeitamente natural. As pessoas gostam de botar intenções nele, acham que ele faz isso e faz aquilo e esquecem as muitas coisas que ele fez", disse Levy, contando que teve a oportunidade de conviver com o ex-presidente em 2003. "Naquele época eu pensei, 'dinheiro muito bem gasto no Bolsa Família', e transformou o Brasil. Então, claramente, o presidente tem um registro de realizações extraordinárias e está cuidando das coisas dele", disse.

Perguntado se se sente confortável no governo, o ministro disse que "sim".

Congresso

O ministro afirmou ainda que o Congresso deu uma "sinalização extraordinária" esta semana, ao votar temas importantes e apontando possível solução para o orçamento do ano que vem.

Questionado sobre a alta da inflação, que superou os 10% este mês, Levy disse que a principal fonte de inflação no Brasil tem a ver com a área de serviços. "Em todos os países do mundo o declínio da inflação nessa área demora um pouco mais, mas acho que eles está cedendo, temos que continuar perseverando", afirmou.

Levy disse que é preciso tomar medidas também para ter estabilidade do câmbio e a garantir a volta da confiança, uma vez que a questão fiscal seja resolvida. "Aí acho que a gente vai ver resultados importantes na área da inflação. O Banco Central está trabalhando forte para a gente alcançar isso", afirmou aos jornalistas.

Para Levy, não adianta insistir em velhas fórmulas para fazer a economia retomar o crescimento. "A solução tem que ser mais ambiciosa, não adianta voltar com os mesmos remédios", disse, ressaltando que a presidente Dilma Rousseff já declarou que medidas tomadas anteriormente se esgotaram. "Tem que ter coragem, continuar trabalhando e não adianta tentar atalhos sem imaginação."

Se o orçamento já tivesse sido aprovado, a melhora do ambiente econômico se daria em ritmo mais rápido, afirmou o ministro. "O Orçamento está avançando, aí a gente vai ter mais uns mesezinhos até a gente poder tirar todos os andaimes e tapumes e a gente vê como pode ser este novo Brasil, mais competitivo, com mais concorrência, com empresas mais produtivas."

Levy participou de uma reunião fechada com investidores e analistas em um evento promovido pelo Bradesco BBI, em Nova York, que reúne 68 empresas brasileiras e tem a participação de investidores institucionais dos Estados Unidos, Ásia, Brasil e Europa. Entre as empresas participantes estão a Vale, Cyrela, Klabin, Braskem e Sabesp.

"O evento juntou mais de 70 CEOs e investidores que estão interessados no Brasil, continuam interessados, porque sabem que o Brasil é sempre uma boa pedida", afirmou o ministro. Perguntado sobre se o Brasil está barato, Levy disse que o "Brasil está bom." "O Brasil está interessante, está com upside" disse.