Lelo diz que Governo tentou desqualificar Temer e prevê rompimento entre PT e PMDB

Política

Lelo diz que Governo tentou desqualificar Temer e prevê rompimento entre PT e PMDB

Lelo Coimbra

Lelo Coimbra compõe a Comissão Especial do impeachment Foto: Divulgação

Indicado para ser o titular da Comissão Especial do Impeachment, o deputado Lelo Coimbra (PMDB) conversou com o Folha Vitória sobre suas expectativas para este trabalho. A entrevistada foi concedida horas antes da decisão do ministro do Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suspender a tramitação do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff até a próxima quarta-feira (16).

Dentre os assuntos abordados por Lelo também está a carta do vice-presidente Michel Temer para a presidente Dilma Rousseff. Na análise do peemedebista, o conteúdo é uma questão política que demonstra um rompimento.

Quanto ao quadro sucessório de 2016, Lelo Coimbra disse que vem conversando com lideranças de Vitória e afirma que o governador Paulo Hartung (PMDB) irá conduzir de forma inteligente a sucessão na Capital, de forma que mantenha seu governo unido.

Leia a íntegra da entrevista:

Folha Vitória - Como o senhor viu essa carta enviada pelo Temer à presidente Dilma? É um sinal de rompimento?
Lelo Coimbra -
A carta enviada, considerando a elegância, o perfil do vice-presidente Michel Temer, foi escrita por alguém que está entupido de mal estar. Ele expressou isso à presidente. A carta foi entregue à secretária direta da presidente que foi entregue nas mãos da presidente. Ao vir a público ela se tornou um documento político. Ao dar publicidade, ela apresenta mal estar, o que aponta para a ruptura. Mas é uma carta de quem está saindo pela porta da frente. O governo tentou desvalorizar o vice. Tentou desqualificá-lo.

FV - No Espírito Santo PMDB e PT estão na base aliada do Governo. Há um risco dessa união também ser rompida por aqui?
LC -
O quadro local é fruto das eleições recentes. Não vejo elementos locais de impacto do ponto de vista do governador e das relações de governo. 

FV - Na sua avaliação, como o PMDB deve se posicionar diante do pedido de impeachment?
LC -
O partido se divide, mantém a divisão que esteve presente quando da convenção que deliberou pela aliança com o atual governo. Foram 59% a favor da aliança e 41% contra. Mas foi condicionado à liberdade nos estados para fazer aliança que fosse conveniente. 

FV - O recesso parlamentar deve ser suspenso para a votação do impeachment?
LC -
Eu, pessoalmente, defendo que o recesso seja suspenso. Porque um fato como esse tem repercussões políticas na economia. Esperamos que o dólar caia e a bolsa aumente. Defendo que o recesso seja suspenso para não haver interrupção. Passando a pausa do final do ano, a presidente convoque a Câmara e o Senado para avaliar a admissibilidade de abertura do processo de impeachment.

FV - De que forma essa crise política e financeira que o país enfrenta deve repercutir nas eleições municipais de 2016?
LC -
O cenário é imponderável. A dificuldade de emprego é grande. O emprego está desmontando. A sociedade que perde emprego está em pânico, diminuindo suas atividades. O que acontecerá até junho? Não sei. A política pode resolver isso para um lado ou para outro, mas devemos ter celeridade.

FV - E como estão as articulações em torno da sua candidatura a prefeito de Vitória?
LC -
Estou me preparando com muita disposição em um cenário econômico difícil, com uma sobrecarga muito grande. Sou experiente. Fui deputado estadual, vice-governador, deputado federal. Quero discutir com a cidade, conversando com as pessoas. Tenho feito isso desde maio. Tenho conversado com as pessoas. 

FV - Apesar do senhor ser do mesmo partido de Hartung, o governador tem outros possíveis aliados na disputa. O senhor acredita que pode haver a formação de um blocão para concorrer com o prefeito Luciano Rezende?
LC -
O governador tem ampla aliança. O PSD tem o deputado Enivaldo dos Anjos. O PSDB tem o Luiz Paulo e o PMDB tem o candidato que sou eu. Mas o governador tem a capacidade de conviver com as diferentes presenças sabendo como lidar com elas. Em primeiro momento ele tem responsabilidade de manter governo dele unido. Pessoalmetne acho que será eleição de dois turnos. Vitória vive um momento complexo. Pela primeira vez, desde Setembrino Pelissari, a cidade tem uma desconexão com a Prefeitura. O prefeito não tem uma marca. É um prefeito que não ouve a cidade. Comporta-se quase como prefeito de Facebook. Como foi foi a questão dos ônibus. Ele  não tem essa capacidade de conversar com as pessoas. Não conseguiu ter um planejamento de abordagem. E o gabinete itinerante não funciona como deveria. Pela primeira vez vejo que a administração não tem um link com o conjunto da cidade.