
O mapa partidário na Assembleia Legislativa está prestes a ser redesenhado. A menos de três meses do prazo final de filiações para quem quer concorrer nesse ano, quase metade dos deputados estaduais já se movimenta para mudar de legenda.
O dado faz parte de um levantamento da coluna De Olho no Poder com os 30 parlamentares do Estado. As articulações para o troca-troca partidário já movimentam os bastidores e focam muito mais no pragmatismo do que na ideologia.
Seja por divergências internas ou para encontrar um abrigo mais confortável para as eleições de outubro, fato é que quando a sobrevivência eleitoral está em jogo, a fidelidade partidária é a primeira a sentar na mesa de negociações.
Alguns parlamentares já costuraram a entrada em outras legendas e anunciaram publicamente. Outros, aguardam o posicionamento de algumas lideranças para tomarem a decisão. Há ainda os que dependem de uma mãozinha do Palácio Anchieta para encontrar uma chapa competitiva. E os que estão agindo em silêncio para não colocar a negociação a perder.
Embora alguns já tenham assinado a ficha de filiação na nova casa, a maioria vai deixar para registrar a mudança durante a janela partidária – que é o período de um mês que antecede a data final de filiação partidária.
Ou seja, entre os dias 6 de março e 5 de abril, os deputados estaduais e federais poderão mudar de partido sem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária – uma vez que nas eleições proporcionais, o mandato pertence à legenda.
Equilíbrio de forças em jogo
As mudanças não impactam somente as eleições. Elas respingam também no equilíbrio de forças das bancadas na Assembleia – uma vez que os deputados que trocarem de partido exercerão ao menos nove meses de mandato nas novas legendas.
Isso pode mexer no tamanho da base e da oposição, na composição das comissões e até no resultado de votações de projetos importantes.
No início da atual legislatura, por exemplo, o PL tinha a maior bancada com cinco deputados eleitos. Após três anos, o partido perdeu duas cadeiras e o posto para o Republicanos, que tem hoje o maior número de parlamentares na Ales (5).
Alguns partidos com cadeira única devem perder a representação, como a Rede e o PRD. E o mesmo deve ocorrer com o PSDB, que conta com dois deputados e os dois já decidiram deixar a legenda – até o momento, nenhum parlamentar anunciou que migrará para o ninho tucano.
Outras siglas, porém, devem ganhar representação, como o MDB, partido do vice-governador Ricardo Ferraço, que deve filiar ao menos dois deputados.
Convém lembrar que nem sempre os acordos firmados hoje resistem ao calendário eleitoral. Não à toa, a janela partidária também é conhecida como a “janela da traição”.
Veja abaixo quem são os deputados que cogitam trocar de partido para disputar em outubro:
Adilson Espíndula (PSD)

O deputado, que é pré-candidato à reeleição, disse que irá para o PP.
Coronel Weliton (PRD)

O deputado disse que deve ir para o Democracia Cristã (DC) ou para o Mobiliza para disputar a reeleição.
Denninho Silva (União)

É pré-candidato à reeleição e ainda vai definir o partido, seguindo orientação do líder do seu grupo político – o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB).
Bruno Resende (União)

Já anunciou publicamente que irá trocar de legenda para disputar a Câmara Federal. O deputado vai para o Podemos.
Zé Esmeraldo (PDT)

O deputado é pré-candidato à reeleição e ainda não definiu se continuará no PDT ou se trocará de partido.
Fábio Duarte (Rede)

O deputado é pré-candidato à reeleição e disse que será muito difícil permanecer na Rede. Ele afirmou que deve buscar um novo partido.
Fabrício Gandini (PSD)

O deputado já anunciou que disputará a reeleição e que irá se filiar ao Podemos.
Hudson Leal (Republicanos)

O deputado é pré-candidato à reeleição, vai mudar de partido, mas não revelou o destino.
Marcos Madureira (PP)

O deputado é pré-candidato à reeleição e ainda não definiu se irá permanecer ou deixar o PP.
Mazinho dos Anjos (PSDB)

Pré-candidato à reeleição, o deputado deve se filiar ao MDB.
Sergio Meneguelli (Republicanos)

Pré-candidato ao Senado, o deputado tem ensaiado trocar seu partido pelo PSD.
Vandinho Leite (PSDB)

Ex-presidente do PSDB, o deputado deve migrar para o MDB para disputar a reeleição.
Zé Preto (PP)

O deputado é pré-candidato à reeleição e anunciou recentemente que se filiará ao Mobiliza, ainda neste mês.
LEIA TAMBÉM:
Sete deputados estaduais não vão disputar a reeleição; saiba quem são
Metade do secretariado de Casagrande é cotada para disputar as eleições; veja quem são