Wanderson Bueno em entrevista para a série Cidades e Desafios (foto: Dyhego Salazar)
Wanderson Bueno em entrevista para a série Cidades e Desafios (foto: Dyhego Salazar)

Diferente de alguns colegas da Grande Vitória, o prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos), não vai disputar nenhum cargo nas eleições de outubro. Reeleito para o comando do menor município da Região Metropolitana – mas que tem se destacado por seu polo logístico e de agroturismo –, Wanderson tem como compromisso cumprir seu mandato até o final, em 2028.

Isso não significa, porém, que ele ficará alheio ao processo eleitoral de outubro. Pelo contrário. Ao longo de 2025, ele participou ativamente de articulações envolvendo seu grupo político, comandado pelo presidente estadual do Podemos, o deputado federal Gilson Daniel.

E, nesse ano, a tendência é que a atuação do prefeito seja ainda mais notável. Wanderson defende o projeto apresentado pelo governo do Estado e disse que está à disposição para ajudar com as lideranças do município e também com as de fora.

“Temos um excelente alinhamento com o governador Renato Casagrande. O governador já apresentou a candidatura do vice-governador, Ricardo Ferraço, para o processo sucessório do Estado. Acredito que seja a pessoa mais bem preparada para fazer a condução do Estado (…) Eu estou disposto a conversar com as lideranças da cidade, mas também de poder sair. Onde eu puder colaborar nesse processo eleitoral, eu estarei”, disse o prefeito.

A fala ocorreu durante entrevista à coluna De Olho no Poder, na série “Cidades e Desafios”, que, todo início de ano, entrevista prefeitos da Grande Vitória.

O Podemos, partido do qual o prefeito faz parte, integra a base aliada do governo e foi um dos primeiros a anunciar apoio ao projeto do Palácio Anchieta – que consiste em eleger o vice Ricardo Ferraço como governador e Casagrande, senador.

O partido, porém, sabe da importância que tem nos cenários estadual e nacional e não abre mão de sentar à mesa de negociações, o que ficou bastante evidente na entrevista.

Fabi Tostes entrevista Wanderson Bueno (foto: Dyhego Salazar)

“Gilson não deve voltar a ser prefeito”

Hoje, o deputado Gilson Daniel é pré-candidato à reeleição, mas Wanderson defendeu o nome do líder do seu partido numa candidatura majoritária – leia-se, na chapa de Ricardo como vice ou ocupando a segunda cadeira na disputa ao Senado, numa dobradinha com Casagrande.

A questão foi abordada quando o prefeito foi questionado sobre os planos de sucessão, em 2028, e se Gilson Daniel – que é ex-prefeito de Viana – seria cotado para voltar à prefeitura.

“Gilson não deve voltar a ser prefeito de Viana, por uma razão muito clara: o Gilson é deputado federal (…), é uma liderança hoje que pode ocupar um outro espaço nessa eleição (2026), por exemplo, numa composição de majoritária. Gilson é uma liderança que tem grande capilaridade no Espírito Santo, foi um prefeito muito bem-sucedido, faz um mandato municipalista… Acho que ele também pode ocupar um espaço, inclusive, na majoritária. O projeto do Gilson está além da cidade de Viana. Ele fez um trabalho importante e conseguiu romper. Não acredito que ele pense em ser prefeito de novo de Viana”, afirmou Wanderson.

De fato, Gilson chegou a ser citado, pelo próprio Casagrande, como um dos possíveis nomes à sucessão. Além dele, outros cinco foram citados também, ainda no início do ano passado.

Com o passar dos meses, o cenário da sucessão foi se consolidando em torno do nome de Ricardo, mas o partido não teria desistido de emplacar um nome na disputa majoritária.

Recentemente, o partido fez um grande evento para apresentar os novos quadros que irão disputar em outubro. Integrantes da gestão Casagrande assinaram ficha de filiação, o que demonstrou que o governo do Estado está ajudando o partido a montar suas chapas.

Já as disputas pela composição da chapa de Ricardo e pelo segundo nome ao Senado são concorridas, com muitos aliados de olho e na briga.

Mágoa de Arnaldinho?

Wanderson também foi questionado sobre a relação do grupo político com o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo – ex-Podemos. O prefeito deixou a legenda após divergências com Gilson Daniel, de quem Wanderson é aliado e afilhado político.

Questionado se havia alguma mágoa com relação ao canela-verde, Wanderson descartou. Mas, não deixou de mandar um recado:

“Não tem mágoa, Arnaldinho é uma liderança do Estado, que fez e faz um bom trabalho em Vila Velha. De fato, ele se movimenta para consolidar uma candidatura, acho que ele tem o direito de poder fazer isso, mas é claro que temos também uma decisão de grupo. Estamos num grupo e o Arnaldinho também faz parte desse grupo, então a gente precisa ter uma decisão consensual no grupo, que não pode ser a decisão individual de um ou de outro. Não pode transformar isso num projeto pessoal, não pode estar preocupado só em futuras eleições, tem que estar preocupado com o Espírito Santo, com aquilo que construímos nesses últimos anos e com o futuro”.

O prefeito de Viana também foi perguntado sobre o apoio do Podemos, caso o projeto do governo mude e o candidato do grupo passe a ser Arnaldinho. Ele respondeu:

“A gente não acredita muito nisso, acredita no que está posto. Mas, quando muda os planos chama todo mundo pra mesa pra conversar. Não dá pra dizer se o Podemos não estará em outro projeto porque isso depende muito daquilo que será apresentado, de que forma será organizado, de como aconteceria”.

Outros temas

O prefeito também fez um balanço sobre a gestão de 2025 e anunciou concursos e projetos para 2026 – entre eles, a possibilidade de ter um Batalhão da PM no município. Também tratou do andamento das obras de macrodrenagem para amenizar os alagamentos no município.

Veja a entrevista completa aqui:

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Fabiana Tostes

Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e acompanha os bastidores da política capixaba desde 2011.

Jornalista graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e acompanha os bastidores da política capixaba desde 2011.