Imagem: Freepik
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Quando escuto alguém dizer que correr é apenas uma forma de “queimar calorias”, percebo o quanto ainda precisamos ampliar o entendimento sobre essa atividade física.

Para mim, como médica endocrinologista e também observadora dos efeitos na vida real, a corrida é uma ferramenta de cuidado integral. Ela pode começar com um ato simples: o primeiro passo.

E é nesse gesto aparentemente pequeno que reside um grande potencial de transformação.

Uma das atividades mais praticadas no país

A corrida é uma das atividades físicas mais realizadas no Brasil, e isso não acontece por acaso. É acessível, não exige equipamentos complexos e pode ser praticada em diferentes lugares e horários.

Com o tempo, percebo que seus efeitos vão além da estética: ela atua no metabolismo, no sistema cardiovascular, no humor e até na forma como o cérebro processa emoções.

O esporte estimula o organismo de forma completa. Um aumento temporário do metabolismo continua atuando mesmo depois do treino, e exercícios mais intensos elevam os níveis da molécula Lac-Phe, relacionada à redução momentânea do apetite no pós-atividade. Além disso, a prática regular está associada à melhora do sono não apenas no início da noite, mas também na ampliação da profundidade e da qualidade do descanso.

Quando falo sobre corrida, não me refiro a uma atividade focada apenas na performance. Ela fortalece o coração, melhora a concentração, estimula a produção de endorfinas, auxilia no equilíbrio emocional e contribui para a saúde óssea e muscular.

Com constância e equilíbrio, torna-se uma aliada do corpo e da mente. Trata-se de um exercício que combina resistência, força e estímulo metabólico no mesmo movimento rítmico.

Resultados para saúde física e mental

Os resultados aparecem de forma progressiva. Em cerca de 16 semanas de treino estruturado, estudos apontam redução média de 3,4 batimentos por minuto na frequência cardíaca e um aumento aproximado de 30,6 litros por minuto na função pulmonar. Entre quatro e oito semanas, já é possível observar melhora relevante no consumo máximo de oxigênio, indicador importante no desempenho cardiovascular.

Também há evidências de elevação do colesterol HDL, redução da pressão arterial, melhora da circulação e aumento da sensibilidade à insulina, fatores associados à prevenção de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e acidentes vasculares cerebrais.

Outra contribuição importante é o impacto positivo na saúde mental. Há pesquisas que demonstram eficácia da corrida no enfrentamento da depressão, bem como efeitos positivos na construção de massa óssea e na redução de risco de osteoporose.

Com prática regular e acompanhamento adequado, ela pode contribuir inclusive para a prevenção de doenças crônicas, como certos tipos de câncer, acúmulo de gordura no fígado e complicações metabólicas.

O melhor momento para começar

Neste momento, observo que muitos estão buscando novas motivações para iniciar uma rotina diferente. No Espírito Santo, por exemplo, o calendário anual reúne iniciativas esportivas acessíveis, algumas gratuitas e abertas ao público, o que cria oportunidades para quem deseja começar. Eventos que unem esporte, cultura e convivência, aproximando pessoas que buscam saúde, bem-estar e significado.

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Quando alguém me pergunta qual é o melhor momento para começar, respondo com simplicidade: quando existir vontade. Um passo consciente pode mudar o curso de uma história. A corrida não exige pressa, exige presença. E cada passo pode ser mais do que movimento pode ser cura, reencontro e escolha diária por uma vida saudável.

Dra. Gisele Dazzi

Endocrinologista

Médica endocrinologista e seu propósito aqui na coluna Vida Saudável é trazer informação e novidades para que você melhore a cada dia sua qualidade de vida. @dragiselelorenzoni

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