Imagem: Freepik
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O começo do ano costuma ser um tempo simbólico de recomeços. Para muitos casais, esse também é o momento de olhar com mais atenção para o desejo de engravidar: seja para retomar um tratamento interrompido, seja para iniciar a investigação sobre a demora para conceber.

A infertilidade afeta cerca de 20% dos casais em idade reprodutiva e tem se tornado mais frequente nas últimas décadas. Um dos principais fatores está relacionado ao adiamento da maternidade.

Cada vez mais mulheres priorizam a formação acadêmica, a carreira e a estabilidade financeira, escolhas legítimas e importantes, e postergam a gravidez para depois dos 35 anos, fase que coincide com a redução natural da fertilidade feminina. A idade, portanto, é um elemento central e deve ser considerada.

A infertilidade é uma condição do casal

Quando a gravidez não acontece, é comum que a “culpa” recaia primeiro sobre a mulher. No entanto, a ciência é clara: a infertilidade é uma condição do casal. Em cerca de 40% dos casos, os fatores são femininos; em outros 40%, masculinos; em 10%, mistos; e em aproximadamente 10%, não se identifica uma causa específica.

Avaliar apenas um dos parceiros pode atrasar diagnósticos, prolongar frustrações e aumentar o desgaste emocional.

Investigação rápida é essencial

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, recomenda-se iniciar a investigação após 12 meses de tentativas sem sucesso. Para mulheres com 35 anos ou mais, esse período é reduzido para 6 meses. Essa orientação não significa iniciar tratamentos de forma imediata, mas compreender o que está acontecendo para, então, definir a conduta mais adequada.

A avaliação do casal envolve exames direcionados, como perfil hormonal feminino, ultrassonografia, espermograma e outros exames complementares, conforme cada caso. Muitas vezes, pequenas orientações sobre o período fértil, frequência das relações ou ajustes no estilo de vida já fazem diferença. É importante lembrar que, mesmo entre casais férteis, a chance de gravidez por ciclo gira em torno de 20%.

Tratamento não é fracasso

Quando há indicação de tratamentos de reprodução assistida, isso não deve ser encarado como fracasso. As técnicas evoluíram significativamente e oferecem diferentes possibilidades, que variam em complexidade de acordo com a necessidade de cada casal. O acompanhamento especializado permite escolher o caminho mais seguro e adequado, respeitando limites físicos e emocionais.

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Ao longo de todo o processo, o envolvimento do casal é fundamental. A fertilidade não deve ser vivida como uma responsabilidade individual, nem como um motivo de culpa. Informação, apoio mútuo e acompanhamento adequado tornam o percurso mais leve e fortalecem a relação.

Começar o ano buscando informação, acolhimento e acompanhamento especializado pode transformar a espera em um caminho mais consciente e menos solitário. Investigar a fertilidade não é desistir do sonho, é, muitas vezes, a forma mais cuidadosa de se aproximar da realização dele.

Dra. Layza Merizio Borges

Especialista em Reprodução Assistida

Médica. Mestre (IAMSPE-SP) e Doutora (UNIFESP) em Reprodução Assistida. Título de Especialista em Reprodução Assistida pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Membro internacional da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e de Reprodução Assistida (SBRA). Responsável Técnica do Instituto de Medicina Reprodutiva.

Médica. Mestre (IAMSPE-SP) e Doutora (UNIFESP) em Reprodução Assistida. Título de Especialista em Reprodução Assistida pela Associação Médica Brasileira e pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Membro internacional da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE). Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e de Reprodução Assistida (SBRA). Responsável Técnica do Instituto de Medicina Reprodutiva.