Imagem: Freepik
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A odontologia está mudando rápido – e não é só “gadget de marketing”. Nos últimos meses, algumas linhas de pesquisa e tecnologia saíram do discurso e começaram a impactar, de fato, o consultório e a vida dos pacientes.

Inteligência artificial em diagnóstico e planejamento

A IA deixou de ser promessa genérica: já está sendo integrada a softwares de análise de imagens, planejamento restaurador e ortodôntico. Revisões recentes mostram IA sendo usada para interpretar radiografias, tomografias e fotos, ajudando a detectar cárie, doença periodontal e lesões periapicais com boa acurácia, além de estimar risco de progressão.

Em Ortodontia, modelos de “machine learning” estão sendo testados para predizer o resultado de tratamentos com alinhadores, identificar quais movimentos têm maior risco de não serem totalmente expressos e auxiliar no ajuste do setup virtual.

Isso é algo feito por ortodontistas experts, eu mesma reviso planejamento para muitos colegas, e vejo que é uma necessidade ter ferramentas que vão auxiliar ortodontistas menos experientes e melhorar os resultados dos pacientes. Significa menos risco e mais saúde para a população.

Benefício para o paciente:

  • Mais chance de diagnóstico precoce;
  • Menos “surpresas” no meio do tratamento;
  • Panos mais personalizados – especialmente em alinhadores, onde a previsibilidade nem sempre acompanha o 3D “perfeito”.

3D printing e bioprinting: da placa à regeneração

A impressão 3D já é realidade para modelos, guias cirúrgicos, placas, próteses provisórias e até restaurações definitivas. Em 2025, reviews destacam: Ampliação do uso de impressoras 3D para coroas, pontes, guias de implante, próteses maxilofaciais e alinhadores, com materiais cerâmicos e híbridos cada vez mais resistentes.

Avanços em 3D bioprinting combinando células e biomateriais para regenerar tecidos dentários e periodontais, ainda em fase experimental, mas já com modelos pré-clínicos promissores.

Benefício para o paciente:

  • Menos tempo entre o escaneamento e a prótese pronta;
  • Melhor adaptação;
  • Possibilidade de soluções mais conservadoras;
  • No futuro, aumento real de opções regenerativas em vez de apenas “substituir” estruturas perdidas.

Monitorização remota e teledontologia “de verdade”

A pandemia abriu a porta, mas 2024–2025 consolidaram a teleodontologia e a monitorização digital como ferramentas estáveis: Estudos com pacientes em tratamento com alinhadores mostram que apps de monitorização, em que o paciente envia “scans” semanais, ajudam a avaliar adaptação das placas, higiene e uso efetivo, com concordância razoável com o acompanhamento presencial.

Plataformas de teleodontologia estão sendo usadas para triagem, segunda opinião, reavaliação de dor aguda e acompanhamento pós-operatório, economizando deslocamentos e tempo de consulta.

Benefício para o paciente:

  • Menos faltas ao trabalho/escola;
  • Mais conforto para quem mora longe ou tem mobilidade reduzida;
  • Maior adesão em tratamentos longos (necessário em Ortodontia).

Saliva como exame: diagnóstico precoce de câncer oral e doença sistêmica

Uma das áreas mais “quentes” hoje é a saliva como meio diagnóstico:

Revisões recentes mostram salivaomics e painéis de biomarcadores salivários para câncer de boca, lesões potencialmente malignas e outras doenças sistêmicas, com foco em testes não invasivos e de fácil repetição.

Há pesquisas em dispositivos de ponto de cuidado (point-of-care) e microdispositivos portáteis para detecção rápida de biomarcadores em saliva, incluindo moléculas relacionadas a câncer e inflamação crônica.

Benefício para o paciente:

  • Potencial de rastreio mais simples para câncer de boca e para monitorar inflamação sistêmica;
  • Sem agulha;
  • Sem laboratório complexo – o que no futuro pode significar diagnóstico muito mais precoce.

Lasers, cirurgia guiada e robótica

Não é novidade que o laser está na odontologia há anos, mas os últimos trabalhos apontam para:

Uso mais amplo de lasers em periodontia, cirurgia e estética, com protocolos que reduzem sangramento, edema e tempo de cicatrização quando bem indicados. Cirurgias guiadas por computador e sistemas robô-assistidos começam a ser testados para implantes e procedimentos complexos, oferecendo mais precisão em posicionamento e menos variabilidade entre operadores.

Benefício para o paciente:

  • Procedimentos mais previsíveis;
  • Cirurgias menores;
  • Recuperação potencialmente mais rápida;
  • Muitas vezes, menos medo de “sentar na cadeira”.

O que se desenha para 2026

Os artigos de “future of dentistry” publicados em 2025 apontam uma tendência clara para os próximos anos: integração total entre IA, fluxo digital e Odontologia personalizada.

Provavelmente veremos:

IA integrada de ponta a ponta: da triagem ao recall, passando por leitura automatizada de exames, detecção precoce de lesões e discussão de planos de tratamento.

Consultórios quase totalmente digitais, com escaneamento intraoral como padrão, impressão 3D chairside e menos dependência de moldagens e envios físicos para laboratório.

A saliva e outros fluidos orais sendo incorporados em protocolos de rastreio de câncer, doenças sistêmicas e até risco cardiovascular, em parceria com medicina e ginecologia/geriatria.

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Expansão dos protocolos de regeneração guiada e biomateriais avançados, aproximando cada vez mais a ideia de “reconstruir” do que simplesmente “repor” dentes e estruturas.

No fim, a mensagem central do que vem por aí no futuro é: A inovação verdadeira não é o aparelho mais moderno, e sim o quanto essas tecnologias ajudam o dentista a cuidar melhor das pessoas.

Dra. Daniela Feu

Cirurgiã-Dentista

Cirurgiã Dentista Graduada em Odontologia pela UFES. Especialista em Ortodontia pela UERJ. Mestre e Doutora em Ortodontista (UERJ). Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia (BBO). Diretora do Colégio de Diplomados do BBO. Editora associada da Revista Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO) e editora da Revista Clinical Orthodontics. @dani_feu

Cirurgiã Dentista Graduada em Odontologia pela UFES. Especialista em Ortodontia pela UERJ. Mestre e Doutora em Ortodontista (UERJ). Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia (BBO). Diretora do Colégio de Diplomados do BBO. Editora associada da Revista Dental Press Journal of Orthodontics (DPJO) e editora da Revista Clinical Orthodontics. @dani_feu