
*Artigo escrito por Alexandre Grobberio Pinheiro, Diretor da Macrovisão e Professor da Ufes
A Inteligência Artificial (IA) não é mais promessa — já faz parte da rotina da oftalmologia. Muito antes de ferramentas como o ChatGPT, algoritmos inteligentes já eram usados para analisar exames, apoiar diagnósticos e tornar cirurgias mais seguras.
A tomografia de coerência óptica (OCT), por exemplo, há mais de 15 anos utiliza IA para medir automaticamente as camadas da retina, tornando o acompanhamento de doenças como glaucoma e edema macular diabético mais preciso e padronizado.
A retinografia digital também já reconhece lesões iniciais em pacientes diabéticos, permitindo detectar riscos de cegueira antes dos sintomas.
A IA já está presente nas nossas cirurgias de catarata, com equipamentos como o Eyestar 900 para calcular a lente e o sistema Verion, que unem biometria óptica, topografia e tomografia corneana para posicionar a lente intraocular com precisão micrométrica. Em sala de cirurgia, a IA é realidade — e não ficção científica.
Agora, as IAs generativas — como ChatGPT, Gemini, Claude e OpenEvidence — ampliaram o papel da tecnologia, passando a interpretar e sintetizar conhecimento.
No meu dia a dia, utilizo essas ferramentas para preparar aulas, revisar artigos, padronizar laudos e apoiar decisões clínicas baseadas em evidências.
Mas é fundamental checar sempre as fontes científicas e priorizar estudos com evidências robustas, pois há muita informação incorreta circulando. Ou seja, a inteligência artificial não substitui o médico; ela o potencializa.
É o caso dos chatbots de triagem, já são usados em países como Reino Unido, Austrália e China, para organizar atendimentos e orientar pacientes. Porém, a decisão final continua sendo do médico.
Nos próximos anos, a revolução será ainda mais rápida: a IA atuará lado a lado com o profissional em radiologia por exemplo — detectando microlesões invisíveis — e em cirurgias robóticas, emitindo alertas inteligentes em tempo real.
Mas há algo insubstituível: o olhar humano. A empatia, o julgamento ético e o vínculo terapêutico não podem ser reproduzidos por uma máquina.
A IA não percebe o medo no olhar do paciente, não compreende o contexto emocional, familiar ou cultural e não responde juridicamente por decisões clínicas.
Portanto, a IA não vai substituir o médico — mas o médico que não aprender a usá-la será substituído por quem souber.
O futuro da medicina não é homem ou máquina, e sim homem com máquina, cuidando melhor das pessoas.
