
A bióloga Layandra Sant’Ana, de 25 anos, estava sentada mexendo no celular quando, ao levantar, sentiu o primeiro sinal de que algo não estava bem com a visão. Naquele momento, em março de 2025, ela atribuiu às “linhas tortas” que começou a enxergar ao tempo que passou em frente à tela.
Entretanto, os sintomas não pararam. “Quando eu fechava o olho esquerdo e ficava só com o direito aberto, começava a ver umas manchas mais escuras. Foi tudo muito rápido”, conta a bióloga.
Ao compartilhar a experiência com a mãe, elas decidiram agendar uma consulta com um oftalmologista em Cachoeiro do Itapemirim, cidade onde moram, no Sul do Espírito Santo. Layandra realizou exames e os resultados mostraram uma anormalidade no olho direito.
É como se colocasse uma gota de água em uma câmera fotográfica e ficasse meio embaçado. Era a mesma coisa com o meu olho, era o que eu estava vendo”.
Layandra Sant’Ana, bióloga
Após passar por tratamentos e novos exames, em Cachoeiro e em Vitória, os resultados apontaram para “nevus de coroide”, uma lesão benigna na caroide. No entanto, em casos mais raros e graves, como o de Layandra, a lesão é um indicativo de “melanoma de coroide”.
O que é o melanoma caroide
Segundo a oftalmologista Liliana Nóbrega, o melanoma de coroide é um tumor maligno raro que atinge a região mais profunda da parede ocular.
Pode ser totalmente assintomático em seus estágios iniciais, mas, em outros estágios, pode apresentar lesões como o descolamento de retina e hemorragias intraoculares. Alguns sintomas da doença são o embaçamento visual, percepção de ‘moscas volantes’ e flashes luminosos na visão.”
Liliana Nóbrega, oftalmologista
No caso de Layandra, o fato de ela ter sido diagnosticada precocemente fez com que as chances de cura sejam maiores.
“Uma das coisas que o médico disse é que, geralmente, o paciente já chega com o melanoma muito avançado, de 5 mm ou mais. Isso leva ao risco de metástase, se espalhando para outros órgãos”, relembra.
A bióloga acrescentou: “Ele disse que eu dei sorte em descobrir no início, porque a minha pinta foi central, atrapalhando logo minha visão e eu vi que tinha algo errado.”
Arrecadação para o tratamento e cirurgia
Layandra está sendo tratada em um hospital de referência de São Paulo, onde passará por cirurgias em breve. A primeira será para a aplicação da braquiterapia, um tipo de radioterapia interna onde fontes radioativas são colocadas diretamente dentro ou próximo ao tumor.
Após alguns dias do primeiro procedimento, ela será submetida à outra cirurgia para a retirada da placa de braquiterapia.
Além disso, a bióloga precisará de tratamento contínuo, retornando para São Paulo com mais frequência no primeiro ano e de forma pontual após este período.
Ela criou uma vaquinha on-line para arrecadar fundos para as cirurgias e todo o tratamento. O valor da cirurgia é de R$ 70 mil.
Eu já juntei uma boa parte do dinheiro para fazer a cirurgia. Como eu vou ficar no Hospital Albert Einstein, um hospital com um custo maior, consigo pagar um pouco agora e o restante na segunda-feira. Então, por isso estou fazendo a vaquinha para arrecadar esse dinheiro, porque não teria acesso a toda essa quantia”.
Layandra Sant’Ana, bióloga