
O jovem de 24 anos que bateu a cabeça em uma pedra durante um mergulho em uma cachoeira de Santa Leopoldina, na região Serrana do Espírito Santo, passou por cirurgia na manhã desta quarta-feira (7), em Vitória, para receber tratamento com polilaminina.
O procedimento foi realizado no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), o São Lucas, e durou cerca de 30 minutos.
De acordo com a equipe médica, a aplicação da substância ocorreu dentro do centro cirúrgico, com todos os protocolos de segurança e orientação por imagem.
O neurocirurgião Bruno Alexandre Cortes explicou que a injeção foi feita em pontos específicos da coluna cervical, conforme o planejamento prévio.
A injeção foi realizada com todas as condições de assepsia e antissepsia, guiada por imagem, com aparelho de radioscopia. Temos pontos exatos para a aplicação da polilaminina, que são dois. O procedimento transcorreu perfeitamente como planejamos, levou cerca de 30 a 40 minutos e agora aguardamos a evolução do paciente.”
Bruno Alexandre Cortes, neurocirurgião
O acidente aconteceu no último domingo (4), quando o jovem pulou de cabeça em uma cachoeira e atingiu uma pedra. Segundo a família, ele permaneceu consciente durante todo o resgate, mas perdeu os movimentos das pernas e apresentava dor intensa e limitação nos braços e nas mãos.
Nesta quarta-feira pela manhã, a esposa do rapaz, Eduarda Marcílio, disse que o medicamento representa uma esperança para a família de que ele possa recuperar os movimentos.
A indicação para o uso da polilaminina prevê que o procedimento seja realizado em até 72 horas após a lesão. No caso do jovem, a aplicação ocorreu dentro dessa chamada “janela terapêutica”, considerada decisiva para o potencial efeito da substância.
O coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Espírito Santo, Mitter Mayer Volpasso Borges, destacou que o momento da aplicação traz expectativas positivas.
“O ideal da aplicação é até 72 horas após a lesão. No caso dele, o procedimento foi realizado dentro dessa janela terapêutica, o que representa muita esperança”, afirmou.
Este é o segundo paciente do Espírito Santo e o quinto do Brasil a receber a polilaminina, com autorização judicial.
Até o momento, os casos registrados no país apresentam resultados considerados promissores por especialistas. Em um dos exemplos, um paciente com lesão total da medula voltou a apresentar sensibilidade e movimentos parciais após o tratamento.
A polilaminina é uma proteína extraída da placenta humana e estudada por sua capacidade de auxiliar na regeneração de lesões da medula espinhal e da coluna cervical.

Segundo o médico e pesquisador Olavo Borges Franco, a próxima etapa envolve a definição dos protocolos dos estudos.
Com a autorização, forma-se um grupo para definir como será o estudo clínico, onde será realizado e todos os detalhes. Essa discussão já está acontecendo entre a Anvisa e o laboratório responsável. Esperamos que em breve os estudos comecem oficialmente”.
Olavo Borges Franco, médico e pesquisador
A fase inicial dos testes deve envolver cinco pacientes em um mesmo hospital, e o Espírito Santo articula para sediar essa etapa.
Caso os resultados sejam positivos, a expectativa é de que, nos próximos anos, a substância possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes com lesões graves na medula.
O jovem segue internado, sob acompanhamento médico, enquanto a equipe aguarda os próximos dias para avaliar a resposta clínica ao procedimento.
*Com informações de Lucas Pisa, da TV Vitória/Record