Sociedades médicas recomendam intervalo de 12 semanas entre doses da vacina contra covid-19

Saúde

Sociedades médicas recomendam intervalo de 12 semanas entre doses da vacina contra covid-19

Estados e municípios mudaram intervalo como resposta à variante Delta. No Espírito Santo a vacina da AstraZeneca é aplicada com intervalo de 10 semanas

Foto: Divulgação/Pixabay

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiram uma nota técnica conjunta em que se posicionam contra a decisão de reduzir de 12 para oito semanas o intervalo entre as doses das vacinas Oxford/AstraZeneca e Pfizer. A nota se contrapõe à decisão de estados e municípios que tomaram a decisão como resposta à chegada da variante Delta ao país.

O intervalo para aplicação da segunda dose da Astrazeneca no Espírito Santo foi alterado, saindo de 12 para 10 semanas. Desde o mês passado, a vacina pode ser tomada em um intervalo de 70 dias. 

As duas sociedades médicas defendem que "o número de mortes e hospitalizações que serão evitadas caso mais pessoas recebam a primeira dose, em especial em um cenário de estoques de vacinas limitados, supera substancialmente os eventuais prejuízos acarretados pelo prazo estendido".

A segunda dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca no Brasil tem sido aplicada com intervalo de 12 semanas em relação à primeira. A bula da AstraZeneca prevê que o prazo pode ser de quatro a 12 semanas, enquanto a da Pfizer recomenda o intervalo de ao menos 21 dias.

Para atingir o maior número de vacinados com a primeira dose de forma mais rápida, países como o Brasil e o Reino Unido adotaram o prazo de 12 semanas para ambas. O Canadá estendeu esse prazo até quatro meses para a vacina da Pfizer, enquanto França e Alemanha adotaram seis semanas de intervalo.

Espírito Santo diminui intervalo 

A segunda dose da Pfizer também pode ser adiantada no Estado. Tudo vai depender da disponibilidade de vacinas. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) defende uma nova antecipação no caso da Astrazeneca para oito semanas. No entanto, esclareceu que a decisão final para mais esta mudança, e para a antecipação também da Pfizer, depende da disponibilidade de vacinas e de uma pactuação nacional.

"O governo do Espírito Santo entende que para poder antecipar a d2 (segunda dose) de qualquer dos imunizantes devem se reunir as condições que nós adotamos para poder decidir a antecipação da d2 da Astrazeneca", disse o secretário estadual de Saúde Nésio Fernandes durante pronunciamento nesta segunda-feira (12).

Além disso, Nésio pontuou os motivos da antecipação da Astrazeneca".

"Nós decidimos a antecipação da Astrazeneca por três motivos. O primeiro porque a decisão foi tomada baseada no prazo do limite em bula e no prazo adotado pelo PNI. Ou seja, nós não prejudicamos nenhum tipo de evidência. O segundo componente importante é que está provado que esta antecipação antecipa o benefício da completude do esquema na população que já foi vacinada com a primeira dose. O terceiro ponto e principal, que determina a possibilidade de fazer a antecipação, é a ampla disponibilidade de doses. Não haveria sentido termos doses de d2 armazenadas em Brasília, na Fiocruz aguardando o prazo de 12 semanas para serem distribuídas aos municípios".

Nova variante e redução de prazos

A chegada da variante Delta ao Brasil e a possibilidade de ela se espalhar rapidamente, porém, levou alguns estados a reduzirem o intervalo para oito semanas, buscando completar de forma mais célere o esquema vacinal das pessoas que já receberam a primeira dose. 

O estado do Rio de Janeiro foi um dos que adotou essa recomendação para a vacina AstraZeneca. A capital fluminense, porém, optou por manter o intervalo em 12 semanas.

A SBIm e a SBP reforçam que a decisão de estender o prazo até 12 semanas conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda que os países com alta incidência de casos e restrições no acesso à vacina se concentrem em alcançar a maior cobertura possível com a primeira dose.

"É evidente que, num cenário em que não houvesse estoque limitado de doses, a estratégia de postergar a segunda dose das vacinas poderia ser reavaliada, no entanto, infelizmente, este não é o caso do Brasil e de muitos outros países neste momento", diz a nota.

As sociedades médicas apresentam estudos realizados na Escócia, na Inglaterra e no Canadá, que mostram que a primeira dose dessas duas vacinas já teve impacto nas hospitalizações e mortes por covid-19.

Primeira dose já demonstra eficácia

Na Escócia, a primeira dose da AstraZeneca teve efetividade de 88% contra hospitalizações, enquanto a da Pfizer, de 91%, ambas observadas 34 dias após a aplicação. 

No Canadá, o estudo citado mostra ainda que a efetividade da primeira dose da Oxford/AstraZeneca contra hospitalizações ou mortes causadas pela variante Delta chegou a 88%, enquanto a da Pfizer, a 78%. 

Já na Inglaterra, pesquisadores identificaram que, três semanas após a primeira dose dessas vacinas, adultos infectados com o SARS-CoV-2 tiveram menos chances de transmitir o vírus para seus contatos domiciliares.

Apesar das ponderações, a SBIm e a SBP reforçam a importância da segunda dose e seu "inequívoco benefício" na proteção contra a covid-19. A nota reconhece que seria desejável oferecer a proteção adicional conferida pela segunda dose poucas semanas após a primeira dose e recomenda a adoção de mecanismos para aumentar a adesão à segunda aplicação, como agendamento, busca ativa e registros eletrônicos.

"Do ponto de vista programático e de saúde pública, a decisão da extensão do intervalo entre as doses, em cenários de escassez de vacinas, tem como motivador a antecipação da proteção de maior parcela da população e consequente redução das mortes, hospitalizações e morbidade associada a esta doença. Os modelos de impacto e efetividade dessa estratégia demonstram benefícios associados à extensão do intervalo da vacinação em todos os cenários avaliados", recomenda as sociedades médicas.

Fiocruz

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) se pronunciou, por meio de nota em sua página na internet, sobre o prazo de aplicação da segunda dose, ressaltando que a imunização após 12 semanas garante maior cobertura vacinal à população.

“A respeito da redução no intervalo entre as doses da vacina produzida pela Fiocruz (AstraZeneca), a fundação esclarece que o intervalo de 12 semanas entre as duas doses recomendado pela Fiocruz e pela AstraZeneca considera dados que demonstram uma proteção significativa já com a primeira dose e a produção de uma resposta imunológica ainda mais robusta quando aplicado o intervalo maior. Adicionalmente, o regime de 12 semanas permite ainda acelerar a campanha de vacinação, garantindo a proteção de um maior número de pessoas”, disse a Fiocruz.

*Com informações da Agência Brasil