Espírito Santo deve combinar doses da Pfizer e AstraZeneca para completar imunização

VACINAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO

Saúde

Espírito Santo deve combinar doses da Pfizer e AstraZeneca para completar imunização

Segundo o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, a ideia seria utilizar o imunizante da AstraZeneca para a primeira dose e o da Pfizer para a segunda

Rodrigo Araújo

Redação Folha Vitória
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo do Espírito Santo defende a combinação de doses de vacinas de fabricantes diferentes para completar a imunização da população contra a covid-19. A ideia seria utilizar o imunizante da AstraZeneca para a primeira dose e o da Pfizer para a segunda.

Durante coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira (16), o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, destacou que a adoção da chamada vacinação heteróloga é oportuna, neste momento, devido à prevalência das vacinas das duas indústrias no processo de imunização da população brasileira.

"Entendemos que a vacinação heteróloga deve ser uma estratégia nacional a ser avaliada. O governo do Estado avalia como oportuno e necessário que ela seja adotada em todo o país, considerando que, neste momento, temos ampla disponibilidade da vacina da Pfizer para aplicar na população", destacou.

"A vacina da AstraZeneca poderia ser dedicada à aplicação da D1 e a da Pfizer para a aplicação da D2 na população", completou Nésio Fernandes.

ES defende intervalo de oito semanas entre doses da Pfizer

O secretário ressaltou ainda que o Estado defende a redução do intervalo entre as doses da Pfizer para até oito semanas. Atualmente, o espaço entre a D1 e a D2 do imunizante é de 90 dias, mas o Ministério da Saúde anunciou, no último sábado (14), que pretende reduzir esse intervalo para 21 dias, em setembro.

"Nós apresentamos a posição do Estado junto ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e também ao Ministério da Saúde, para a antecipação da vacina da Pfizer a oito semanas. Nós consideramos que prazos menores do que oito semanas podem não ser adequados, por prejudicarem um bom desempenho do sistema imune, uma amplificação da resposta que ocorre com prazos mais longos da aplicação da D2", pontuou. 

Nésio Fernandes disse que a posição do governo estadual foi apresentada nesta segunda-feira ao Ministério da Saúde, que deverá se manifestar novamente sobre o assunto, nos próximos dias.

"Devemos ter então, a partir das próximas pautas, uma autorização de uma antecipação da aplicação da D2 da Pfizer na população capixaba e em todo o país, dentro da pactação construída com o Ministério da Saúde".

Nesta segunda-feira, a Prefeitura de Linhares informou que reduziu o intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer para 78 dias. A medida, segundo a administração municipal, visa agilizar a imunização da população e frear a propagação da doença.

Estado é favorável à aplicação da terceira dose da Pfizer

O secretário de Saúde destacou também que está sendo avaliada a necessidade da aplicação de uma terceira dose da vacina da Pfizer. Segundo ele, a própria fabricante tem recomendado o reforço vacinal em diversos países e é provável que todos os demais imunizantes utilizados no Brasil também precisem, futuramente, dessa terceira dose.

"Entendemos que isso não é demérito para nenhum imunizante. Estamos avaliando no Brasil, junto ao PNI, ao Ministério da Saúde, ao Conass, ao Conasems e aos comitês técnicos a necessidade de aplicação de uma terceira dose da vacina [da Pfizer], especialmente na população idosa e imunossuprimida, que foi alcançada com as duas doses desse imunizante, principalmente no início da campanha de vacinação, nos meses de janeiro, fevereiro e março".

De acordo com Nésio Fernandes, o Espírito Santo é favorável à aplicação da terceira dose da Pfizer e já apresentou sua posição ao Ministério da Saúde, que deverá se manifestar sobre esse tema ainda neste mês.

"O assunto está sendo debatido por comitês técnicos, junto ao Ministério da Saúde. Nós já apresentamos nossa posição e o tema deve avançar nas próximas semanas, para uma definição concreta do PNI", frisou.

"Nós entendemos que as vacinas vão necessitar de reforços, ainda aquelas que são consideradas vacinas de dose única, considerando que o sistema imune responde melhor com reforços vacinais e amplifica sua capacidade de defesa com o reforço da exposição a um imunobiológico como as vacinas. Entendemos que a exposição da população aos diversos vírus que circulam na comunidade deve ser combatida reforçando essa resposta, que pode ser adquirida com as vacinas disponíveis", acrescentou o secretário.

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