Foto: Arquivo Casa Rosa
Foto: Arquivo Casa Rosa

O cuidado com pacientes oncológicos vem ganhando uma nova dimensão ao integrar terapias convencionais a um modelo de atenção que vai além do tratamento da doença, promovendo saúde e bem-estar de forma integral.

Alinhada às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e à Estratégia Global para Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, essa política avança na inclusão de abordagens terapêuticas seguras, embasadas na ciência e cada vez mais acessíveis à população.

A oferta dessas práticas na Atenção Primária à Saúde (APS) registrou 3.198.546 procedimentos em 2024. Um aumento de 32% em relação a 2023 e de 67% na comparação com 2022.

Já na Média e Alta Complexidade (MAC), o crescimento foi ainda mais expressivo, com 3.958.157 procedimentos realizados, representando um avanço de 18% em relação a 2023 e de 73% desde 2022.

Além da ampliação dos atendimentos, o número de participantes também aumentou de forma significativa. Em 2024, mais de 9 milhões de pessoas acessaram as práticas integrativas no SUS, um crescimento de 83% em comparação com 2022.

Terapias integrativas

As terapias integrativas abrangem, em todo o país, diferentes abordagens. Que vão desde técnicas individuais até atividades coletivas voltadas à promoção do bem-estar e da expressão criativa.

Entre as principais práticas atualmente disponíveis estão auriculoterapia, aromaterapia, práticas corporais da medicina tradicional chinesa, yoga, arteterapia e musicoterapia.

Antes vistas como complementares pelo senso comum, hoje fazem parte de um modelo de cuidado integral que amplia o suporte ao paciente durante e após o tratamento.

No Espírito Santo, a Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc) – mantenedora do Hospital Santa Rita – é um exemplo de entidade que, por meio do seu Centro de Vivência Casa Rosa, realiza esse suporte biopsicossocial aos pacientes oncológicos tratados via SUS no hospital.

Atualmente, na Casa Rosa, são realizadas práticas como reiki, yoga, alongamentos, ginástica laboral e diversas oficinas terapêuticas, entre elas artesanato e culinária.

As atividades têm como objetivo promover o bem-estar integral durante o tratamento, complementando a medicina tradicional e auxiliando na reinserção social e profissional.

Cuidado que vai além

Há cerca de um ano, Niziani Miotto, de 52 anos, após passar pelo tratamento convencional para curar um câncer de mama no Hospital Santa Rita, diagnosticado no início de 2025, começou a sentir dores no ombro.

Sempre atenta à realização de exames e acompanhamentos periódicos, após a cirurgia realizada em agosto, decidiu incluir novas estratégias à sua rotina de cuidados. Buscando não apenas tratar a doença, mas melhorar sua qualidade de vida por meio das terapias integrativas.

Foto: Arquivo Pessoal Niziane Miotto

“Antes, minha relação com a saúde era baseada em consultas e exames. Quando começaram as dores, percebi que precisava de algo além dos remédios”, relata.

A fisioterapia e a acupuntura realizadas no Centro de Vivência Casa Rosa reduziram significativamente as dores, e o reiki me trouxe uma sensação de equilíbrio e tranquilidade que eu não sentia havia muito tempo. Agora estou iniciando a terapia floral.

Foto: Arquivo Pessoal Niziane Miotto

Histórias como a de Niziani se repetem entre pacientes que encontram nas práticas integrativas uma forma de lidar melhor com os efeitos físicos e emocionais do tratamento oncológico.

É o caso também da professora Natiély Nobre, de 33 anos, que iniciou o tratamento integral em junho de 2025. Com foco na melhora da qualidade do sono e do descanso.

Eu estava compartilhando minha rotina, porque acordava até oito vezes por noite para ir ao banheiro e não conseguia descansar adequadamente. Foi quando a profissional do Centro de Vivência Casa Rosa, Gabriela Laureano, me falou sobre a acupuntura e os benefícios que ela poderia trazer junto ao meu tratamento. Decidi iniciar as sessões.

Foto: Arquivo Pessoal Natiély Nobre

Segundo Natiély, a acupuntura se tornou uma grande aliada. “Ela ajudou a aliviar sintomas, reduzir a ansiedade e me devolver presença e equilíbrio em meio a um momento tão desafiador.”

Para quem está iniciando o tratamento convencional, a professora deixa uma mensagem de acolhimento:

Não caminhe sozinho. Informe-se, confie na equipe médica, mas também se permita sentir. Vai haver medo, cansaço e dias difíceis, e tudo isso é legítimo. O tratamento não é só físico; ele atravessa o emocional, o corpo inteiro e a forma como a gente se enxerga. Buscar apoio, seja da família, de amigos ou de terapias integrativas como a acupuntura, pode fazer toda a diferença para atravessar esse processo com mais equilíbrio e menos dor.

Foto: Arquivo Pessoal Natiély Nobre

Ela destaca ainda que nunca deixou de praticar atividades físicas. “Mesmo após o diagnóstico, continuei treinando. Meus médicos nunca me proibiram; pelo contrário, sempre me incentivaram a manter o crossfit, a musculação e o pilates.”

Mudança no conceito de saúde

A massoterapeuta e acupunturista da Casa Rosa, Gabriela Laureano, que atende cerca de 54 pacientes em tratamento, reforça que esse movimento reflete uma mudança no próprio conceito de saúde.

“A medicina integrativa não concorre com a medicina tradicional. Ela complementa o cuidado com práticas que ajudam a reduzir sintomas, promover relaxamento e fortalecer o paciente durante o tratamento”, explica.

Foto: Arquivo Casa Rosa

Segundo ela, o modelo se apoia em três pilares: promoção da saúde e prevenção de doenças; escuta ativa e acolhimento do paciente; e integração entre terapias e tratamentos clinicamente indicados.

“Não se trata de substituir, mas de ampliar o cuidado. Em muitos casos, conseguimos reduzir dores crônicas, ansiedade, insônia e até o uso de medicamentos”, destaca.

Terapias integrativas, não substitutivas

Para o geriatra paliativista do Hospital Santa Rita, Alexandre Constantino de Santana, a integração das terapias ao cuidado oncológico representa um avanço importante, desde que seja corretamente compreendida.

“As terapias integrativas são adicionais. Elas não substituem quimioterapia, radioterapia ou cirurgia. Por isso, o termo ‘alternativo’ é inadequado”, explica.

No Hospital Santa Rita, os pacientes são encaminhados à Casa Rosa durante ou após o tratamento oncológico, sempre com acompanhamento das equipes médicas e do Serviço Social.

Segundo o especialista, os benefícios são perceptíveis principalmente no aspecto emocional.

“Observamos melhora significativa do humor, o que auxilia no controle dos sintomas físicos e impacta positivamente a qualidade de vida. É comum vermos redução de sintomas depressivos e ansiosos, com consequente melhora no controle da dor”, afirma.

De acordo com Alexandre Constantino, modalidades como arteterapia e acupuntura tendem a apresentar respostas terapêuticas mais evidentes, embora os resultados variem de acordo com cada pessoa.

“Na Casa Rosa, o cuidado vai além do tratamento da doença: envolve autoestima; imagem corporal e até reabilitação laboral, respeitando cada etapa da jornada do paciente.”

Um modelo de cuidado em expansão

Desde 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares reconhece oficialmente mais de 20 abordagens terapêuticas no SUS.

Entre as práticas que mais cresceram nos últimos anos estão a auriculoterapia, a aromaterapia e as práticas corporais inspiradas na medicina tradicional chinesa.

Apesar do crescimento expressivo, especialistas apontam desafios importantes. Como a necessidade de ampliar protocolos clínicos, investir na formação qualificada de profissionais e fortalecer a produção de pesquisas científicas sobre os efeitos das terapias integrativas.

Ainda assim, a tendência é clara: cada vez mais pacientes e profissionais buscam um modelo de cuidado que vá além do tratamento da doença, incorporando prevenção, bem-estar e respeito à individualidade.

Portanto, um caminho que transforma o tratamento oncológico em uma jornada mais humana, integral e possível de ser atravessada com mais qualidade de vida.

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Vanessa Cardoso
Vanessa Cardoso

Colaborador

Head do Folha Social. Empresária, comunicadora e especialista em Relações Públicas e eventos. Jornalista formada pela Faesa.

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