
Nos últimos anos, ganharam espaço os exames que prometem descobrir — a partir do DNA — qual seria a “dieta ideal” para cada pessoa. A proposta é atraente: um teste simples, um relatório personalizado e, supostamente, um caminho mais rápido para emagrecer e melhorar a saúde.
É importante reconhecer que existem testes genéticos com valor comprovado em situações específicas, como na investigação de intolerância à lactose, doença celíaca ou algumas doenças hereditárias do colesterol. Nesses contextos, os resultados realmente ajudam a direcionar o cuidado.
Quando falamos, porém, de testes para orientar dietas e perda de peso, o cenário continua bem mais cauteloso — mesmo nos estudos mais atuais.
O que a ciência diz sobre
Revisões científicas publicadas recentemente analisaram programas de “nutrição personalizada” guiados por genética. A conclusão geral é que a área avança rapidamente, mas ainda não há evidência robusta de que os testes genéticos isolados tragam resultados superiores aos que já se obtêm com uma boa avaliação clínica e nutricional, acompanhamento e ajustes progressivos.
Em alguns estudos, o exame aparece como um elemento motivador: o paciente se sente “mais envolvido” com o próprio tratamento e, por isso, segue melhor as orientações. Mesmo assim, o benefício parece vir muito mais da adesão às mudanças de hábito do que do DNA em si.
Isso acontece porque saúde, peso e metabolismo não dependem de um único gene — nem de poucos. São influenciados por dezenas de fatores: qualidade da alimentação, sono, estresse, atividade física, uso de medicamentos, condições de saúde e, principalmente, a capacidade de manter o plano ao longo do tempo.
Na prática, o que funciona continua sendo o básico bem-feito: alimentação variada e equilibrada, menos ultraprocessados, movimento regular, sono adequado e acompanhamento com profissionais de saúde.
Ainda não devem ser vistos como garantia de resultado
Os testes genéticos podem ter seu lugar — como complemento, em situações selecionadas, com interpretação cuidadosa e expectativas realistas. Mas ainda não deveriam ser vistos como atalho, solução mágica ou garantia de resultado.
VIDA SAUDÁVEL | Mounjaro: como evitar o efeito rebote após canetas emagrecedoras
Antes de investir em qualquer exame “para descobrir a melhor dieta”, vale uma conversa franca com seu médico ou nutricionista. A ciência está avançando, mas, por enquanto, o caminho mais seguro continua passando por informação de qualidade, hábitos consistentes e acompanhamento individualizado. O coração agradece o cuidado com a alimentação consciente.