Teste genético dieta
Imagem: Freepik

Nos últimos anos, ganharam espaço os exames que prometem descobrir — a partir do DNA — qual seria a “dieta ideal” para cada pessoa. A proposta é atraente: um teste simples, um relatório personalizado e, supostamente, um caminho mais rápido para emagrecer e melhorar a saúde.

É importante reconhecer que existem testes genéticos com valor comprovado em situações específicas, como na investigação de intolerância à lactose, doença celíaca ou algumas doenças hereditárias do colesterol. Nesses contextos, os resultados realmente ajudam a direcionar o cuidado.

Quando falamos, porém, de testes para orientar dietas e perda de peso, o cenário continua bem mais cauteloso — mesmo nos estudos mais atuais.

O que a ciência diz sobre

Revisões científicas publicadas recentemente analisaram programas de “nutrição personalizada” guiados por genética. A conclusão geral é que a área avança rapidamente, mas ainda não há evidência robusta de que os testes genéticos isolados tragam resultados superiores aos que já se obtêm com uma boa avaliação clínica e nutricional, acompanhamento e ajustes progressivos.

Em alguns estudos, o exame aparece como um elemento motivador: o paciente se sente “mais envolvido” com o próprio tratamento e, por isso, segue melhor as orientações. Mesmo assim, o benefício parece vir muito mais da adesão às mudanças de hábito do que do DNA em si.

Isso acontece porque saúde, peso e metabolismo não dependem de um único gene — nem de poucos. São influenciados por dezenas de fatores: qualidade da alimentação, sono, estresse, atividade física, uso de medicamentos, condições de saúde e, principalmente, a capacidade de manter o plano ao longo do tempo.

Na prática, o que funciona continua sendo o básico bem-feito: alimentação variada e equilibrada, menos ultraprocessados, movimento regular, sono adequado e acompanhamento com profissionais de saúde.

Ainda não devem ser vistos como garantia de resultado

Os testes genéticos podem ter seu lugar — como complemento, em situações selecionadas, com interpretação cuidadosa e expectativas realistas. Mas ainda não deveriam ser vistos como atalho, solução mágica ou garantia de resultado.

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Antes de investir em qualquer exame “para descobrir a melhor dieta”, vale uma conversa franca com seu médico ou nutricionista. A ciência está avançando, mas, por enquanto, o caminho mais seguro continua passando por informação de qualidade, hábitos consistentes e acompanhamento individualizado. O coração agradece o cuidado com a alimentação consciente.

Dra. Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich

Clínica médica

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich

Médica pela Escola de Medicina da Santa Casa de Vitória. Residência em Clínica médica pela Santa Casa de São Paulo. Residência em cardiologia e ecocardiografia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Titulo de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Título em área de atuação em Ecocaridografia pelo Departamento de Imagem Cardiovascular - SBC. Presidente da SBC ES 2020/21. Caridologista e Ecocardiografista do Centrocor e CDC. @tatianeemerich