
Cofundador e vice-presidente da Apex e head da APX Investimentos, Pedro Chieppe integra a liderança de uma empresa que nasceu com forte atuação regional e hoje vive um ciclo consistente de expansão.
Com presença no Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Portugal, a Apex vem ampliando sua atuação em investimentos imobiliários, pesquisas econômicas e eleitorais e soluções financeiras adaptadas às realidades locais.
O crescimento é sustentado por um modelo de partnership que preserva o legado empreendedor da companhia e garante agilidade, proximidade com os mercados regionais e decisões orientadas por visão estratégica de longo prazo.
O tema do Líder Empresarial deste ano é “Tradição se renova com excelência”. Como você enxerga esse equilíbrio entre legado e inovação no contexto da Apex, especialmente considerando o modelo de partnership implementado pela empresa?
A gente costuma dizer que inovação, para ter sentido, precisa estar a serviço dos nossos clientes, da nossa entrega de valor. No nosso caso, a inovação fortalece a missão de criar soluções adaptadas que impulsionam as economias locais. O modelo de partnership da Apex permite exatamente isto: preservar o legado de uma empresa construída por empreendedores que conhecem a realidade onde atuam, ao mesmo tempo em que abre espaço para adaptação a outras regiões, sempre com valores e visão alinhados.
Em 2025, ano, a Apex expandiu a atuação para São Paulo, Rio Grande do Sul e Portugal, e estamos presentes no Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. Investimos em novos empreendimentos imobiliários em quatro estados. Produzimos pesquisas eleitorais e econômicas em nove estados e em nível nacional. São movimentos grandes, mas todos sustentados por um modelo que valoriza a proximidade com os contextos regionais, aliada à capacidade de tomar decisões com agilidade e visão de longo prazo.
O modelo de partnership tem sido considerado um diferencial da Apex no contexto de atuação regional. Como essa estrutura contribui para fortalecer o senso de dono e gerar mais alinhamento entre líderes e a visão de longo prazo da companhia?
Partnership é mais do que um modelo societário, é uma forma de pensar o negócio. Na prática, essa abordagem cria um ambiente em que as decisões são mais alinhadas, porque quem decide também tem o compromisso com os resultados. Isso se refletiu claramente em nossa estratégia de expansão: crescemos e ampliamos a presença nacional da Apex por meio de parcerias locais. Essa escolha foi fruto da visão de que os sócios estão comprometidos com a perenidade do negócio.
Além disso, entendemos que o partnership é fundamental na atração e retenção de talentos, um dos principais pilares da nossa competitividade no longo prazo. E, nesse contexto, o modelo de partnership fortalece o senso de dono, valoriza o capital humano e sustenta uma cultura orientada a resultados e ao impacto de longo prazo nas regiões onde atuamos.
A Apex nasceu com raízes fortes nos mercados regionais e hoje está em expansão. Quais são os aprendizados dessa trajetória e como a empresa tem se preparado para crescer mantendo sua essência e proximidade com os ecossistemas locais?
Um dos principais aprendizados é que presença física não necessariamente garante conexão com a realidade local de cada mercado. E o contrário também é verdadeiro: dá para estar próximo mesmo sem estruturas mais amplas, desde que exista escuta, análise e disposição para adaptar soluções a cada região. Nos preparamos para crescer criando e fortalecendo raízes. Em 2025, realizamos mais de 80 eventos no Brasil e no exterior, construindo uma ponte entre empresários, investidores e lideranças públicas, sempre buscando divulgar potenciais das regiões onde atuamos e novas formas de transformar potencial em oportunidade.
A Apex busca ser o principal banco de investimentos regional do Brasil até 2030. De que forma o alinhamento dos sócios e equipe entre missão, visão e propósito orienta as decisões estratégicas e a cultura da empresa nesse caminho?
Missão, visão e propósito são, para nós, ferramentas práticas. A gente usa esses princípios para tomar decisões concretas no dia a dia. Quando aparece uma nova oportunidade, seja um produto, uma nova solução ou a entrada em um novo estado, a primeira pergunta é: isso faz sentido para o ecossistema econômico local? Vamos ajudar o empresário regional a resolver um problema real, dentro das condições e dinâmicas que ele enfrenta? A visão de ser o principal banco de investimento mercantil regional do Brasil até 2030 só se sustenta se cada passo for coerente com esse caminho. Não adianta crescer por crescer, queremos ter um papel central e fundamental para nossos clientes e parceiros.
Quais são os critérios mais relevantes na formação de novas lideranças dentro da Apex? Como vocês promovem o desenvolvimento de profissionais alinhados com os valores da empresa?
Na Apex, formar novas lideranças é um processo que vai além da avaliação de desempenho técnico. Buscamos identificar e desenvolver profissionais que compartilhem dos nossos valores e que tenham disposição genuína para construir, em parceria, soluções relevantes para os mercados regionais. Valorizamos características como o comprometimento com o longo prazo e senso de dono, ou seja, pessoas que pensam de forma sustentável, com visão de futuro e responsabilidade sobre os impactos que geram.
O modelo de partnership fortalece o senso de dono, valoriza o capital humano e sustenta uma cultura orientada a resultados e ao impacto de longo prazo nas regiões onde atuamos.
Como você avalia o papel da liderança frente aos grandes temas da atualidade, como desafios econômicos nacionais e globais e cenários de incerteza, no contexto da Apex e dos mercados onde atua?
Liderança, nesse cenário, exige leitura clara dos fatos e capacidade de decidir com base em dados, não em ruído. O Brasil tem uma dinâmica política e econômica naturalmente instável, e isso não é novidade. O que aprendemos é que, mesmo nesse contexto, as regiões onde atuamos, as Onças Brasileiras, têm mostrado, ao longo do tempo, indicadores mais consistentes de crescimento, estabilidade institucional e desenvolvimento humano. Isso nos dá uma base para planejar com confiança. Em 2025, adotamos uma postura pragmática. Foi um ano marcado por incertezas políticas, mudanças no ambiente internacional e ajustes relevantes na economia real. Em vez de reagir no impulso, reforçamos nossa estrutura de análise. Ampliamos a produção de pesquisas econômicas, eleitorais e setoriais e usamos esse conteúdo para embasar tanto nossas decisões internas quanto o trabalho junto aos clientes. Esse foco em dados qualificados e análise profunda nos ajuda a manter a consistência da estratégia, mesmo em cenários mais complexos.
Se pudesse compartilhar uma única regra de liderança a alguém que está começando agora, qual seria, especialmente à luz da jornada da Apex até aqui?
Se eu tivesse que escolher uma só, diria: pense sempre no impacto de longo prazo do que você está fazendo. Isso vale para decisões pequenas e grandes. Na Apex, a gente aprendeu que construir um negócio relevante exige constância, não pressa. Liderar é tomar decisões que ainda vão fazer sentido daqui a cinco, dez anos. É abrir mão, muitas vezes, de atalhos que parecem bons no curto prazo, mas que não se sustentam. Visão de longo prazo, para mim, é saber equilibrar entrega com responsabilidade. E essa combinação é o que constrói reputação, confiança e resultado de verdade.