Corpo foi encontrado entre pedras no Rio Itapemirim (Foto: Redes Sociais)
Corpo foi encontrado entre pedras no Rio Itapemirim (Foto: Redes Sociais)

As fortes chuvas que atingem o Espírito Santo desde segunda-feira (19) têm deixado órgãos de monitoramento em alerta, especialmente em relação aos níveis dos rios que banham o Estado.

Nesta quarta-feira (21), o diretor-geral da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, relatou que os rios passam por um processo de elevação significativo, mas ainda sem gerar extrapolação das cargas, o que causaria enchentes e alagamentos.

Apesar de ainda não haver transbordamento, ele relata que é preciso monitorar constantemente os volumes dos rios, principalmente nas regiões Sul, Serrana e Noroeste do Estado.

Fábio Ahnert explica que, em rios de pequeno porte, como é o caso do Rio Santa Joana, afluente do Rio Doce, que corta municípios como Itaguaçu, Itarana e São Roque do Canaã, os níveis têm subido rapidamente.

“O que estamos observando é que, pela própria sensibilidade dos rios menores, eles estão subindo a vazão mais rápido que os maiores. As chuvas que têm caído no Rio Doce têm provocado uma elevação muito rápida do Rio Santa Joana. A vazão passou ontem (terça-feira) de 4m³ por segundo para 16m³ por segundo. É uma elevação muito rápida, mas como é um rio pequeno, tem como característica essa sensibilidade rápida”, disse.

Ahnert relatou que ainda assim o rio não foi capaz de provocar inundações nos municípios que corta. Apesar da alta elevação, continua em uma vazão relativamente longe das capazes de provocar estragos.

Isso porque, segundo ele, o Rio Doce também sofre influências das chuvas registradas em Minas Gerais.

Rio Itapemirim

No Sul do Espírito Santo, o sinal também é de alerta, uma vez que o Rio Itapemirim tem sofrido com uma elevação bastante considerável devido aos últimos dias de chuva.

O Rio Itapemirim tem sofrido uma elevação de vazão muito importante também. De ontem para hoje passou de patamares de 80 m³ por segundo para 160 m³ por segundo, aproximadamente. Isso quer dizer que ele dobrou de vazão, mas ainda assim consegue se manter dentro da calha”.

Fábio Ahnert, diretor-geral da Agerh

Segundo ele, a expectativa é que, com a estabilização dos níveis de chuva, prevista para acontecer no sábado (24), a vazão dos rios também ocorra e entre em declínio.

A expectativa é a de que a vazão do Rio Itapemirim estacione por volta de 75 m³ por segundo com a estabilização das chuvas.

“O que temos observado é que as chuvas têm sido muito concentradas, o que tem provocado alguns transtornos, mas ela ainda não tem tido a capacidade de gerar problemas significativos em relação às inundações, ou seja aquele processo onde o rio extrapola sua calha e começa a gerar inundações, alagamentos e prejuízos maiores ainda”, afirmou.

Recomendação a donos de barragens de terra

Fábio Ahnert alertou ainda que donos de barragens de terra devem manter monitoramento visual e inspeções regulares durantes os dias de chuva.

Os proprietários devem prestar atenção e se certificar de que não há água ultrapassando a crista da barragem, pois isso significa que o vertedouro já perdeu a capacidade, o que apresenta riscos estruturais de rompimento.

Municípios em alerta

Municípios que devem ficar ainda mais em alerta são aqueles onde desastres já foram registrados, como Rio Bananal, Ibiraçu e os que ficam em torno da bacia do Rio Doce.

Reprodução/Defesa Civil ES

No boletim extraordinário emitido pela Defesa Civil Estadual na tarde desta quarta-feira (21) é apontado risco alto de enxurradas, extravasamento de canais e alagamentos em áreas com drenagem deficiente em Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus e Vitória.

O que fazer em casos de alagamentos

Em coletiva de imprensa realizada no Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar, em Vitória, o coronel Benício Ferrari, da Defesa Civil, deu instruções para pessoas que moram em áreas de risco para que possam se precaver em casos de inundações ou desabamentos.

“Pessoas que moram próximo a encostas precisam vigiar durante a chuva intensa sinais de movimentação dessa encosta. Isso dá para perceber por barulhos, estalos, postes e carros começam a inclinar, rachaduras na estrutura da casa… Tudo é sinal que pode ter uma movimentação ocorrendo. Se isso acontecer, deixe a sua casa e vá para outro local”, disse.

Guilherme Lage, repórter do Folha Vitória
Guilherme Lage

Repórter

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Formado em Jornalismo, é repórter do Folha Vitória desde 2023. Amante de música e cinema.

Patricia Maciel

Repórter

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.

Jornalista formada em 2011, com experiência nas principais empresas de comunicação do Espírito Santo. Também atuou como assessora de comunicação e social media.