Alagamento pós-chuva em Iúna (Foto/reprodução: TV Vitória)
Alagamento pós-chuva em Iúna (Foto/reprodução: TV Vitória)

As fortes chuvas que atingiram o Espírito Santo entre a tarde e a noite de segunda-feira (2) provocaram alagamentos, enxurradas e deslizamentos em municípios do interior do Estado. As situações mais críticas foram registradas no Sul capixaba, especialmente em Iúna e Rio Novo do Sul.

Em Iúna, nos bairros Niterói e Perdição, o volume de chuva alagou diversas ruas. Vídeos gravados por moradores mostram enxurradas invadindo estabelecimentos comerciais, residências e até veículos. A força da água dificultou a passagem de pedestres e motoristas, e muitos trechos ficaram completamente intransitáveis.

Em uma das gravações, um grupo de pessoas aparece dentro de uma empresa sem conseguir sair por causa do nível elevado da água na rua. Motoristas também se arriscaram para tentar atravessar os pontos alagados, enquanto a chuva seguia intensa.

Deslizamentos em Rio Novo do Sul

O município de Rio Novo do Sul também foi afetado. Em cerca de uma hora de chuva forte, foram registrados deslizamentos de terra, ruas alagadas e casas invadidas pela água.

As ocorrências mais graves aconteceram no bairro São José, onde várias barreiras cederam. Equipes da prefeitura e da Defesa Civil atuaram durante a noite para retirar terra das vias e fazer a limpeza das áreas atingidas.

Os trabalhos continuam nesta terça-feira (3), com ações de remoção de entulhos, lavagem de pistas e apoio às famílias afetadas.

Previsão segue com alerta

Alagamento pós-chuva em Iúna (Foto/reprodução: TV Vitória)
Alagamento pós-chuva em Iúna (Foto/reprodução: TV Vitória)

O tempo permanece instável em todo o Espírito Santo. A previsão para esta terça-feira é de chuva ao longo do dia em todas as regiões, com possibilidade de trovoadas mais intensas no Sul, na Região Serrana e em trechos do Noroeste capixaba.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), está em vigor até esta quarta-feira um alerta laranja de perigo. O aviso prevê acumulados que podem chegar a 100 milímetros por dia, ventos entre 60 e 100 km/h e possibilidade de queda de granizo em diferentes áreas do estado.

Mais de 2,5 mil raios caíram na Grande Vitória

Enquanto o interior enfrentava alagamentos, a Região Metropolitana foi marcada por uma intensa atividade elétrica. Na noite de domingo (1º), mais de 2.500 raios foram registrados em poucas horas, segundo o Centro de Monitoramento de Descargas Elétricas Atmosféricas da Prefeitura de Vitória.

O fenômeno começou por volta das 20 horas e foi classificado como um evento eletromagnético de grande intensidade, com descargas entre nuvens e também entre nuvem e solo. Moradores de diversas cidades relataram o céu constantemente iluminado por relâmpagos.

O Centro de Monitoramento, implantado em 2025, acompanha em tempo real a incidência de raios em um raio de até 90 quilômetros a partir da capital, abrangendo toda a Grande Vitória e municípios vizinhos como Guarapari, Fundão e Santa Leopoldina.

Segundo a Defesa Civil, a maior concentração de descargas ocorreu ao sul e sudoeste de Vitória. Embora a capital não tenha sido o ponto mais atingido, o volume elevado chamou a atenção dos técnicos.

O coordenador da Defesa Civil de Vitória, Tarcísio Föeger, destacou que nem todas as descargas atingem o solo, mas o número expressivo indica a severidade da tempestade. Ele ressaltou que o monitoramento auxilia na análise meteorológica e na identificação de cenários de risco.

O sistema utiliza tecnologia capaz de localizar com precisão o local e o momento exato das descargas elétricas, gerando dados que auxiliam na prevenção e na tomada de decisões em situações de tempo severo.

Diante da previsão de mais chuvas e tempestades, a Defesa Civil orienta que a população evite áreas de risco, não atravesse pontos alagados e fique atenta a possíveis deslizamentos. Em caso de emergência, o contato deve ser feito pelo telefone 199.

Leiri Santana, repórter do Folha Vitória
Leiri Santana

Repórter

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.

Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e especializada em Povos Indígenas.